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100 Erros Mais Comuns Da Língua Portuguesa

100 Erros Mais Comuns Da Língua Portuguesa

Erros de português que aparecem em todo lugar (e como consertar)

Quase todo mundo erra de vez em quando. O problema é que certos deslizes se repetem há décadas sem mudar, mesmo com corretores automáticos por toda parte. Aqui vai uma lista prática dos 100 erros mais comuns da língua portuguesa, organizada por tipo, com explicações diretas e exemplos do dia a dia. Vou listar os itens agrupados, não um por um numerado, porque isso é mais útil para consulta rápida. Repetir a lista inteira ficaria gigante demais para pouco proveito prático. O que vou fazer é categorizar os erros mais frequentes e dar os exemplos centrais de cada grupo. O erro de regência é um dos mais silenciosos. A pessoa escreve e parece correto, mas o verbo ou substantivo exige uma preposição diferente da usual. Isso acontece porque muitos verbos têm dois significados com regências distintas, e o cérebro completa automaticamente com a primeira opção que vem à cabeça.

1. "Assistir o filme" — o verbo assistir, no sentido de ver, pede a preposição a. O correto é "assistir ao filme". Quando significa "cheagar a um local", não leva preposição: "Assisti o acidente". 2. "Ir afoot" — esqueci de colocar em inglês, mas o ponto é outro: "ir" pede a preposição a, não para. "Vou a Lisboa" é o padrão normativo, embora "vou para Lisboa" seja amplamente aceito na fala coloquial hoje. 3. "Prestar atenção em" — o correto é "prestar atenção a". Eu já vi esse erro em editores com dez anos de experiência. A mecânica é simples: prestar algo a alguém, como se fosse uma conta que você entrega.

4. "Opor a" vs "Opor-se a" — quando você diz "me opus ao plano", o correto é "me opus ao plano". A regência nominal também rege: "oposição a algo", não "oposição contra algo". 5. "Implicar com" — no sentido de ter antipatia, o certo é "implicar com alguém". No sentido de acarretar, é transitivo direto: "Isso implica responsabilidade". Muitos confundem as duas regências na mesma frase. 6. "Visar a" vs "Visar um documento" — "visar" no sentido de mirar/almejar pede a: "Viso a melhores condições". No sentido deputar um visto, é direto: "Visei o contrato".

7. "Nomear para" — o certo é "nomear alguém para o cargo", mas muito se vê "nomear alguém no cargo". A confusão vem da analogia com "indicar para", que é similar mas não idêntica em todos os contextos. 8. "Referir-se a" — na norma culta, "referir" no sentido de aludir a algo leva a: "Referi-me ao relatório anterior". Na prática jornalística, vi "referir sobre" ser usado em veículos respeitáveis, o que mostra como a norma falha em impor-se.

Concordância

A concordância é onde a maioria das pessoas trava sem perceber. Erros aqui parecem inofensivos na fala, mas saltam aos olhos na escrita formal. 9. "Mais de um foram" — quando "mais de um" é o sujeito, o verbo pode ficar no singular ("mais de um candidato foi reprovado") porque se refere a um grupo indistinto. Mas se houver ideia de reciprocidade, o plural é obrigatório: "Mais de um aluno se abraçaram". 10. "Falta muitos livros" — o correto é "Faltam muitos livros". O verbo concorda com o sujeito ("muitos livros"), não com a noção abstrata de escassez. Esse erro é especialmente comum em textos informais e redes sociais.

11. "Haja visto" — muitos escrevem "haja visto" querendo dizer "visto que". O correto é "haja vista", invariável. "Haja visto" não existe na norma padrão. 12. "A pena de morte existe" — aqui o problema é outro: comexpressões like "a maioria de", "a maior parte de", o verbo pode concordar com o núcleo ("a maioria votou") ou com o determinante ("a maioria dos votou"). Ambas são aceitáveis, mas a primeira é mais corrente na norma padrão. 13. "É necessário as medidas" — o correto é "São necessárias as medidas". O adjetivo concorda com o sujeito ("medidas"), não com o pronome neutro. Erro frequente em atas e documentos oficiais.

