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20 Verbos No Infinitivo

20 Verbos No Infinitivo

Verbos no infinitivo em português: o que realmente acontece quando você tenta usá-los

Você já tentou explicar para alguém que em português a gente diz "preciso de dormir" e não "preciso dormir"? Pois é. Isso é só um dos pequenos abismos que aparecem quando a gente para para pensar nos verbos no infinitivo. Eu comecei a prestar atenção neles depois de dar aulas de português para estrangeiros há alguns anos, quando um aluno brasileiro natural começou a corrigir os outros dizendo que "ter que" era errado e que o certo era "dever". A conversa foi longe demais e acabou me fazendo repensar várias coisas que eu dava como certas. São estes: ser, ter, fazer, ir, pôr, dar, vir, saber, poder, dizer, ver, querer, estar, passar, precisar, crer, achar, chamar, pagar, esperar. Repare que fazer está na lista das duas formas porque ele aparece tanto como verbo principal quanto como auxiliar em locuções. O fato de eles serem os mais frequentes não significa que sejam os mais simples de usar. Eu já vi gente fluente errar feio com poder e saber no infinitivo, confudindo o sentido de habilidade com o de permissão. Aqui vai uma coisa que quase ninguém explica direito: o infinitivo pessoal. A maioria dos materiais didáticos ensina o infinitivo impessoal primeiro e depois, no capítulo 14, menciona que existe uma forma flexionada. Mas na prática, o infinitivo pessoal é muito mais comum do que parece, especialmente em português de Portugal. Você ouve "ao chegar em casa, achei que eles tivessem saído" e acha que é subjuntivo, mas na verdade pode perfeitamente ser infinitivo: "ao chegarem em casa, achei que eles tivessem saído". A diferença é sutil e muitos falantes nativos nem percebem.

Outro ponto que costuma causar confusão é a regência. O verbo pôr exige "em", não "a". O verbo esperar pode aparecer sem preposição ou com "por", e o sentido muda. Eu gastrei umas três semanas corrigindo textos de alunos que usavam "esperar por algo" no sentido de "torcer para que algo aconteça", quando o uso correto ali seria simplesmente "esperar algo". A preposição "por" introduz um objeto direto disfarçado, e isso desconfigura a hierarquia da frase inteira." Tem também o caso dos verbos chamar e pagar. Ambos aceitam construções com infinitivo, mas de formas bem diferentes. "Chamar alguém para fazer algo" é diferente de "pagar alguém para fazer algo". No primeiro caso, o infinitivo funciona como complemento do verbo chamar; no segundo, como complemento do verbo pagar. Misturar essas regências é um erro clássico que aparece até em provas de concurso." Eu pessoalmente tive um problema específico com vir e ir no infinitivo. Num texto técnico que estava revisando, o autor escreveu "vi os resultados virem" em vez de "vi os resultados virem". Parece obviedade, mas a escolha entre vir e ir depende do movimento relativo em relação ao falante. Se os resultados chegaram até você, é vir. Se você vai até eles, é ir. Confundir esses dois verbos no infinitivo é um erro que passa despercebido na maior parte das revisões, porque o ouvido treinado é o que realmente nota.

Outra pegadinha clássica: ser e estar no infinitivo. A diferença entre "é preciso ser paciente" e "é preciso estar paciente" não é só gramatical — é existencial. Um fala da natureza da coisa, o outro fala do estado momentâneo. Não é que um esteja errado e o outro certo. É que cada um carrega um peso diferente, e trocar um pelo outro sem entender muda completamente o que você está dizendo. O infinitivo também aparece em construções que parecem subordinadas mas não são. "Não sei o que fazer" — aqui, fazer é infinitivo, mas a frase funciona como uma oração coordenada explicativa. Muitos gramáticos tratam isso como objeto direto, mas a realidade é mais fluida. Eu recomendo analisar essas estruturas pelo sentido, não pela classificação rígida.

Exemplos de Verbos no Infinitivo | PDF
Exemplos de Verbos no Infinitivo | PDF

Quando o infinitivo não funciona

Existem contextos em que o infinitivo simplesmente não cabe. Frases imperativas, por exemplo. "Faz isso!" — aí você não tem infinitivo, tem modo imperativo. Tentar forçar o infinitivo num contexto imperativo soa artificial e estranho. O mesmo vale parasubjuntivo: "Quero que você faça" não tem como virar "Quero fazer" sem mudar o sujeito. Também é importante saber que nem todo infinitivo é igual. O infinitivo flexionado ("os alunos chegarem tarde") não pode aparecer depois de preposição em todas as variantes do português. No português do Brasil, muita gente ainda evita a flexão do infinitivo, especialmente na fala cotidiana. Isso não é erro — é variação. Mas em textos formais, a flexão é a forma preferencial, e omiti-la pode soar amador.

O que observar na prática

Se você quer dominar o infinitivo, a prática mais eficaz que encontrei até agora é ler textos jornalísticos e notar como os verbos aparecem. Jornalismo escrito exige precisão, e os articulistas costumam escolher o infinitivo com cuidado. Observe como precisar, passar e acreditar se comportam em frases longas. Depois, tente reescrever essas mesmas frases usando o infinitivo pessoal. O exercício é simples, mas revela padrões que a gramática normativa sozinha não mostra. Outra coisa: preste atenção em como crer e achar se diferenciam no infinitivo. "Creio que vou" e "Acho que vou" não são intercambiáveis. Um exprime convicção, o outro exprime opinião. Em textos argumentativos, essa distinção é tudo. Usar achar onde se deveria usar crer enfraquece a argumentação. Usar crer onde se deveria usar achar soa pretensioso. No final das contas, o infinitivo em português não é um tema para memorizar listas. É um tema para ouvir. Os 20 verbos quearam estão aí porque aparecem todo dia, em toda situação. A questão não é sabê-los de cor — é perceber como eles se movem na língua. E quando você começa a perceber, o resto vem junto.