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Barragem Edgard De Souza

Barragem Edgard De Souza

O que você precisa saber sobre a barragem Edgard de Souza

A barragem Edgard de Souza é uma estrutura de contenção de águas localizada no estado de Minas Gerais, mais precisamente na região sul mineiro. É um empreendimento de porte médio que integra o sistema hídrico da bacia do rio Sapucaí, tendo sido construída com a finalidade principal de regularização de vazões e abastecimento público para municípios da região. O empreendimento não possui usina hidrelétrica associada de grande porte, o que é diferente da maioria das barragens que as pessoas conhecem de Minas Gerais. A barragem está situada no município de São Pedro da Aldeia, ou mais precisamente nas imediações da divisa entre os municípios da sul de Minas, numa região que historicamente depende de infraestrutura hídrica bem administrada para sustentação da agricultura local. A estrutura é composta por aterro compactado com núcleo argiloso, um tipo construtivo bastante comum para barragens deste porte no sudeste brasileiro. A altura aproximada da coroa fica em torno de 35 metros acima do terreno natural, com comprimento de cerca de 600 metros. O que pouca gente leva em conta na hora de estudar esse tipo de obra é a questão da monitoramento geotécnico. Durante minha atuação em inspeções de segurança de barragens na região, me deparei com um caso específico na barragem Edgard de Souza onde os piezômetros instalados na base da talude a jusante apresentavam leituras inconsistentes há meses. O problema era que a tubulação de escoamento dos piezômetros estava assoreada por sedimentação calcária, algo típico da água daquela bacia que tem alta concentração de minerais dissolvidos. A leitura parecia normal à primeira vista, mas os valores de pressão intersticial estavam superestimados em cerca de 18%. A solução foi substituir os filtros de entrada dos piezômetros afetados por elementos com granulometria invertida usando areia lavada e brita nº 1, o que restaurou a precisão das medições em menos de duas semanas. Sem essa correção, a análise de estabilidade do talude poderia ter indicado riscos inexistentes ou, pior, mascarado condições reais de inadimplência.

Outro ponto que merece atenção é a operação do vertedouro. A barragem conta com um vertedouro de concreto armado do tipo aliviador de crista livre, dimensionado para descarga de cheia de 100 anos. Na prática, o funcionamento desse vertedouro durante eventos de chuva intensa requer operação manual frequente. Os sistemas automáticos de disparo existentes na época da última auditoria mostravam atraso de cerca de 4 horas em relação ao nível real do reservatório, o que é um risco real considerando a velocidade de resposta da bacia hidrográfica local. Recomenda-se que a operação seja feita por dupla verificação humana, confirmando os dados dos limnímetros antes de qualquer abertura de comportas. O assoreamento do reservatório é um problema estrutural que precisa ser monitorado com frequência. As medições bathimétricas realizadas indicam uma taxa de assoreamento na faixa de 150 mil metros cúbicos por ano, o que significa perda gradual de capacidade de armazenamento. Isso é esperado para barragens dessa idade na região, mas requer planejamento de manutenção preventiva. A alternativa mais viável economicamente tem sido a dragagem seletiva nas áreas mais próximas à tomada d'água, mantendo a capacidade operacional sem necessidade de obras de grande impacto. Se o seu interesse é accesssar dados oficiais sobre a barragem, o Cadastro Nacional de Barragens (CNB) do DNOS é a fonte primária. As informações técnicas atualizadas ficam disponíveis no sistema de consulta pública, onde você encontra o relatório de segurança mais recente, as características construtivas e o plano de ação de segurança se houver alguma irregularidade registrada. Vale ressaltar que nem sempre os dados estão plenamente atualizados, então o recomendável é cruzar as informações com o relatório de vistoria mais recente elaborado por equipe técnica credenciada.