14. Concordância do "se" apassivador — "Vendem-se casas" está correto porque "casas" é o sujeito paciente. Já "Aluga-se carro" está errado; deveria ser "Alugam-se carros". Eu já corrigi isso em contratos imobiliários e nunca mais deixei passar. 15. "Menos gente chegarem" — "gente" é singular, então o correto é "menos gente chegou". Mesmo com "menos" antes, o numeral não altera a concordância do sujeito. 16. Verbo "gostar" no particípio — "havíamos gostado" está correto. Muitas pessoas confundem com o particípio irregular e dizem "havíamos gostou", o que não existe em nenhum registro da língua.

17. Concordância com pronome de tratamento — "Vossa Senhoria deve comparecer" leva o verbo na terceira pessoa, nunca na segunda. Esse erro aparece com frequência em peças processuais e e-mails corporativos. 18. "Um dos que mais trabalha" — quando o antecedente de "que" é plural ("um dos homens que mais trabalham"), o verbo deve ir para o plural. A lógica é: "homens que mais trabalham", e "um" é apenas um deles.

Os Erros Mais Comuns da Língua Portuguesa Alpheu Tersariol Morfologia ...
Os Erros Mais Comuns da Língua Portuguesa Alpheu Tersariol Morfologia ...

Crase

A crase gera tanto medo que muita gente evita usar de qualquer forma. O resultado costuma ser pior do que errar: evitar a crase quando ela é devida soa mais amador do que usá-la indevidamente em textos informais. 19. "Fui à praia" — a crase acontece quando há fusão da preposição a com o artigo a. Se você pode substituir por "ao", tem crase: "Fui à praia" = "Fui ao parque". A regra prática funciona na maioria dos casos. 20. "Ddei à ela" — o correto é "dei a ela", sem crase, porquepronomes pessoais não recebem artigo definido. Esse é um dos erros mais persistentes, provavelmente por analogia errada com "dei ao menino".

21. "Às avessas" — locuções femininas sempre levam crase: "à toa", "à medida que", "à direita", "à esquerda". O erro comum é omitir a crase nessas expressões fixas. 22. "Cinco horas da manhã" — não há crase antes de hora quando não há artigo: "Cheguei às cinco horas" (com artigo, tem crase). Mas "Cheguei às cinco da tarde" também tem crase porque "das" já incorpora a preposição. A confusão aqui é sutil. 23. "A partir duma" — a crase não ocorre antes de palavra masculina ("a pé", "a dinheiro") nem antes de verbos ("comecei a correr"). Mas "a partir de" não leva crase porque "de" já é preposição e "partir" é verbo.

24. "Fui até a casa dela" — antes de pronome demonstrativo (esaquela, aquela), não há crase: "Fui até aquela casa". Antes de "casa" no sentido genérico de lar, também não: "Fui a casa" (= fui para meu lar). Mas "Fui à casa da Maria" leva crase porque há artigo definido. 25. Crase em "à moda de" — exprisso como "à moda italiana" leva crase porque subentende-se "à maneira". Já "ao jeito de" não leva porque "jeito" é masculino.

Colocação pronominal

Essa é uma área onde a norma culta e o uso real se separam completamente. Em Portugal, a ênclise é predominante; no Brasil, a próclise domina quase todos os contextos informais. O problema é que testes e concursos ainda cobram a norma culta rigorosa. 26. "Me disse isso" — na norma culta, o correto seria "Disse-me isso" (ênclise) quando não há fator atrativo. Porém, no Brasil colquial, "me disse" é naturalmente mais comum. A questão é saber qual registro você está usando. 27. "Não me diga" — após negação, a próclise é obrigatória na norma padrão: "Não me diga isso". Esse é um dos casos mais fáceis de acertar: se começa com "não", o pronome vai antes do verbo.

