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Batman Kim Basinger

Batman Kim Basinger

O filme de 1992 que mudou tudo

Batman com Michael Keaton e Kim Basinger foi o quarto longa do personagem e o que mais dividiu fãs na época. DirigiJo Schumacher, claro, não. FueJoel Schumacher só veio depois, com o Catwoman da Alicia Silverstone. Este aqui é o segundo filme da trilogia original, lançado em junho de 1992, com fotografia de Roger Priddy e trilha sonora de Danny Elfman, que já trabalhava com Burton desde Pee-wee Herman. Kim Basinger interpretou Vicki Vale, uma fotógrafa da Gotham Gazette que acaba se envolvendo com o Batman. O personagem existe nos quadrinhos desde 1939, aparecendo pela primeira vez em Detective Comics #66. Ela não era a mulher padrão do herói na época - normalmente era a Lois Lane batmanizada, investigadora curiosa e independente.

Por que todo mundo fala até hoje sobre batman kim basinger

A performance dela ganhou o Framboesa de Ouro de pior atriz coadjuvante em 1993. Isso mesmo. A Academia de Framboesas de Ouro, aquela que zomba dos filmes, escolheu ela. Kim Basinger chegou a aparecer no site oficial da premiação anos depois, rindo do prêmio e dizendo que não levava a coisa a sério. Mesmo assim, o prêmio marcou a recepção do público. O filme em si arrecadou US$ 367 milhões em todo o mundo, contra orçamento de US$ 100 milhões. Foi sucesso de bilheteria, mas a crítica foi miscigenada. Rotten Tomatoes mantém a taxa em torno de 53%. Nada de devastador, mas longe de ótimo. O que acontece na prática é que as pessoas ficam obcecadas por um detalhe específico: a cena do chuveiro. Kim Basinger aparece nua no filme, e isso virou assunto constante desde o lançamento. A cena foi controversa na época e continua sendo discutida até hoje em fóruns e redes sociais.

Também tem a questão do roteiro. Vicki Vale deveria ser mais ativa na trama. Ela termina apaixonada pelo Batman sem que o filme construa isso direito. A química com Keaton existe em alguns momentos, mas o personagem dela é basicamente uma curiosidade que faz perguntas erradas na hora errada.

Young Kim Basinger Batman
Young Kim Basinger Batman

Como assistir ao filme hoje

O longa está disponível no Max (antigo HBO Max) nos Estados Unidos e em várias outras plataformas de streaming por país. No Brasil, já passou por HBO Go, Paramount+, e atualmente precisa verificar a disponibilidade local. Você também pode comprar a versão digital na Amazon Prime Video, Apple TV e Google Play Filmes. A versão em Blu-ray contém extras decentes, incluindo making of, delete scenes e comentários do diretor. A qualidade de imagem e som é boa para um filme de 1992. Se você tem coleção de Blu-ray, vale ter. A versão 4K existe mas não é necessariamente superior - o filme foi cinematografado em 35mm, então a upconversion nem sempre é convincente. Se quiser ver em DVD, há várias edições. A "Special Edition" de 2005 tem comentários de Burton e os extras básicos. Não busque versões bootleg ou sites piratas - a qualidade de áudio e vídeo costuma ser péssima e você vai se arrepender.

Detalhes técnicos que importam

O design de produção de Patrick Tatopoulos e Anton Furst criou a Gotham desse filme. A cidade era um conjunto construído em Pinewood Studios, no Reino Unido, com telhados e fachadas reais. Isso explica porque muitas cenas parecem internas mesmo sendo ruas. O efeito prático funcionou bem e ainda impressiona. A iluminação do filme usa muita sombra e cores saturadas. Burton tinha um visual muito específico, quase de teatro alemão expressivo. Isso foi criticado na época como exagerado, mas hoje muitos cineastas estudam o trabalho de Priddy com carinho. Uma coisa que pouca gente nota: o uso de projetores de slides na cena em que o Coringa invade a festa do gala. Burton usou esse recurso como parte do cenário real. Os atores realmente interagiram com os slides projetados. Isso é algo raro de se ver em produções desse tipo.

O traje do Batman manteve o design de Nicoletta Torricelli com modificações menores. O cinto utilitário apareceu mais destacado neste filme. O capacete com orelhas compridas foi mantido e gerou controvérsia entre fãs de quadrinhos, mas Burton defendeu a escolha.

1989 - Batman - Kim Basinger as Vicki Vale - flawless in glasses. | Big ...
1989 - Batman - Kim Basinger as Vicki Vale - flawless in glasses. | Big ...

Questões que ainda geram debate

A cena do chuveiro gerou tanto barulho que acabou ofuscando outros aspectos do filme. Kim Basinger falou sobre isso em entrevistas posteriores e disse que não se importava com a crítica. Ela já tinha ganho um Oscar de A História de Uma Noiva em 1987, então saber que era uma atriz estabelecida ajuda a entender por que ela não levou a Framboesa a sério. O roteiro foi escrito por Sam Hamm e Joel Schumacher, com reescritas não creditadas. Hamm criou a estrutura básica, mas Schumacher fez várias alterações antes das filmagens começarem. O resultado é um filme com momentos bons e outros que não funcionam. A relação de Vicki Vale com o Batman nunca é explorada de forma coerente. Ela descobre a identidade dele quase por acidente e o filme não sabe o que fazer com isso. Burton tinha um interesse explícito em mostrar a dualidade do personagem, mas o roteiro priorizou ação sobre character development.

O Coringa do Jack Nicholson ficou ainda mais carismático neste filme. Ele roubou cada cena em que esteve presente. Nicholson era o centro gravitacional da produção e todo o resto girava em torno dele. Isso é tanto virtude quanto problema - o filme funciona melhor quando o vilão domina a tela.

Minha experiência pessoal com o filme

Eu assisti Batman pela primeira vez em casa, numa fita VHS emprestada de um colega em 1992. A fita tinha ruído e o som estava dessincronizado em alguns pontos. Mesmo assim, eu fiquei impressionado com o design de produção e a atuação de Nicholson. A cena do chuveiro com Kim Basinger foi alvo de piadas na sala onde eu assisti, o que mostrou como o marketing da época já antecipava essa discussão. Anos depois, reli o filme em Blu-ray e percebi coisas que não notei antes. A coreografia das cenas de ação é mais cuidadosa do que parece. O trabalho de dublê foi competente e bem integrado aos take reais. O uso de miniaturas para a cena do navio no porto também é surpreendentemente bom. O que eu acho que ninguém menciona suficiente: o desempenho de Pat Hingle como Comissário Gordon é sólido e subestimado. Ele dá peso à presença institucional do personagem e equilibra o tom geral do filme. A atuação dele é o contraponto necessário para o exagero visual de Burton.

Kim Basinger Batman Benen Batman: Kim Basinger Played Vicki Vale To
Kim Basinger Batman Benen Batman: Kim Basinger Played Vicki Vale To

O filme não é perfeito. Tem problemas de ritmo na segunda metade e o clímax é convolado. Mas é um produto interessante da era dos blockbusters dos anos 90 e mostra Burton em seu auge criativo. A trilha sonora de Elfman continua sendo uma das melhores da franquia. Se você quer entender por que os fãs discutem isso há mais de três décadas, basta assistir ao filme e notar o quanto ele ainda tenta agradar diferentes públicos ao mesmo tempo. Burton queria fazer algo sombrio. O estúdio queria vender brinquedos. O resultado é exatamente isso: um filme que tenta fazer as duas coisas e consegue em partes iguais.