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Aquecedor A Gas De Passagem

Aquecedor A Gas De Passagem

O que acontece quando você liga o chuveiro

Aquecedor a gás de passagem é um equipamento que aquece água instantaneamente conforme ela passa pelo trocador de calor. Não há reservatório. A água entra fria, o queimador acende, e sai quente em segundos. Simples na teoria. Na prática, tem um monte de coisa que dá errado se você não souber o que está fazendo. O primeiro erro comum é escolher a potência errada. A maioria das pessoasCompra um modelo de 12 litros por minuto achando que vai atender a casa toda. Quando o inverno chega e a água entra gélida, o rendimento cai pela metade. O equipamento esquenta, sim, mas a vazão precisa ser reduzida para manter a temperatura. É inevitável com qualquer aquecedor a gás de passagem. O tamanho certo depende da temperatura da água na sua região e do número de pontos de uso simultâneos. Se você mora em São Paulo, por exemplo, a temperatura de entrada no inverno pode ser de 18°C. Para chegar a 40°C na saída com vazão de 8 litros/minuto, você precisa de um aquecedor a gás de passagem de pelo menos 14 litros/minuto. Um modelo de 11 litros não vai conseguir.

Instalação prática de aquecedor a gas de passagem

A instalação exige três conexões principais: entrada de água fria, saída de água quente e adução de gás. O mais crítico é a entrada de água. Ela precisa ter pressão mínima de 0,5 kgf/cm² para que a válvula de gás abra corretamente. Abaixo disso, o aquecedor a gás de passagem nem liga. Em casas mais altas ou em regiões onde a pressão é baixa, esse é o primeiro problema que aparece. Eu resolvi isso num imóvel em Guarulhos instalando uma bomba de circulação de 1/3 CV na entrada. Custou cerca de R$ 380 e resolveu o problema permanentemente. Sem isso, o aquecedor ficava ligando e desligando a cada dois minutos. O tipo de ventilação define onde o equipamento pode ficar. Aquecedores atmosféricos exaurem gases pela própria chama e precisam de duto de exaustão natural com tiragem correta. Já os vedados, com câmara selada, puxam ar de fora e empurram os gases pela parede. Eles podem ser instalados dentro do banheiro, o que muitos preferem. Mas isso exige dutos de PVC de 100mm para o ar e para os produtos da combustão, ambos indo para o exterior. Sobre o gás: se a rede é GLP (botijão ou caixa), você precisa de um redutor de pressão regulado para 2,8 kPa. Redutores genéricos de botijão de 13kg não servem porque a pressão de saída é muito alta e pode danificar a válvula do aquecedor a gás de passagem. O custo do redutor correto é uns R$ 60, mas o estrago de um módulo eletrânico queimado sai por R$ 450. A diferença vale a pena.

Um detalhe que quase todo mundo esquece é a instalação do filtro na entrada de água. A água da rede urbana carrega areia, ferrugem e partículas que entopem o trocador com o tempo. Coloque um filtro de 60 mesh antes do aquecedor. Eu vi um equipamento parar de funcionar depois de oito meses porque o trocador estava praticamente entupido. Com o filtro, nunca mais aconteceu. Trocar o filtro custa R$ 15 e leva dois minutos.

Aquecedor de Passagem a Gás Rheem 7 Litros Glp Branco | MadeiraMadeira
Aquecedor de Passagem a Gás Rheem 7 Litros Glp Branco | MadeiraMadeira

Problemas reais que aparecem depois de seis meses

Incrustação mineral é o principal inimigo em regiões com água dura. Campinas, Ribeirão Preto, o interior de Minas — aí os valores de dureza passam de 200 ppm de carbonato de cálcio. O trocador de calor do aquecedor a gás de passagem vai acumulando depósitos de calcário mês após mês. O sintoma é claro: a água esquenta menos a cada uso, mesmo com o registro totalmente aberto. A solução preventiva é instalar um amaciador ou, no mínimo, um descalcificador na entrada de água da casa. O custo inicial é alto, mas o custo de troca do trocador é muito maior. Outro problema frequente é a ignição falhando em dias secos de inverno. O sensor de chama por ionização perde sensibilidade quando a umidade relativa do ar cai abaixo de 20%. Em cidades como Botucatu, já vi casos disso no meio do ano. O aquecedor tenta acender, dispara o gás, mas o sensor não detecta a chama e corta o suprimento. A solução simples é limpar o eletrodo com uma lixa fina e verificar se a distância entre o eletrodo e o trocador está entre 3 e 4 mm. Se estiver distante demais, o arco não faz ionização suficiente. Válvula de segurança também merece atenção. Todo aquecedor a gás de passagem deve ter uma válvula de alívio de pressão na entrada de água fria. Se a pressão subir demais por qualquer motivo — golpe de aríete, por exemplo — essa válvula alivia automaticamente. Muitos instaladores pulam essa etapa. É um risco desnecessário.

Manutenção que realmente funciona

A limpeza anual do trocador com solução ácida específica é obrigatória. Produtos domésticos como vinagre não são eficazes contra incrustações pesadas e podem corroer o cobre. Use um produto como o Descalcimax ou equivalente, circulando pela serpentina durante 30 minutos conforme as instruções do fabricante. Isso restaura até 80% da capacidade original. Em trocadores muito incrustados, a limpeza química não resolve e aí a substituição é necessária. Um trocador de cobre novo custa entre R$ 600 e R$ 1.200 dependendo do modelo. O que eu aprendi na prática é que a maioria dos problemas de aquecedor a gás de passagem tem origem em instalação ruim, não em defeito do equipamento. Um instalador que sabe o que faz resolve 90% dos problemas antes de eles acontecerem. O resto é manutenção preventiva regular. O equipamento em si é robusto quando bem instalado e dura em média 8 a 12 anos sem grandes sustos. Se a sua água tem dureza acima de 300 ppm ou a pressão é instável, considere um aquecedor elétrico de acumulação para pontos específicos ou um sistema central com boiler. O aquecedor a gás de passagem não é para todas as situações. Ele funciona muito bem em condições normais de pressão e qualidade de água. Fora disso, o desgaste é acelerado e a experiência do usuário piora significativamente.