Barra Da Tijuca Praia
Como aproveitar a praia sem errar na hora
Muita gente chega em barra da tijuca praia pela primeira vez e já comete o mesmo erro: ir de carro nas horas de pico ou sem saber onde estacionar de verdade. A faixa de areia é enorme, mais de onze quilômetros, mas a infraestrutura não acompanha esse tamanho do mesmo jeito. O que funciona na prática é chegar cedo, antes das onze, ou então ir tarde da tarde quando o sol já baixa. A partir das dez e meia da manhã o trânsito nas vias de acesso começa a travar de verdade, e estacionar de graça nas ruas ao redor do calçadão é uma loteria que nem sempre dá certo. Eu já passei vontade demais nessa praia. Uma vez, num sábado de janeiro, entrei no bairro pelo acesso da Avenida das Américas e ainda não sabia que o calçadão principal desvanece depois do quarteirão trinta e tal. Terminei caminhando quase dois quilômetros até achar um ponto de retorno, com sol forte e sem sombra. Desde aí, mudei completamente a estratégia. Agora vou de bicicleta até a entrada do Autódromo, que é o trecho mais tranquilo e com espaço suficiente pra guardar a bike num bicicletário improvisado. Fica perto do posto de salvamento onze, que é um dos pontos que eu considero o melhor da extensão toda. O mar ali costuma ter ondulação mais suave que o resto das praias cariocas, o que explica o motivo de ter sediado provas de vela nos Jogos Olímpicos de dois mil e dezesseis. Mas essa calmaria é relativa. Nos meses de sul e sudeste, quando sopra o vento forte vindo do Atlântico, as ondas crescem rápido e o banho pode virar risco real, especialmente na faixa mais próxima ao mar aberto, longe dos salva-vidas. Nos finais de semana, aliás, o serviço de resgate nem sempre cobre todos os postos ativos com a mesma frequência. Eu já vi gente nadando além da linha de fluorescente sem nenhum bombeiro por perto, só com uma cadeira abandonada na areia. A regra prática é nunca entrar doido se não tiver salva-vidas visível num raio de duzentos metros.
Outra coisa que os guias sensacionalistas nunca mencionam: a água perto dos acessos de água doce, principalmente nos trechos próximos à Lagoa Rodrigo de Freitas, tem gosto diferente e às vezes deixa pele irritada. O saneamento da região ocidental ainda peca em alguns pontos, e quando chove forte o escoamento arrasta resíduos urbanos direto pra areia. Deixei de tomar sol nos dias imediatamente seguintes a tempestades intensas, e até hoje sigo essa regra sem pensar. O cheiro também muda, fica mais forte, e isso é sinal claro pra recuar. Se o objetivo é só relaxar e ler um livro na areia, o trecho entre o Postão de Salvamento Quatorze e o Autódromo é imbatível. Tem mais espaço, menos aglomeração, e os quiosques ali cobram preço justo, sem aquela inflação turística que aparece perto do calçadão central. Já pra quem quer agito, música alta e baladas depois do pôr do sol, a melhor opção é o setor mais movimentado mesmo, perto do Shopping Barra, mas prepare o bolso, porque as contas chegam altas. Uma dica prática que aprendi na prática: leve repelente e protetor solar, mas compre antes de chegar. Os pontos de venda espalhados pela orla têm margem de lucro absurdamente alta. Eu já comprei um bloco de protetor fator cinquenta por mais de trinta reais num quiosque improvisado, num dia em que eu estava sem dinheiro pra voltar pro carro. Desde aí, só compro em farmácia antes de sair de casa.
A Praia de Barra da Tijuca também sofre com a falta de banheiros públicos em bom estado. Muitos ficam sujos, sem água corrente, e às vezes trancados sem aviso. Leve sempre seu próprio kit de higiene, especialmente se for ficar mais de quatro horas no local. Eu carrego uma toalha pequena, um par de chinelo de piscina pra evitar fungos, e um sachê de álcool em gel pra usar depois de mexer em corrimãos e torneiras. O acesso de transporte público funciona bem nas linhas que passam pela Avenida das Américas, mas os ônibus lotam bastante nos finais de semana. A viagem de carro, por sua vez, leva cerca de quarenta minutos de Copacabana em condições normais, mas pode dobrar facilmente. Eu prefiro o metrô até a estação General Osório e depois um táxi ou aplicativo de quinze minutos, porque assim evito o estresse de procurar vaga. A segurança também pede atenção. Roubo de celular e bolsa é comum, especialmente em bolsas de movimento mais intenso. Deixe objetos de valor no hotel, use cinto de segurança dorsal se for correr risco maior, e evite aparecer com joias ou câmeras caras. O policiamento ostensivo aumenta perto dos pontos turísticos, mas nos trechos mais desertos, entre os quilômetros quatro e seis, a sensação de segurança cai bastante.

Se você busca uma praia mais tranquila, com ondas menores e menos gente, o trecho ao redor da Barra da Tijuca oferece boas opções. Só precisa saber onde procurar e evitar os horários de pico. A experiência vale o esforço quando se planeja com antecedência.
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