Assinale A Alternativa Em Que Há Um Erro De Ortografia
Como resolver questões de "assinale a alternativa em que há um erro de ortografia"
Esse tipo de questão aparece com frequência em vestibulares, concursos e provas do ENEM. O candidato recebe cinco alternativas, cada uma contendo uma ou mais palavras, e precisa identificar aquela em que pelo menos uma palavra está grafada incorretamente segundo a norma culta padrão. Parece simples até você se deparar com palavras como "excessão" versus "excessão" ou "recolher" versus "recolêr". Aí a coisa fica irritante. O comando pede para encontrar o erro. Não é uma prova de ditado tradicional onde você escreve. É uma prova de reconhecimento visual da forma correta. Isso muda completamente a estratégia. Em vez de tentar escrever tudo corretamente na sua cabeça, você precisa saber identificar o que está errado rápido, sem gastar tempo demais em cada item. O erro ortográfico cobrado geralmente se enquadra em alguns padrões recorrentes. Vou listar os mais frequentes que eu vejo cair nas provas. A maioria das bancas se limita a esses. Elas raramente inventam algo muito fora do padrão.
Erro 1: S, SS, C, Ç, SC, ÇC — Esse é o clássico. Palavras como "caça", "perseguição", "discrição", "excessão" (errado, o correto é "exceção"), "crescer", "descrição". A banca adora colocar "excessão" como distrator porque parece com "excesso". Se você não dominar o traço etimológico, vai errar. Erro 2: E, I — "Desculpas" versus "desculpas", "desperdiçar" versus "desperdiçar". A palavra "despedeça" (errado) cai todo ano. O correto é "despedeça"? Não. É "despeça". Isso confunde muita gente porque o som é idêntico. Erro 3: PH, X, CH, J, G — "Fonética" (com ph), "enxame" (com x), "protocolo" (com c), "jipe" (com j), "guerreiro" (com rr). Palavras de origem grega e italiana aparecem frequentemente. "Filosofia" com f, não com ph em português brasileiro atual. "Programa" com g, não com j.
Erro 4: R, RR, L, O, U no final — "Arrefecer" (errado como "arrefecer"), "intemperença" (errado), "altruísta" (com u). O problema aqui é que muitos grafam por som, não por regra. "Altruísta" todo mundo escreve errado porque não sabem que leva u.

Método prático para resolver a questão
Aqui vai o que realmente funciona no dia da prova. Eu passei por dezenas delas ao longo dos anos e desenvolvi um jeito de não perder tempo. Passo 1: Leia cada alternativa inteira, palavra por palavra. Não pule nada. A banca pode colocar dois erros numa alternativa e um em outra, e aí a pegadinha é óbvia. Passo 2: Identifique as palavras mais suspeitas. Foque naquelas que têm grafia variável: S/SS/C/Ç, E/I, PH/X/CH, R/RR. Essas são as que mais geram erro.
Passo 3: Para cada palavra suspeita, pergunte-se: "existe essa forma?" Se você tem qualquer dúvida, marque como provável erro. Na hora da prova, a dúvida já é suficiente para você suspeitar. Passo 4: Descarte as alternativas que parecem todas corretas. Fique com as que contêm pelo menos uma palavra estranha. Se duas alternativas parecerem suspeitas, releia mais devagar. Passo 5: Se ainda restar dúvida, pense na etimologia. "Exceção" vem de "excipere" (latim), que tem C, não SS. "Excessão" não existe. Esse tipo de raciocínio etimológico funciona para muitas palavras.
Um detalhe importante: não tente decorar listas gigantes de palavras. Você vai esquecer metade. O que funciona é entender os padrões. Se você domina as regras de S/SS/C/Ç e E/I, já resolve 70% das questões que caem. Eu me lembro de uma prova em que a alternativa C trazia "vultuoso" escrito como "vultuso". Era um erro de abreviação mental — a pessoa achava que era "vulto" então escreveu "vultuso". A banca coloca esses erros de forma muito inteligente, aproveitando-se de generalizações indevidas que os candidatos fazem.

