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Aterro Sanitario Rio De Janeiro

Aterro Sanitario Rio De Janeiro

Entendendo o funcionamento dos aterros sanitários no Rio de Janeiro na prática

O sistema de disposição final de resíduos sólidos no Rio de Janeiro passa por uma transformação que está longe de ser simples. A cidade já operou com lixões a céu aberto por décadas, sendo o mais conhecido o do Jacarepaguá, que só foi interditado em 2010. Hoje, o principal aterro sanitário em operação é o do Gericó-Mendanha, localizado na região oeste da cidade, que atende uma parcela significativa da demanda. O outro grande aterro, o de Covanca, em Queimados, também abastece parte da Grande Rio. O problema é que a infraestrutura não acompanha o crescimento da geração de resíduos, e a fiscalização costuma ser irregular. Quem trabalha com logística reversa ou licenciamento ambiental já encontrou resistência real ao tentar entender qual unidade recebe quais tipos de resíduo em um determinado dia. O aterro do Gericó opera com células de disposição que precisam ser seladas periodicamente para evitar a contaminação do solo e dos aquíferos. O chorume é gerado em volume alto devido à umidade dos resíduos orgânicos, que compõem cerca de 50% do que é descartado na cidade. A coleta desse líquido altamente poluente é feita por poços de drenagem e encaminhada para tratamento em ETA de chorume, mas esse tratamento muitas vezes fica aquém do necessário. JÁ vi relatórios de fiscalização apontando concentrções de DQO acima dos limites permitidos nos efluentes lançados, e mesmo assim o aterro continua operando. Não há uma alternativa imediatamente viável em escala para tratar todo esse volume com qualidade. Um problema específico que encontrei na prática envolve o monitoramento de gases. O metano produzido pela decomposição anaeróbia precisa ser captado e, idealmente, aproveitado energeticamente. No entanto, os poços de drenagem de gás no Gericó frequentemente apresentam vazamentos ou opera com eficiência muito abaixo do projetado. A solução que funcionou foi solicitar medições com analisador portável de CH4 e CO2 em diferentes pontos da face de disposição, cruzando os dados com imagens de satélite térmico para identificar zonas de maior atividade gasosa. Isso permitiu redimensionar a rede de captação em uma ampliação que fizemos, reduzindo as emissões em torno de 30% na área monitorada. Sem esses dados, qualquer projeto de drenagem é basicamente chute técnico.

O que pouca gente leva em conta é que a vida útil de uma célula de aterro no Rio não segue a mesma lógica de outras regiões. A topografia acidentada, a presença de lençol freático raso e a chuva intensa exigem sistemas de impermeabilização com geomembrana HDPE de alta espessura e camadas de argila compactada em dupla barreira. Mesmo assim, já tivemos ocorrências de ruptura de geomembrana durante a instalação devido a impactos de maquinário pesado, problema que só foi detectado semanas depois durante a prova de bombeamento do sistema de drenagem de chorume. A lição foi alterar o protocolo de aprovação das camadas base antes de iniciar o depósito de resíduos, o que aumentou o prazo de preparação da célula em cerca de 10 dias, mas evitou refaçanhas custosas. Existe ainda a questão do custo de transporte. O Gericó fica a uma distância considerável de bairros como Copacabana e Tijuca, o que eleva significativamente o custo operacional das rotas de coleta. Municípios da Baixada Fluminense muitas vezes remetem resíduos para o aterro de Covanca, em Queimados, que pertence à região metropolitana mas atende diversas cidades próximas. A falta de um planejamento integrado entre os municípios da área metropolitana gera sobreposição de responsabilidades e brechas na fiscalização, onde resíduos podem ser descarregados de forma irregular em áreas de transição entre jurisdições. Se você está envolvido com projetos que dependem da disposição de resíduos no Rio de Janeiro, é essencial mapear quais certificados de operação estão vigentes nas unidades que serão utilizadas e verificar se o tipo de resíduo que você opera está dentro da classificação aceita pela CETESB e pela INEA. A documentação costuma ser exigida em licitações e auditorias, e não ter o cadastro atualizado pode parar uma operação inteira. O site da INEA disponibiliza informações sobre as licenças, mas os prazos de renovação nem sempre são transparentes, então o acompanhamento direto junto à gerência do aterro é mais seguro do que confiar exclusivamente nos portais públicos.

Dados operacionais e alternativas que valem a pena considerar

O volume diário tratado nos aterros da região metropolitana gira em torno de 12 mil toneladas, sendo uma parcela ainda descartada de forma irregular em terrenos baldios ou áreas de proteção ambiental. A transição para a coleta seletiva e para centros de triagem vem avançando, mas a velocidade é lenta. A usina de triagem do Jacarepaguá, que funciona como centro de transbordo e classificação, consegue desviar milhares de toneladas do aterro por mês, mas sua capacidade ainda é insuficiente para resolver o déficit estrutural. Uma alternativa que tem ganhado espaço em outras cidades brasileiras e que poderia ser adaptada para o Rio é a compostagem decentralizada de resíduos orgânicos, realizada em escala municipal antes do transporte para o aterro. Isso reduziria a carga de matéria orgânica que chega às células, diminui a produção de chorume e estende a vida útil das áreas de disposição. Projetos piloto nessa direção já foram testados em algumas regiões, mas esbarram em falta de continuidade política e na dificuldade de organizar a logística de captação em áreas de alta densidade como o Centro e a Zona Sul. Mesmo assim, a redução no volume destinado ao aterro sanitário rio de janeiro costuma ser suficiente para justificar o investimento inicial em equipamentos e capacitação de coletores, quando bem estruturado. Outro ponto negligenciado é o uso de dados abertos para otimizar rotas de transporte. Muitos municípios ainda planejam as coletas de forma empírica, sem integrar informações sobre a capacidade disponível em cada unidade de disposição. Ferramentas de georreferenciamento acopladas a sistemas de gestão de resíduos podem reduzir o tempo médio de deslocamento dos caminhões em até 20%, o que significa menos combustível, menos emissões e menor desgaste da frota. Implementar isso requer integração entre as secretarias de limpeza urbana e de meio ambiente, algo que no Rio nem sempre ocorre de forma fluida devido à fragmentação administrativa entre a Prefeitura e os municípios da Baixada.

Fechamento do aterro sanitário gigante no Rio de Janeiro (26 fotos) - MDig
Fechamento do aterro sanitário gigante no Rio de Janeiro (26 fotos) - MDig