A Evolução Da Humanidade Tradicionalmente Se Divide Em
O que você precisa saber sobre a divisão tradicional da evolução humana
A evolução da humanidade tradicionalmente se divide em grandes períodos, mas o sistema que todo mundo aprende na escola é uma simplificação bruta que esconde muito do que realmente aconteceu. Quando eu comecei a trabalhar com cronologias arqueológicas, achava que as divisões eram linhas retas entre culturas. Aprendi rápido que não são. Os períodos se sobrepõem, regiões diferentes avançam em ritmos distintos, e o conceito de "idade" — pedra, bronze, ferro — é uma gradação eurocêntrica que não se aplica uniformemente ao resto do planeta. O modelo clássico separa a história humana pré-moderna em três Idades: Pedra, Bronze e Ferro. Dentro da Idade da Pedra, há a divisão em Paleolítico, Mesolítico e Neolítico. O Paleolítico cobre de cerca de 3,3 milhões de anos atrás até 10.000 a.C. aproximadamente. É o período mais longo de todos. O Neolítico marca a transição para a agricultura e a sedentarização, que começou de forma independente em pelo menos oito regiões diferentes do mundo, cada uma com espécies de plantas e animais distintos. O que poucas pessoas entendem é que essas datas são estimativas grossas. Um sítio no Vale do Rio Amarelo pode estar no Neolítico enquanto um outro no sul da África ainda está em estágio paleolítico final, e isso não significa que os povos africanos estavam "atrasados". Significa que as condições ecológicas, o banco de sementes disponível localmente e a pressão populacional eram simplesmente diferentes. A agricultura não foi uma escolha consciente de um grupo que decidiu "melhorar sua vida". Foi uma resposta a constrangimentos ambientais que, na prática, tornou a vida diária mais dura. Esqueletos neolíticos precoces mostram mais artrite, cáries e doenças infecciosas do que seus predecessores caçadores-coletores.
A Idade do Bronze começa por volta de 3300 a.C. no Próximo Oriente. O bronze é uma liga de cobre e estanho, e o estanho é um mineral relativamente raro. Isso significa que civilizações que não tinham acesso a rotas comerciais de longo alcance para obter estanho simplesmente não desenvolveram tecnologia bronzeana significativa, mesmo tendo cobre disponível. O cobre nativo era usado há milênios. A diferença entre "Idade do Cobre" e "Idade do Bronze" é mais sobre redes comerciais do que sobre capacidade técnica pura. A Idade do Ferro segue por volta de 1200 a.C. no Próximo Oriente. A ferrovia é mais abundante que o estanho, mas exigir temperaturas mais altas de fundição e um controle mais refinado do processo de siderurgia. Hititas são frequentemente creditados com os primeiros passos, mas o conhecimento se espalhou de forma irregular. Na Europa Ocidental, a transição para o ferro levou séculos depois de estabelecida no Mediterrâneo oriental. Um problema real que eu encontrei na prática foi tentar usar essa cronologia tripartite para datare sítios na América do Sul. A divisão em Pedra-Bronze-Ferro simplesmente não funciona lá. Civilizações como os Andes centrais tinham níveis complexos de metalurgia do cobre e do bronze muito antes do contato europeu, mas também mantinham ferramentas de pedra em uso paralelo. A classificação obrigatória em uma dessas "idades" distorcia a leitura do sítio. A solução foi abandonar a terminologia tripartite para aquelas regiões e adotar uma cronologia cultural baseada em tradições cerâmicas e estruturas de assentamento, que é o padrão atual na arqueologia sul-americana.
Outro ponto que os manuais não enfatizam o suficiente: a subdivisão do Paleolítico em Inferior, Médio e Superior também é problemática. O Paleolítico Médio, por exemplo, é definido principalmente pelo tipo de ferramenta acheulense e pelo surgimento do hominem sapiens neanderthalensis na Europa e na Ásia Ocidental. Mas na África, a sequência é completamente diferente, e muitos arqueólogos preferem usar os termos "Middle Stone Age" e "Later Stone Age" para evitar a confusão implícita de que a Europa era o modelo padrão. O Mesolítico é talvez o conceito mais controverso. Em muitas regiões, não há uma transição clara entre o final do Paleolítico e o início do Neolítico. O que acontece é uma fase de adaptação a ecossistemas pós-glaciais, com grupos que mantêm Subsistência de caça e coleta mas desenvolvem tecnologias mais sofisticadas, como arcos, barcos e armazenamento. Em alguns lugares, como o Japão, o período Jomon se encaixa nessa categoria. Em outros, como o Levante, a transição é tão gradual que qualquer linha que você traçar no mapa é essencialmente arbitrária. A maior limitação desse sistema tradicional é que ele é baseado em tecnologia material, não em mudança social, cognitiva ou biológica. A Revolução Cognitiva, proposta por alguns pesquisadores, aconteceu muito antes das primeiras ferramentas de bronze. A expansão fora da África, as rotas de comércio intercontinentais, a domesticacao de animais específicos — tudo isso ocorre em timings descompassados com a cronologia das "idades". O sistema ainda é útil como ferramenta didatica, mas tratar essas divisoes como fatos solidos é um erro que leva a interpretacoes historicamente imprecisas.

Se voce esta estudando o tema, o mais produtivo e ler as criticas dentro da propria arqueologia, especialmente os trabalhos sobre cronologias regionais. A divisao tripartite continua sendo o padrao em livros introdutorios, mas a pratica academica atual já deixou para tras ela em varias areas. O importante e entender o que cada periodo representa em termos concretos de subsistencia, organizacao social e tecnologia, sem a ilusao de que o mundo todo estava seguindo o mesmo relógio.
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