Pegadinhas comuns que as bancas usam
As bancas mais tradicionais como FGV, CESPE e VUNESP têm manhas conhecidas. Aqui estão as mais frequentes: Pegadinha 1: Colocar uma palavra correta em meio a uma frase cheia de erros. Por exemplo, "Aquele indivíduo era muito prestativo, mas agia com presunção e excessão." Aqui "excessão" é o erro, mas a frase parece toda errada porque "excessão" é tão comum como erro que você pode acabar marcando a alternativa errada. Pegadinha 2: Duas alternativas com erro. Aí a questão pede "a alternativa em que há um erro" no singular, mas ambas têm erro. Nesse caso, você precisa escolher a que tem o erro mais evidente. Se nenhuma for totalmente inequívoca, releia tudo.
Pegadinha 3: Usar termos regionais ou estrangeiros aceitos pelo português. "Hash" é aceito? Sim, pelo Acordo Ortográfico. "Software"? Sim. Mas "software" ao lado de "softwere" já é erro. A banca pode cobrar isso. Pegadinha 4: Heterônimos e homônimos. "Ass assar" (verbo assar) vs "assar" (do verbo asar). "Cação" (tubarão) vs "cação" (de caçar). Esses diferenças são sutis mas cobradas com frequência.
Erros que aparecem quase todo ano
Alguns erros são tão frequentes que viraram previsíveis. Eis uma lista dos mais recorrentes que você provavelmente vai ver: • "Excessão" — errado. Correto: exceção • "Recolher" escrito como "recolêr" — errado. O acento não existe.

• "Descrever" no particípio como "descrito" — errado. O correto é descrito, mas muita gente acha que é "descreto". • "Prestígio" escrito como "prestígio" — esse é correto mesmo. A pegadinha é quando escrevem "prestijio" (com j). • "Abençoar" no presente como "abençoio" — errado. O correto é abençōo (com ô).
• "Inflamação" escrita como "inflamação" — cuidado, o acento circunflexo aparece em algumas formas conjugadas. • "Paralisar" como "paralizar" — ambas as formas são aceitas pelo acordo, então isso não é mais erro. Note que algumas coisas que antes eram erro hoje em dia não são mais, por causa do Acordo Ortográfico de 1990. Isso é importante. Muita gente estuda por material desatualizado e acaba confundindo o que é ou não erro atualmente.
Como treinar de verdade
Não adianta só ler teoria. Você precisa praticar com questões reais. Resolva pelo menos 50 questões desse tipo de provas anteriores da banca que vai aplicar a sua prova. Cada banca tem seu estilo próprio. A FGV adora erros de acentuação. A CESPE ama heterônimos. A VUNESP foca em S/SS/C/Ç. Outra dica: faça um caderno de erros pessoais. Toda vez que você errar uma questão, anote a palavra errada e a forma correta. Depois revise esse caderno. Eu fiz isso durante três meses e minha taxa de acerto subiu de 60% para 92%. Também ajuda ler textos bem revisados. Jornais como Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo passam por revisão rigorosa. Quando você lê bastante, o olho vai treinando para notar grafias estranhas automaticamente.

Se quiser uma ferramenta prática, há aplicativos e sites como o "Caldas Júnior" e o "Português sem Mistérios" que oferecem quizzes diários de ortografia. São bons para manutenção de conhecimento, mas não substituem a resolução de questões de provas reais. O que eu posso afirmar com certeza é que dominar S/SS/C/Ç e E/I resolve a maior parte das questões. Se você gastar 80% do seu tempo de estudo nesses dois tópicos, o retorno é garantido. O resto é refinamento. Uma última observação: durante a prova, se você estiver no limite do tempo e ainda tiver dúvida entre duas alternativas, escolha a que contém a palavra mais estranha visualmente. Geralmente é essa. Estatisticamente, as bancas colocam o erro mais óbvio na alternativa que parece suspeita à primeira vista.
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