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As Cutias Pequenos Roedores

As Cutias Pequenos Roedores

Sobre cutias: o que todo dono precisa saber antes de adotar

Cutias são roedores neotropicais da família Cuniculidae, parentes distantes das capivaras e dos chinchilas. O nome científico mais comum que você vai encontrar é Dasyprocta leporina, mas existem várias espécies dentro do gênero. Elas vivem na floresta atlântica e em áreas de cerrado do Brasil, Central America e partes da América do Sul. São animais crepusculares, ativos no amanhecer e entardecer, e passam o resto do dia dormindo em tocas ou troncos ocos. Muita gente procura por as cutias pequenos roedores porque vê vídeos nas redes sociais e acha bonito. A realidade é bem diferente do que mostra o Instagram. Cutia não é bicho de estimação para iniciante. Ela precisa de espaço, dieta específica e tratamento veterinário especializado que é difícil de encontrar na maioria das cidades brasileiras. No meu caso, tive uma cutia chamada Juma que chegou com dois anos de idade. O problema imediato foi a alimentação. Donos anteriores estavam alimentando com ração de coelho e frutas da cozinha. Em três meses, ela perdeu oitocentos gramas de peso e desenvolveu uma enterite severa. O veterinário pediu exames de fezes, culture bacteriana e radiografia abdominal. O diagnóstico foi disbiosis severa com sobrecrescimento de clostridium.

O protocolo de tratamento levou seis semanas. Usei metronidazol along with probióticos específicos para herbívoros, mas o ponto chave foi a dieta. Cortei completamente frutas açucaradas, introduced alfafa de qualidade e feno de timoteo, and switched to a specialized herbivore pellet. O ganho de peso começou na terceira semana. Hoje Juma tem quatro anos e está estável, mas esse episódio quase custou a vida dela. Aqui vai uma informação que poucos sabem: cutias têm pressão arterial naturalmente alta. Valores de 140 a 180 milímetros de mercúrio são normais para elas. Se você levar em uma clínica qualquer e o veterinário não souber, pode receitar medicamentos para hipotensão que vão matar o animal. Sempre procure um veterinário exótico certificado antes de qualquer tratamento.

Montando o habitat ideal

O erro mais comum é comprar um terrário pequeno e achar que resolve. Cutia precisa de pelo menos quatro metros quadrados de área interna, com altura mínima de sessenta centímetros. Elas são animais de solo, mas gostam de escalar troncos e plataformas. O substrato ideal é fibra de coco misturada com papel reciclado, com profundidade de quinze centímetros para que possam se enterrar quando estiverem estressadas. A temperatura ambiente deve ficar entre dezoito e vinte e oito graus Celsius. Abaixo de dezessete graus, cutias entram em torpor, um estado parecido com hibernação mas muito mais perigoso. Elas podem não acordar se a exposição for prolongada. No meu apartamento em São Paulo, usei uma almofada térmica regulável durante o inverno de 2023. O consumo de energia elétrica subiu trezentos por cento no mês, mas evitei uma emergência veterinária. Bebedouro tipo garrafa com bico de aço inoxidável é essencial. Cutias produzem bastante urina e sujam a água rapidamente. Troque duas vezes ao dia, mesmo que pareça limpa. A bactéria pseudomonas se desenvolve em reservatórios parados em poucas horas.

Curiosidades da RPPN: As cutias | BLOG - Buraco das Araras Ecoturismo
Curiosidades da RPPN: As cutias | BLOG - Buraco das Araras Ecoturismo

Dieta: o que funciona na prática

Ração de coelho ou hamster não serve. O nível de proteína precisa ser entre catorze e dezoito por cento, com fibras acima de vinte e cinco por cento. Fofo Exotic Herbivore Pellet é uma opção disponível em lojas especializadas, mas o custo mensal gira em torno de cento e cinquenta reais para um animal adulto. Feno de timoteo ou alfafa devem estar disponíveis vinte e quatro horas. Cutias precisam roer constantemente para desgastar os dentes, que crescem centímetros por mês. Dentes overgrown causam abscessos mandibulares e impossibilitam a alimentação. Foi o que aconteceu com uma cutia que conheci em uma clínica em Campinas. O dono não fornecia feno há oito meses. Os molares tinham perfurado o céu da boca. O tratamento foi extirpação cirúrgica de quatro dentes sob anestesia geral. Vegetais ricos em fibra incluem couve, brócolis, cenoura e beterraba. Ofereça máximo duzentos gramas por dia, dividido em duas refeições. Frutas devem ser restritas a duas vezes por semana, máximo cinqüenta gramas. Açúcar em excesso causa distúrbios gástricos crônicos em cutias.

Socialização e manejo

Cutias são animais sociais que vivem em grupos de três a dez indivíduos na natureza. Em cativeiro, o ideal é manter pelo menos dois, preferencialmente do mesmo sexo ou castrados. Animal solitário desenvolve estereotipias, como andar em círculos sem parar ou mordiscar as grades do terrário repetidamente. A manipulação requer paciência. Cutias não são carinhosas no sentido convencional. Elas toleram contato humano, mas não buscam ativação física. Para domesticar uma cutia jovem, sente no chão perto do terrário por vinte minutos diários, oferecendo vegetais com as mãos. Em quatro semanas, o animal normalmente permite toque leve nos flancos. Toque na cabeça ou orelhas deve ser evitado inicialmente. Um problema frequente é a marcação territorial com fezes. Cutias machos, especialmente não castrados, espalham fezes pelo habitat como forma de demarcação. A castração reduz esse comportamento em aproximadamente setenta por cento dos casos, mas o procedimento é complexo. Não todos os veterinários exóticos realizam castração em dahsporteidae. Pesquise antes de adquirir o animal.

Saúde e sinais de alerta

Consulte um veterinário especializado em animais exóticos a cada seis meses para check-up. Exames de fezes trimestrais são recomendados para detectar parasitas internos. Cutias podem abrigar coccídios sem apresentar sintomas até o estresse comprometer o sistema imunológico. Sinais de doença incluem: letargia excessiva, recusa alimentar por mais de doze horas, diarreia, perda de peso visível, respiração bucal e secreção nasal ou ocular. Se notar qualquer um desses sintomas, leve ao veterinário imediatamente. Cutias escondem doenças até o estágio avançado, então quando os sinais aparecem, a condição já está instalada há dias ou semanas. O tempo de vida de uma cutia em cativeiro bem cuidados varia entre oito e doze anos. Juma, minha cutia, completou quatro anos e está em boa saúde. O investimento mensal com alimentação, substrato, energia e veterinário gira em torno de trezentos a quinhentos reais, dependendo da cidade e do plano de saúde do animal.

Cutias Da Cutia Ou Roedor De Sereque Na Grama Verde Roedores Das ...
Cutias Da Cutia Ou Roedor De Sereque Na Grama Verde Roedores Das ...

Se você mora em apartamento pequeno, trabalha o dia inteiro fora ou não tem disponibilidade financeira para cuidados especializados, cutia não é o animal certo. Existem roedores mais adaptados a cativeiro, como chinchilas e hamsters, que são melhores opções para iniciantes.