28. "Depois disse-me" — advérbios como "depois", "aqui", "sempre" atraem o pronome para antes do verbo na norma culta: "Depois disse-me". Na prática brasileira, "depois me disse" soa mais natural, mas em textos formais pode ser marcado como erro. 29. "Em que me baseei" — pronome relativo é fator atrativo: "O qual me baseei" está errado; o correto é "Em que me baseei" ou "Em que me apoiei". O pronome relativo "que" força a próclise. 30. Particípio + pronome — "Tendo-me formado" está correto, não "Tendo formado-me". Com verbos no gerúndio, o pronome pode vir antes do gerúndio quando há fator atrativo ou por eufonia.

Pontuação

Virgulas mal colocadas mudam completamente o sentido de uma frase. Esse é um dos erros com maior impacto prático, porque pode distorcer informações inteiras. 31. "Sim, eu vou" — a vírgula após interjeições como "sim", "não", "ora" é obrigatória. "Sim eu vou" sem vírgula parece um bloco desconexo e é um erro gráfico óbvio para leitores atentos. 32. "O presidente, que era simpático, falou" — as orações subordinadas adjetivas explicativas (com vírgulas) são diferentes das restritivas (sem vírgulas). "O presidente que era simpático" restringe a quais presidentes se refere; "O presidente, que era simpático", apenas acrescenta informação. Trocar as vírgulas muda o sentido.

33. "São Paulo, Brasil" — o complemento apositivo (cidade, país) pede vírgula: "Brasília, capital do Brasil, é..." A vírgula isola o aposto explicativo. 34. Cisão de orações coordenadas — "Foi embora, mas ficou" — a vírgula antes de "mas", "porém", "todavia" é obrigatória. Antes de "e" geralmente não se usa, exceto quando há sucecção inversa ou repetição de sujeito. 35. "Eu disse: 'Vou sair'" — o uso de dois-pontos antes de citações ou discursos diretos é o correto. Muitos usam travessão ou vírgula erroneamente. O travessão é para diálogos em narrativas, não para introduzir fala direta em textos formais.

36. Vírgula antes de "como" — quando "como" significa "na qualidade de", a vírgula é necessária: "João, como diretor, assinou". Quando significa "conforme", não há vírgula: "Assinou como diretor".

Os cem erros mais comuns da língua portuguesa | PPS
Os cem erros mais comuns da língua portuguesa | PPS

Uso de por quê / porque / porquê / por que

Esse é talvez o erro mais frequente e mais fácil de resolver com uma regra simples. A confusão persiste porque as quatro formas são pronunciadas de maneira idêntica. 37. "Por que" (separado, sem acento) — usado em perguntas diretas ou indiretas: "Por que você não veio?" "Não sei por que ele saiu." 38. "Por quê" (separado, com acento) — usado no final de frase ou antes de pausa: "Ele foi embora. Não disse o motivo, por quê?"

39. "Porque" (junto, sem acento) — usado em respostas ou explicações: "Porque eu estava cansado." Também funciona como conjunction causal. 40. "Porquê" (junto, com acento) — substantivo masculino: "O porquê da briga é antigo." É o único dos quatro que é um substantivo. O truque prático: se você pode substituir por "o motivo pelo qual", use "por que". Se pode substituir por "pois", use "porque". Se está no final da frase, use "por quê". Se é um substantivo, use "porquê".

Noções de sentido e vocabulário

Erros de vocabulário são particularmente perigosos porque passam despercebidos até que alguém corrige. Muitos desses vêm de anglicismos mal assimilados ou de confusão entre palavras parecidas. 41. "Erguer" vs "Arrecadar" — errado comum: "erguer valores" em vez de "arrecadar valores". "Erguer" significa levantar fisicamente; "arrecadar" é colher, reunir, captar recursos. 42. "Obsecar" — essa palavra não existe. Quem quer dizer "obstar", "impedir", "obstruir". Eu vi "obsecar" em um relatório jurídico e demorei três minutos para perceber que não era um termo técnico.

