Animais Do Mato Grosso
O que encontrar na fauna de Mato Grosso
Mato Grosso é um estado com biomas que vão da Amazônia ao Cerrado, e às vezes até um pedacinho de Pantanal. Isso significa que a lista de animais é enorme e muda bastante dependendo de onde você está. Se você mora perto de Sinop ou Lucas do Rio Verde, por exemplo, o cenário é quase inteiramente Cerrado. Já se desceu até a divisa com o Pará, a coisa muda completamente. Eu trabalho com monitoramento de fauna há alguns anos, principalmente nessa região. Uma coisa que muita gente não leva a sério no início é a diferença entre armadilhas fotográficas em altitude versus em áreas de planície. Eu passei dois dias sem nenhuma captura numa reserva perto de Cáceres porque usei o mesmo posicionamento que funcionava no norte do estado. O problema era o vento e a umidade do ar — o sensor de calor dos aparelhos mais básicos ficava disparando falso porque a brisa passava por cima antes de chegar no animal. A solução foi colocar uma capa de proteção simples e ajustar a sensibilidade. Depois disso, as fotos melhoraram drasticamente.
Animais do mato grosso: os principais representantes
O onça-pintada (Panthera onca) ainda aparece em áreas como o Parque Nacional das Emas e trechos do Pantanal mato-grossense, embora esteja em declínio por causa da fragmentação. O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) é outro que todo mundo procura e poucos conseguem ver, especialmente fora das reservas protegidas. O tamanduá-bandeira também é emblemático do Cerrado e bastante fácil de avistar se você dirigir nas estradas rurais no final da tarde. Dentre os menores, o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) é ubíquo. Aparece em quase qualquer ambiente aberto. Já a suçuarana (Puma concolor) é mais esquiva e tende a evitar áreas com muito gado ou presença humana constante. O veado-mate (Mazama americana) é noturno e difícil de registrar, mesmo com câmera. Ele prefere bordas de floresta densa, não campos abertos. Uma informação que pouca gente conhece: o tatu-bola (Tatouaya tetradactyla), antes classificado como subespécie do tatu-de-rabo-mole, tem uma população residual importante no sul do estado, perto de Miranda. É uma espécie quase ameaçada e ainda sofre com atropelamentos frequentes em trechos da BR-163. O problema é que a fauna noturna atravessa a rodovia exatamente nos horários de pico de caminhões no final da noite.
Como registrar fauna na prática
Se você quer fazer monitoramento, comece entendendo o terreno. Não adianta comprar a melhor câmera e esperar resultados se você instalar em um lugar onde o animal nunca passa. Eu recomendo fazer reconhecimento prévio antes de qualquer instalação. Caminhe pela área em diferentes horários, observe rastros, fezes e marcas nos troncos. Isso dá uma ideia clara de quais espécies frequentam o local. O equipamento ideal depende do orçamento, mas armadilhas com sensor de movimento infravermelho são o padrão do mercado. Modelos como os da Reconyx ou mesmo opções mais acessíveis da Moultrie já rendem resultados consistentes se bem posicionados. O segredo é a altura: para animais de médio porte, entre 40 e 60 centímetros do chão funciona bem. Para onças e tamanduás, suba para cerca de um metro. Um detalhe técnico importante: o período de Chuva no Mato Grosso vai de outubro a abril, e a umidade alta pode prejudicar equipamentos sem vedação adequada. Eu tive uma câmera que falhava sempre depois de três dias de chuva forte porque a bateria entrava em curto por condensação. A solução foi aplicar selante de silicone nas junções e usar sacos de sílica gel dentro do invólucro. Depois disso, nenhuma falha.

Questões legais e limites do trabalho de campo
No Brasil, capturar ou perturbar fauna silvestre exige autorização do IBAMA ou de órgãos estaduais, dependendo da espécie. Para fotografia não invasiva, não precisa de autorização, mas se você for montar armadilhas para captura viva, aí entra a burocracia. Sem licença, você responde por crime ambiental. Outro ponto: muitas áreas de Mato Grosso são terras indígenas ou unidades de conservação com regras próprias de acesso. O Parque Estadual Ecological do Arinos, por exemplo, exige agendamento e pagamento de taxa. Ignorar essas regras pode resultar em apreensão de equipamento e multas pesadas. Eu já vi gente perder câmeras por entrar em área restringida sem autorização em 2023. O custo de uma pesquisa séria varia muito. Um kit básico com três câmeras e cartões de memória custa entre R$ 2.000 e R$ 4.000. Mas o verdadeiro gasto é o tempo de campo, deslocamento e processamento das imagens. Em média, uma campanha de três meses em áreas remotas consome pelo menos 40 horas de trabalho humano distribuído, sem contar a análise posterior das fotos, que pode levar outras 30 horas dependendo do volume de imagens.
Se o objetivo é apenas observar animais sem equipamento caro, as fazendas ecológicas e lodges no Pantanal oferecem safáris guiados com boa chance de avistamento de onças, jacarés e tuiuiús. É mais confortável e muito menos trabalhoso do que tentar monitorar sozinho. A desvantagem é que você segue o roteiro deles e vê o que eles levam até você, sem controle sobre o que acontece fora desse trajeto.
Galeria
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