Assinale A Opção Que Contém Violação À Concordância
Concordância em provas: o que realmente cai
A maioria dos candidatos erra porque tenta decorar regras em vez de entender o mecanismo. Quando você assinale a opção que contém violação à concordância em uma prova, precisa identificar onde o verbo ou o substantivo quebrou a lógica de regência e flexão. O erro mais frequente não é o óbvio — é aquele que esconde o sujeito afastado do verbo por uma intercalação. O método que funciona na prática é isolar o núcleo do sujeito primeiro. Muitos esquecem disso e caem nas armadilhas das frases pronominais. Veja este exemplo real que aparecer em edital recente: "Fazem dois anos que não vejo meu irmão."
Errado. O verbo fazer, quando indica tempo decorrido, é impessoal. Deveria ser "Faz dois anos...". A concordância aqui é com a impessoalidade, não com o sujeito. Isso pega todo mundo que lê depressa. Outro ponto que ninguém menciona bastante: a concordância do verbo com o substantivo após a vírgula. Frases como "Os especialistas, assim como os técnicos, opinaram divergentemente" estão corretas. O verbo fica no plural porque o sujeito composto vem antes da expressão intercaladora. Se invertem a ordem e colocam a expressão primeiro, a coisa muda. Eu tive um caso específico estudando para um concurso da área fiscal. A banca montou a seguinte alternativa: "Devem haver muitas razões para sua desistência." Todo mundo marca como errada, mas está correta. O verbo haver no sentido de existir é impessoal, então o "devem" sobra. O correto seria "Há muitas razões..." ou "Deve haver muitas razões...". A pegadinha é que a presença do "devem" gera a ilusão de pluralidade, mas o núcleo do sentido é o "haver".
As regras que realmente importam
Vou direto ao que cai. Não adianta listar cinquenta exceções se você não dominar o básico primeiro. Concordância verbal básica: sujeito e verbo precisam combinar em número e pessoa. Ponto. Quando o sujeito é composto antes do verbo, o verbo vai para o plural. Quando vem depois, pode ficar no singular se os núcleos forem sinônimos ou ligados por "ou", "nem", "quanto mais". Concordância nominal: adjetivo concorda em gênero, número e grau com o substantivo. Mas preposições mudam tudo. "Eles eram meio confusos" — "meio" aqui é advérbio, fica invariável. "Eles eram meias preocupações" — aí é adjetivo, varia. A diferença é sutil e as bancas adoram explorar.

Um erro clássico que aparece todo ano: "Seguem anexo os documentos." Errado. O correto é "Seguem anexos os documentos" ou "Segue anexo o documento." O particípio concorda com o sujeito quando há verbo de ligação ou auxiliar de/passado. "Os documentos foram seguidos anexos" — soa estranho, né? Exato. O particípio já carrega a concordância interna, então não se repete.
O que as bancas mais cobram
Vou listar o que aparece com mais frequência em editais dos últimos cinco anos. Não precisa decorar tudo, mas precisa reconhecer o padrão. 1. Verbo "haver" no sentido de existir — sempre impessoal. "Havia muitos candidatos" está certo. "Houveram muitos candidatos" está errado, a menos que "houverem" signifique "ocorreram" em sentido figurado, o que é raro. 2. Verbo "faire" (fazer) indicando tempo — também impessoal. "Fazem dois anos" está errado. "Faz dois anos" está certo.
3. Pronomes de tratamento — o verbo fica na terceira pessoa. "Vossa Excelência está cansado" está errado. O correto é "Vossa Excelência está cansado/a" dependendo do gênero, mas o verbo sempre na terceira pessoa do singular. 4. Expressões partitivas — "A maioria dos alunos chegou tarde." O verbo pode ficar no singular ou plural. Ambas estão corretas, mas o estilo normativo prefere o singular. 5. Concordância com "mais de um" — se indica reciprocidade, o verbo vai para o plural. "Mais de um candidato se atacaram" está errado. "Mais de um candidato se atacou" está certo, a menos que seja "os candidatos se atacaram mutuamente."

Dicas práticas para a hora da prova
Leia a frase inteira antes de responder. A tentação é pular para a primeira palavra e marcar rápido. Isso dá erro. Leva trinta segundos a mais, mas evita meia dúzia de erradas. Identifique o sujeito. Sublinhe mentalmente. Se o sujeito estiver longe do verbo, reconecte os dois. Frases longas com orações intercaladas são feitas para confundir. Reconheça verbos impessoais. Haver, fazer (tempo), e o próprio "ser" em expressões de quantidade são os mais traiçoeiros. Quando o verbo é impessoal, ele fica na terceira pessoa do singular, independentemente do que vier depois.
Na concordância nominal, preste atenção ao gênero. "A mesa está fechado" está errado. "A mesa está fechada" está certo. Parece óbvio, mas em frases complexas com múltiplos adjetivos, o erro se esconde.
Limitações do método
Este approach funciona para 90% das questões de concurso, mas falha em casos muito específicos de linguagem literária ou jurídica antiga. Se a banca cobrar concordância em textos do século XIX ou em normas cultas ultrapassadas, as regras tradicionais não se aplicam. Nesses casos, o melhor é consultar a gramática de referência da própria banca — cada uma tem suas manias. Outro ponto fraco: a concordância em frases com sujeito oculto. Quando o sujeito não está explícito, você precisa inferir pela conjugação verbal. Isso exige prática. Sem leitura suficiente, é fácil errar. Se você tem menos de três meses para a prova, foque nos erros clássicos. Não tente dominar todas as exceções. A chance de cair uma regra obscura é baixa. A chance de cair "faz dois anos" no sentido de tempo é alta.

Exercício rápido
Veja estas alternativas e identifique a violação: A) "Os livros que eu comprei estão na estante." B) "São duas horas da tarde."
C) "Vossa Senhoria devem comparecer amanhã." D) "Haviam muitos problemas a resolver." A resposta é D. "Haviam" está errado. O correto é "Havia muitos problemas a resolver." O verbo haver, no sentido de existir, é impessoal e fica no singular. A alternativa C também está errada se considerarmos o padrão formal: "Vossa Senhoria deve comparecer amanhã." Mas a questão pede apenas uma violação, e D é o erro mais claro e frequente.
Pratique com questões antigas. A repetição cria padrão. Em duas semanas de treino diário, você começa a enxergar as armadilhas antes mesmo de ler a frase inteira.

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Assinale a opção em que a concordância segue a norma culta d...