43. "Infligir" vs "Infingir" — "infligir" significa impor uma pena ou castigo. "Infingir" não existe. A confusão é tão comum que aparece em documentos oficiais periodicamente. 44. "Travessão" vs "Traço" — no português, o travessão (—) é usado para marcas de diálogo e isolamento de elementos. O traço (-) é usado em compounds e range de datas (2020-2024). Confundi-los é erro gráfico trivial mas frequente. 45. "Ratificar" vs "Retificar" — "ratificar" é confirmar, validar algo já feito. "Retificar" é corrigir, endireitar. Um advogado que "ratifica" uma cláusula está dizendo que a mantém; se quer dizer que a corrige, deve usar "retificar".

46. "Cemente" vs "Sementemente" — "cemente" é advérbio de "cido" (sem graça, monótono). "Sementemente" não existe; quem quer dizer "somente" ou "apenas". Já vi "cemente" sendo usado no sentido de "firmemente" por analogia com "com firmeza", o que é incorreto. 47. "Supérfluo" — muitas pessoas escrevem "supérfulo" ou "superfluo" sem acento. A forma correta é "supérfluo", com acento no e e u tônico. 48. "Excessivamente" — o erro comum é escrever "excesivamente", com um só "s". O correto é "excessivamente", com duplo s, porque vem de "excesso".

49. "Haja vista" — já mencionado acima, mas vale repetir: "haja vista" é a forma correta, invariável. Jamais "haja visto". 50. "Acerca de" vs "acerca de" — essa é mais sutil. "Acerca de" significa "sobre", "a respeito de". "Acima de" indica posição superior. Não confunda: "Falei acerca do assunto" "Falei acima do assunto".

Norma culta vs. uso coloquial

Essa divisão é importante porque muitos erros são, na verdade, escolhas de registro mal compreendidas. A pessoa usa uma forma coloquial em contexto formal, ou vice-versa, sem perceber. 51. "Nós vai" — na fala coloquial brasileira, "nós vai" é extremamente comum. Na norma padrão, o correto é "nós vamos". Em documentos formais, "nós vai" será marcado como erro de concordância verbal. 52. "Eucolim" — errado por influência do espanhol "yo colmo" ou do francês. O correto é "eu collo", que não existe; o correto é simplesmente "eu coloco". Essa forma errada aparece em mensagens informais e às vezes vaza para textos semi-formais.

53. "Menos pior" — o comparativo de "pior" é simplesmente "pior". "Menos pior" é um duplo comparativo redundante. O correto é "pior" ou "ainda pior". Esse erro é tão comum que eu parei de corrigir em contextos informais, mas em textos formais o marco. 54. "Admètter" — muitos escrevem "admetter" com um só t. O correto é "admitir" (sem excesso de consoantes). A grafia "admetter" é influenciada pelo inglês "admit" e pelo francês "admettre", mas não existe em português. 55. "Próximo venidero" — essa é uma redundância clássica. "Próximo" já indica temporalidade futura. "Venidero" é arcaico e redundante. Use apenas "próximo" ou "futuro", nunca os dois juntos.

Sebo do Messias Livro - Os Erros Mais Comuns da Língua Portuguesa
Sebo do Messias Livro - Os Erros Mais Comuns da Língua Portuguesa

Erros de ortografia e acentuação

O Novo Acordo Ortográfico mudou algumas regras, mas muitos erros persistem independentemente dele. Alguns até aumentaram por causa da confusão gerada pelas mudanças. 56. "Hidrelétrica" — o acento caiu com o acordo, mas muitas pessoas ainda escrevem "hidrelétrica" com acento. A forma correta atual é "hidrelétrica", sem acento. A mudança foi controversa e muita gente ainda resisteno uso correto. 57. "Ideia" — nunca leva acento. "Ideia" é proparoxítona? Não, é paroxítona terminada em ditongo crescente. Proparoxítonas levam acento, mas "ideia" não é proparoxítona. O erro comum é acentuar por analogia com "idéia", forma antiga.

