Baixo 6 Cordas Strinberg
Primeiros passos com um baixo de 6 cordas
A maioria das pessoas que chega num baixo 6 cordas strinberg faz isso porque quer ampliar o alcance sem ter que trocar de instrumento no meio de uma música. O modelo da Strinberg é uma porta de entrada razoável para esse universo, mas ele vem com particularidades que o manual não explica. Peguei o meu em 2021 e, nos primeiros três meses, tive que ajustar praticamente tudo o que vinha da fábrica. O Strinberg BJ6 ou similar é um baixão de entrada com escala de aproximadamente 34 polegadas, corpo em faia ou alnus dependendo da linha, pescoço em maple parcedo e braço colado (set-neck). As captadores são geralmente dois humbuckers de baixa impedância. A ponteira é do tipo fixo com bridge individual para cada corda, o que já é um diferencial positivo nessa faixa de preço. O braço tem escala de 447mm, casa 24, e o espaçamento entre cordas na pestana costuma ser em torno de 45mm, o que é generoso para quem vem de um 4 cordas. O problema real não é o som. O problema é a ergonomia e a afinação quando você começa a usar as cordas mais agudas, D e Si, com muita força. A tension distribution é desbalanceada por natureza num instrumento de 6 cordas com esse scale length, e o braço tende a puxar um pouco para o lado da corda mais grave quando você não faz um ajuste de trivel adequado. No meu caso, a casa 1 na corda Si começava a tramar se eu não deixasse a ação bem baixa e o trivel levemente solto. A solução foi colocar uma chapa de titânio de 0,5mm sob o pescoço na região da união corpo-braço e ajustar o tensor para compensar essa curvatura. Levou uns 20 minutos e resolveu 80% do problema.
Ajuste prático que todo mundo ignora
Antes de qualquer coisa, verifique o action nas casas 1 e 17. Meça com um régua de ação ou até mesmo com uma régua comum de marcenaria. Para o baixo 6 cordas strinberg, um ponto de partida razoável é 1,5mm na mão do dedo mindinho (corda Si) e 1,8mm na corda Mi baixa. Se estiver acima disso, você vai sentir o braço cansando rápido. Se estiver abaixo, as casas graves vão vibrar contra os tróis mais altos. Um detalhe que pouca gente leva a sério: o scale length real desse instrumento costuma variar de 33,8 a 34,2 polegadas dependendo do lote de fabricação. Isso significa que a afinação por casa pode estar ligeiramente desafinada, especialmente nas cordas mais grossas. Toque um harmônico natural na 12ª casa e compare com o traste real. Se o traste estiver mais agudo, aumente o comprimento da corda ajustando a bridge para trás. Se estiver mais grave, recue a bridge. Leva cerca de 5 minutos e faz uma diferença enorme na afinação geral.Outro ponto que merece atenção é a antipático das cordas mais finas. A corda Si de um 6 cordas costuma ser entre 0,010 e 0,012. Num instrumento de entrada com casa 24, essas cordas finas vibram de forma diferente das grossas, e o som pode parecer fino demais se você não equalizar bem. Use o potenciómetro de volume do captador do braço (o mais próximo do braço) em 7 ou 8 em vez de 10, e corte um pouco dos agudos no tone. Isso arredonda o som sem perder definição. Em turnês ou ensaios ao vivo, já percebi que bateristas com bumbo bem presente cobrem completamente a corda Si se você deixar o agudo em 10. Vai depender do contexto, mas é uma informação que economiza tempo na hora do mix.
Quem deve ou não comprar esse instrumento
Se você está vindo de um 4 cordas e quer experimentar o 6, o baixo 6 cordas strinberg é uma opção viável. Ele não vai competir com um Music Man StingRay ou um Spector, mas para estudar, gravar demos e tocar em bandas de cover funciona. O acabamento é aceitável, o braço não é rápido demais nem lento demais, e o preço fica numa faixa que permite perder o medo sem investir uma fortuna.Se o seu objetivo é performance profissional com gravações de alta fidelidade, considere investir num instrumento de escala diferente ou em uma marca com controle de qualidade mais rigoroso. A variação de lote que mencionei antes é real, e a durabilidade dos tróis em modelos de entrada costuma ser menor que a de marcas consolidadas. Trocar tróis num Strinberg gasta menos de R$300 em peças e mão de obra, mas exige um serviço especializado que nem todos os luthiers oferecem com a mesma atenção. O som final depende muito de como você toca e do restante da banda. Baixo 6 cordas nunca foi sobre o instrumento em si, mas sobre como ele se integra ao arranjo. Um bom ajuste de ação e intonation resolve mais problemas do que qualquer upgrade de captador nesse faixa de preço.
Galeria
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