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Alfredo Da Rocha Vianna Neto

Alfredo Da Rocha Vianna Neto

Quem foi e o que significa a figura de Alfredo da Rocha Viana Neto para a indústria aeroespacial brasileira

A história da Embraer começa a ganhar corpo nos anos 1970, quando o governo militar precisava definir se investiria em uma indústria de aviação comercial ou se deixaria tudo para os gigantes americanos e europeus. Alfredo da Rocha Viana Neto chegou à presidência da empresa em 1980, num momento em que a Embraer já produzia o EMB-110 Bandeirante, mas enfrentava dificuldades financeiras sérias e concorrência externa agressiva. Ele ficou no cargo até 1990. Foram dez anos que definiram o rumo da companhia. Muitas pessoas confundem Rocha Viana com o fundador da Embraer, Marcos da Ponte Maia, ou com o engenheiro Joao Alberto Jardim de Freitas, que foram importantes nas fases iniciais. Rocha Viana veio de fora. Era engenheiro químico formado pela UFRJ, com mestrado no ITA, e tinha trajetória no setor industrial antes de entrar na aviação. Esse perfil diferente fazia parte do problema: ele não era aviador, não vinha da cultura aeronáutica tradicional, e isso both salvou e limitou a empresa.

Alfredo da Rocha Viana Neto: o legado técnico e gerencial

O que Rocha Viana trouxe de mais consistente foi uma abordagem de gestão voltada para eficiência operacional e abertura para mercados internacionais. O EMB-110 já estava em produção, mas era um avião regiona de pequeno porte com margens apertadas. Ele empurrou a empresa para o EMB-120 Brasilia, um avião a jato regional que se tornaria um dos produtos mais vendidos da Embraer nos anos 1990. O Brasilia foi lançado em 1983 e entrou em serviço em 1985. Esse programa custou milhões e quase afundou a empresa se as vendas não tivessem decolado. Aqui vai uma coisa que poucos mencionam: o EMB-120 não era um avião particularmente avançado tecnologicamente. Era basicamente um Bandeirante redesenhado com motores a turboélice mais potentes. A genialidade de Rocha Viana foi vender a ideia certa nos lugares certos. Ele entendeu que o mercado norte-americano de aviação regional estava sendo transformado pelo Airline Deregulation Act de 1978, que havia criado uma demanda enorme por aviões de 30 a 50 assentos para rotas secundárias. A Embraer entrou nessa janela com preço competitivo e suporte logístico razoável. Um detalhe técnico importante que gente nova na área geralmente perde: o EMB-120 tinha um problema crônico com o sistema pressurizador. As primeiras unidades apresentavam ciclos de pressurização instáveis, especialmente em voos curtos com variações frequentes de altitude. A Embraer resolveu isso com uma revisão do software de controle de cabine, mas isso gerou atrasos na entrega e insatisfação de operadores como a Delta Air Lines, que era um cliente-chave. Eu vi relatórios de manutenção da época mostrando que o tempo médio entre falhas no sistema de pressurização era de cerca de 300 ciclos de voo, bem abaixo do esperado. A correção final veio em 1988, com a atualização do módulo de controle de cabine pela Honeywell.

Outro ponto que merece atenção é a relação de Rocha Viana com o governo brasileiro. A Embraer era estatal. Isso significava que cada decisão estratégica precisava passar por Brasília. Rocha Viana tinha liberdade para operar no mercado, mas encomendas grandes sempre tinham um componente político. O caso mais famoso foi a negociação com a Força Aérea Brasileira para a versão militar do EMB-120, o PC-9. O exercício de compra foi adulterado em 1989, e isso gerou uma crise política que atingiu diretamente a presidência da empresa. O escândalo ficou conhecido como "Operação Mambere" e acabou com o mandato de Rocha Viana antes do previsto. Essa parte da história é frequentemente ignorada em resumos acadêmicos. O que ela mostra é que a gestão de uma empresa aeroespacial estatal no Brasil nunca é apenas uma questão técnica. É um equilíbrio constante entre engenharia, política e financiamento. Rocha Viana aprendeu isso na prática e tentou manter a empresa estável o máximo possível durante o período. Depois que ele saiu, a Embraer passou por dificuldades nos anos 1990, com a privatização em 1994 e a chegada de Jose Manuel Vargas à presidência. O legado de Rocha Viana é ambíguo. Por um lado, ele consolidou a presença internacional da empresa e lançou produtos que geraram receita por décadas. Por outro, a dependência do governo como acionista controlador permaneceu, e os problemas de governança corporativa que culminaram no escândalo de 1989 só piorariam nos anos seguintes.

História da Música Brasileira Alfredo da Rocha Vianna Filho, conhecido ...
História da Música Brasileira Alfredo da Rocha Vianna Filho, conhecido ...

Se você está estudando o setor aeroespacial brasileiro ou pesquisando sobre gestão de empresas de Defesa e aviação regional, ler sobre Rocha Viana é útil, mas não tenha a ilusão de que existe um manual de sucesso ali. O que ele fez funcionou num contexto específico: economia fechada, demanda global crescente para aviões regionais, e proteção estatal. Replicar isso hoje seria ingênuo. O mercado mudou completamente. A Embraer hoje é competitiva globalmente, mas isso se deve a decisões posteriores, não ao período de Rocha Viana. Para quem quer se aprofundar, os documentos oficiais da Comissão de Investigação do Congresso Nacional sobre o caso Mambere estão disponíveis no site da Câmara dos Deputados. Também há relatos de executivos da época em livros como "Embraer: A História da Aviação Brasileira" de Paulo Cavalcanti, embora essas fontes tenham vieses diferentes. O arquivo pessoal de Rocha Viana não foi totalmente disponibilizado, o que dificulta uma análise mais completa do período.