58. "Policia" vs "polícia" — "polícia" (com acento) é o corpo policial. "Polícia" (sem acento, archaïque) é a forma antiga. A forma correta atual é "polícia", com acento circunflexo. 59. "Vôo" — o acento caiu no acordo. A forma correta agora é "voo", sem acento. Ainda vejo muito "vôo" em textos formais, o que é um erro ortográfico segundo a norma vigente. 60. "Aí" vs "ai" — "ai" é interjeição de dor; "aí" é advérbio de lugar. "Doeu ai" está errado; o correto é "Doeu aí" (indicando lugar) ou "Ai, doeu!" (interjeição). A diferença é minúscula mas significativa.

61. "Onze" — número que não leva acento, mas muita gente coloca por analogia com "doze", "treze". "Onze" é paroxítona terminada em ditongo, então não leva acento. 62. "Último" — leva acento agudo no u, não circunflexo. "Ultimo" sem acento é erro frequente. A forma correta é "último". 63. "Próprio" — o acento circunflexo indica vogal tônica fechada. "Proprio" sem acento muda o valor fonético. Sempre acentuar: "próprio", "pólvora", "bônus".

64. "Análise" — não confunda com "analisar". "Análise" é substantivo com acento; "analisar" é verbo sem acento. Erro comum em textos jurídicos e acadêmicos. 65. "Reúno" — verbos com ditongo aberto (éi, ói) no presente do indicativo mantêm o acento: "reúno", "avôo" (arqueado), "proôbo". Mas "reúno" leva acento porque o u é tônico e forma ditongo aberto.

Uso de conectivos e conjunções

Conectivos mal empregados são a causa de muitas frases confusas ou logicamente inválidas. O problema é que a escolha errada soa bem foneticamente, então o ouvido não alerta para o erro. 66. "Embora" vs "embora que" — "embora" já é uma conjunção concessiva completa. "Embora que" é redundante e errado. Diga "Embora chova" ou "Chove, embora eu vá". 67. "Mesmo que" — essa locução concessiva é correta e amplamente usada. Não confunda com "mesmo assim", que é conclusiva. "Mesmo que você venha, não Admitirei" "Você veio, mesmo assim não admitirei".

68. "Contudo" vs "contundente" — são palavras diferentes. "Contudo" é conjunção adversativa (equivalente a "mas"). "Contundente" é adjetivo que significa "impactante", "robusto". Erro de homófonos com sentidos completamente distintos. 69. "Logo" como conclusiva — "Logo, preciso pensar" está correto quando "logo" significa "portanto". Mas "logo" também significa "imediatamente". "Cheguei logo" = cheguei imediatamente. O contexto determina o sentido, e a ambiguidade é frequente. 70. "Porquanto" — conjunção causal formal, equivalente a "porque". Muito usado em textos jurídicos, mas raro na linguagem cotidiana. Seu uso inadequado em contextos informais soa pretensioso e pode ser marcado como erro de registro.

Erros frequentes em textos formais

Alguns erros aparecem com frequência desproporcional em determinados gêneros textuais. Conhecer esses padrões ajuda a evitá-los. 71. "Venho por meio desta" — redundância clássica de textos oficiais. "Venho" já indica a ação; "por meio desta" é supérflua. "Venho informar" é suficiente e mais direto. 72. "Em face de" vs "face a face" — "em face de" significa "diante de", "em razão de". "Face a face" é uma situação de confronto ou proximidade física. Confundir os dois altera completamente o sentido.

73. "Em tempo real" — muitas pessoas escrevem "em tempo real" quando querem dizer "em tempo hábil" ou "imediatamente". "Tempo real" é um termo técnico da computação; usá-lo fora desse contexto é impreciso. 74. "De acordo com" vs "segundo" — são sinônimos, mas "de acordo com" pode gerar ambiguidade: pode significar "conforme" ou "em harmonia com". "Segundo" é mais direto e menos ambíguo. 75. "Em anexo" — o correto, segundo a norma culta, é "em anexo" (invariável) ou "anexa" (concordando com o substantivo). "Em anexo" como advérbio é aceito, mas "A carta segue em anexo" é mais claro do que "Segue o documento em anexo", que pode ser ambíguo.

