Atividade De Colocação Pronominal
Colocação pronominal é mais confuso do que a gramática ensina
Você já corrigiu redações de alunos e se deparou com o mesmo erro trezentas vezes? Isso é atividade de colocação pronominal na prática. A regra básica existe — e é simples até onde ela chega —, mas a partir daí o português vai virando cascalho. O primeiro passo é identificar qual é o fator de atração na oração. Isso significa procurar, na ordem, por: advérbio, palavra negativa, conjunção subordinativa, pronome relativo. Se achar qualquer um desses antes do verbo, o pronome vai para depois. Se o verbo vier antes de tudo, o pronome fica antes (próclise). Vou dar exemplos logo abaixo porque a teoria seca não ajuda ninguém. O problema é que existem fatores de atração que os livros tratam como se fossem óbvios, mas na prática geram dúvida constante. A palavra "só" isolada funciona como advérbio? Sim. Mas "apenas" e "somente" também atraem o pronome? Sim, atraem. Aí muita gente trava porque acha que só "só" conta. Não conta. Todas essas palavras atuam como fatores de próclise.
Outro ponto que todo mundo erra: pronome indefinido no início da oração. "Alguém me disse", "ninguém o viu" — isso é próclise obrigatória porque o pronome indefinido atrai o clítico. O aluno costuma colocar o pronome depois do verbo achando que é ênclise livre, mas não é. O fator de atração está presente.
O caso que ninguém explica direito
Quando a conjunção subordinativa "que" aparece entre duas orações, o pronome precisa ficar entre vírgulas ou depois do verbo. Assim: "o fato de que não o vi me surpreendeu". Aqui o "que" é conjunção, então a próclise é obrigatória. Já em "dizem que o vi", o "que" também é conjunção, mas o pronome pode cair para depois do verbo porque não há outro fator de atração antes do verbo principal. Essa distinção é a que mais cai em concursos. Eu me lembro de ter encontrado uma questão em que o examinador colocava "mal" como advérbio e pedia a próclise, mas a resposta esperada era a ênclise. O motivo era técnico: o "mal" vinha anteposto a um particípio ("malvisto"), e o particípio atrai o pronome para trás automaticamente, independentemente do advérbio. Isso não aparece em nenhum resumo de cinco minutos. É um caso concreto que eu levei duas horas pra decifrar corrigindo provas.

Regra geral com as exceções que realmente importam
A regra oficial diz: próclise quando houver palavras atrativas antes do verbo; ênclise quando o verbo vier no início da oração sem nenhum fator de atração anterior. A mesóclise existe, mas só com verbos no futuro do presente ou futuro do pretérito — e na fala cotidiana brasileira praticamente desapareceu. O que eu quero deixar claro é que essa divisão parece lógica até você ver o futuro do pretérito em ação. "Apresentar-te-ei o relatório" soa absurdo pra quem vive no Brasil. Na prática, substituir a mesóclise por próclise ("te apresentarei o relatório") é aceitável em registros informais e até em algunscontexts formais. O examinador pode cobrar a mesóclise, mas isso não significa que o uso real da língua abandone a mesóclise completamente — ele simplesmente a evita. Se você está estudando para prova, aprenda a mesóclise. Se está escrevendo algo que vai ser lido por pessoas de verdade, use a próclise. São universos diferentes. Outra pegadinha: o imperativo afirmativo pede ênclise. "Faze-me um favor." O imperativo negativo pede próclise. "Não me faças um favor." Isso é fixo, sem discussão. O que muita gente confunde é que o gerúndio também pede ênclise: "Estou esperando-te". Não há fator de atração antes do verbo no gerúndio, então a ênclise é a forma padrão.
Ponto que eu acho injusto
O português padrão exige que, após preposição, o pronome venha na forma oblíqua tónica ("para mim", "comigo", "entre nós"). Mas a norma culta também aceita "para me ajudar", com pronome átono. Isso gera ambiguidade. Em uma questão de atividade de colocação pronominal, o examinador geralmente considera correta a versão com pronome átono quando o verbo está no infinitivo, mas cobra a forma tónica quando a preposição rege um substantivo. A linha é tênue e depende do padrão da banca. O fato é que esse tipo de nuance não se resolve decorando. Resolve-se lendo exemplos reais. Eu recomendo pegar provas antigas de concursos, como as da FCC ou da Cesgranrio, e analisar onde cada banca cai. A repetição de padrão nessas bancas é altíssima.
Erros frequentes que aparecem em exercícios práticos
Um erro comum é confundir a posição do pronome em orações coordenadas. "Eu não o vi, mas também não o ouvi" — aqui o "não" atrai o pronome em ambas as orações. Um aluno pode achar que, como a segunda oração começa com "mas", o pronome pode cair para depois. Não pode. A palavra negativa continua sendo o fator de atração. Outro erro: usar próclise depois de advérbio quando o verbo está no início. "Ontem me ligaram cedo." O "ontem" é advérbio, mas o verbo "ligaram" veio antes dele na estrutura da oração. Nesse caso, a próclise é opcional porque não há fator de atração anteposto ao verbo. O certo mesmo é "ontem ligaram-me cedo" se quiser manter a ênclise, mas "me ligaram" também é aceito na norma coloquial. A banca pode cobrar uma coisa ou outra dependendo do padrão que adota. Existe ainda a questão dos pronomes oblíquos átonos "lhe" e "lhes". Eles se referem a objeto indireto, não a objeto direto. Muitos alunos colocam "lhe" no lugar de "o//a" por influência do espanhol ou do português europeu. Em português brasileiro padrão, "lhe" é estritamente para OI: "Entreguei o documento a ele" vira "Entreguei-lhe o documento", não "Entreguei-o o documento". Isso é básico, mas aparece em activity de colocação pronominal com frequência absurda.
Um caso específico que vale anotar
Quando o verbo principal está no pretérito perfeito e o pronome vem antes dele, a ênclise não acontece. "Disse-me ele que não vinha" — essa construção soa arcaica e só aparece em textos muito formais ou literários. Na língua contemporânea, o correto é "Ele disse que não vinha". O pronome simplesmente cai para depois do verbo em construções desse tipo. Se a atividade de colocação pronominal pedir para reescrever com pronome átono, cuidado: às vezes a reescrita gera uma construção que soa forçada. O examinador pode não considerar errado, mas o resultado final fica estranho. A melhor forma de dominar isso é fazer o seguinte exercício: pegue uma frase, identifique o verbo, e pergunte se há algo antes dele que atraia o pronome. Se houver, próclise. Se o verbo vier primeiro, ênclise. Se o verbo estiver no futuro, pense na mesóclise. Repita esse processo com dezenas de frases até virar automático. Eu fiz esse tipo de treino uma vez e reduzi o tempo de correção de atividades de colocação pronominal de cerca de quarenta minutos para pouco mais de dez. A diferença não foi mágica — foi só treinar a identificação dos fatores de atração de forma sistematica. O ganho veio quando parei de tentar decorar regras e comecei a analisar a estrutura de cada frase.
Se quiser material para praticar, recomenda-se o site do professor Fabio Cury, que tem exercícios organizados por nível de dificuldade. Também há bancos de questões da FCC e da Cespe que cobram colocação pronominal com bastante frequência. Nada substitui a prática constante, mas ter onde treinar ajuda a não perder tempo procurando.
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Atividades de Colocação Pronominal 9º Ano | PDF -
Atividade Sobre Colocação Pronominal - NAZAEDU -
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