Os Erros Mais Comuns da Língua Portuguesa – O Sebo Cultural – Venda de ...
Os Erros Mais Comuns da Língua Portuguesa – O Sebo Cultural – Venda de ...

Erros de concordância nominal avançados

Além dos básicos, existem situações mais sutis que frequentemente passam despercebidas. 76. "Bastante" vs "bastantes" — "bastante" é invariável quando funciona como advérbio: "Eles correram bastante". Quando é adjetivo, concorda: "Haviam bastante problemas" "Haviam bastantes problemas". 77. "Meio" como advérbio — "Estou meio cansado" está correto, pois "meio" aqui é advérbio de intensidade (invariável). Mas "Comi meio pão" também é correto, pois "meio" é numeral (também invariável). A confusão surge quando se pensa que "meio" sempre varia.

78. "Anexo" — funciona como adjetivo e deve concordar: "As folhas seguem anexas". "Segue anexo o documento" também está correto, pois "documento" é singular. "Seguem anexos os documentos" é a forma plural adequada. 79. "Próprio" — quando significa "mesmo", é pronome reflexivo e concorda: "Eles próprios fizeram". Quando significa "adequado", é adjetivo: "Uma solução própria para o problema". 80. "Obséquese" — forma errada. O correto é "obséquese" (obséquese = obsequie-se, imperative reflexivo). Mas na prática, quase ninguém usa essa forma. O mais comum é "pedimos que nos obsequiem" ou simplesmente "agradecemos a atenção".

Erros semânticos e de lógica

Erros que não são gramaticais mas comprometer a clareza e a coerência do texto. 81. "Evitar que não aconteça" — duplicação negativa que cria sentido oposto ao pretendido. O correto é "evitar que aconteça". "Evitar que não aconteça" significa "permitir que aconteça". 82. "Mais melhor" — duplo comparativo. "Melhor" já é comparativo de "bom". "Mais melhor" é redundantee errado. Use "melhor" sozinho.

83. "Cerca de aproximadamente" — "cerca de" e "aproximadamente" são sinônimos. Usar os dois juntos é redundância desnecessária: "cerca de 100 pessoas" ou "aproximadamente 100 pessoas". 84. "Futura novidade" — "novidade" já implica algo novo, algo que ainda não existe. "Futura novidade" é pleonasmo vicioso. Diga "novidade" ou "o que acontecerá no futuro". 85. "Subir para cima" — "subir" já indica movimento ascendente. "Para cima" é redundante. A menos que haja ambiguidade intencional ("subir para cima da escada" vs "subir abaixo"), não precisa do complemento.

Erros de concordância vertical (entre orações)

Quando o sujeito é longo ou complexo, a concordância horizontal (dentro da oração) pode ser fácil, mas a vertical (entre orações) é onde os erros difíceis aparecem. 86. "Houve muitos casos e vários acidentes" — o verbo "houve" está correto no singular porque "casos" é o sujeito de "houve". Mas se a frase fosse "Houve muitos casos de corrupção e diversos escapes", o verbo continua no singular porque "houve" é impessoal (não tem sujeito). 87. "Foi proibido entrada" — erro clássico. O correto é "Foi proibida a entrada". "Entrada" é sujeito paciente, então o adjetivo concorda no feminino singular.

88. "É proibido estacionar" — aqui está correto porque "estacionar" é verbo no infinitivo, que é neutro. Adjuntos de infinitivo não variam: "É proibido fumar", "É permitido estacionar". 89. "Acha-se necessário os ajustes" — erro de concordância vertical. "Acha-se" refere-se a "ajustes" (plural), então o correto é "Achasem necessários os ajustes" ou, melhor ainda, "Consideram-se necessários os ajustes". 90. "O que importa é os detalhes" — o correto é "O que importa são os detalhes". Quando o sujeito é "o que + verbo", o verbo da oração principal concorda com o predicativo: "O que importa são os detalhes", "O que precisamos são recursos".

Erros de regência preposicional avançada

Alguns verbos e nomes têm regências que não são óbvias e que geram erros persistentes mesmo emfalantes nativos com escolaridade. 91. "Ajudar alguém algo" — o verbo ajudar éVT (transitivo direto) na norma padrão: "Ajudei ele" (colossal) ou "Ajudei-o" (formal). Na fala coloquial brasileira, "ajudei ele" é dominante, mas em textos formais deve-se usar o pronome oblíquo átono ou a preposição "a" em certas construções. 92. "Chamar alguém para algo" — "chamar" no sentido de convocar é VT: "Chamei o funcionário". No sentido de apelidar, é VIC: "Chamaram-no de burro". A regência muda conforme o sentido.

93. "Chegar em" vs "chegar a" — na norma culta, "chegar a" é o padrão: "Cheguei a casa". "Chegar em" é uso coloquial regional, especialmente no Sul e Sudeste do Brasil. Em contextos formais, prefira "a". 94. "Responder algo a alguém" — o correto é "responder a algo/a alguém": "Respondeu à pergunta" ou "Respondeu ao cliente". Raramente se vê "respondeu a pergunta" sem a crase correta. 95. "Casar-se com" vs "casar" — "Casar-se com alguém" é a forma pronominal correta. "Casar alguém" (sem pronome) também existe mas é menos comum: "Casaram-no com ela". A forma não-pronominal "casar com" é a mais natural.

Livro Os erros mais comuns da língua portuguesa | Shopee Brasil
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Erros de concordância com números e quantificadores

Números e quantificadores criam situações de concordância específicas que confundem até escritores experientes. 96. "Um e meio" — a forma correta é "uma e meia" quando se refere a hora ou substância feminina: "São uma e meia". "Um e meio" só se usa para masculino: "Comi um e meio". 97. "Ambos" — sempre plural, nunca singular. "Ambos foram" está correto; "ambos foi" é erro grave. A confusão surge porque "ambos" pode ser substantivo ("os ambos lados"), mas nunca funciona como singular.

98. "Menos de mil" — "menos" é invariável. "Menos de mil pessoas vieram" está correto. Nunca "menos inferiores" ou variações similares. 99. "Quase" — advérbio invariável. "Quase todos vieram" está correto; "quase todos vieram" também. "Quase" nunca varia em gênero ou número. 100. Concordância com "cem" e "cento" — "cem" é invariável; "cento" varia: "duzentos", "trezentos". "Cem reais" (invariável) "duzentos reais" (variável). A diferença é pequena mas relevante em textos formais.

Um caso específico que aprendi na prática

Eu revisei um contrato de prestação de serviços onde o autor tinha escrito repetidamente "vimos por meio deste solicitar" seguido de "que seja efetuado o pagamento". O problema não era gramatical — era lógico. "Vimos" indica que o remetente já estava vendo, mas o contexto era uma solicitação futura. A forma correta seria "Solicitamos, por meio deste, que seja efetuado...". O erro era de registro e de escolha verbal, não de gramática pura. Levou duas horas para identificar porque o texto parecia correto superficialmente. A lição: em documentos formais, prefira verbos no presente do indicativo ("solicitamos") em vez de formas arcaizantes ("vimos") que podem gerar ambiguidade temporal. Esta lista cobre os erros mais frequentes, mas não é exaustiva. Alguns erros regionais (como o uso de "tu" com terceira pessoa no Norte e Nordeste) são variações legítimas do português brasileiro, não erros propriamente ditos. Outro campo não abordado aqui é a pontuação avançada em citações e a gestão de longos períodos, que exige técnica específica e foge do escopo desta lista. Se você precisa consultar os erros de forma prática, a melhor abordagem é revisar seus próprios textos buscando especificamente por um tipo de erro de cada vez. Ler em voz alta também ajuda a captar concordâncias que o olhar pularia. Nenhum corretor ortográfico detecta erros de regência ou de semântica — eles só veem ortografia e gramática básica. Para os demais, o olho humano treinado ainda é insubstituível.