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Bob Marley Morreu De Que

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A morte de Bob Marley: o que aconteceu

Bob Marley morreu de melanoma acral lentiginoso, um tipo raro de câncer de pele que costuma aparecer nas palmas das mãos, plantas dos pés ou debaixo das unhas. A lesão foi diagnosticada originalmente como uma mancha escura sob a unha do dedão do pé esquerdo dele em 1977, durante turnê no Japão. O médico sugeriu amputação, mas Marley se recusou por razões religiosas ligadas ao movimento rastafári. Ele preferiu tratar com quimioterapia e radiação, mas o tumor já tinha metastatizado para o cérebro e outros órgãos.

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O melanoma acral lentiginoso representa cerca de 60 a 70 por cento dos casos de melanoma em pessoas de pele negra em todo o mundo. No caso de Marley, o diagnóstico inicial foi tardio porque a lesão era confundida com hematoma subungueal — algo comum em atletas e músicos que sofrem trauma repetido nos pés. Eu conheço alguém que trabalha com oncologia dermatológica em São Paulo e contou que já viu pelo menos três casos semelhantes negligenciados por pacientes que achavam ser "simplesmente um corte" ou "mancha de bicicleta". O tempo médio entre o primeiro sintoma e o diagnóstico adequado nessa localização costuma ser de oito a catorze meses. Quando identificado precocemente, a sobrevida em cinco anos supera noventa por cento. Nos estágios avançados, como no caso de Marley, cai para menos de vinte por cento. Ele foi internado no Cedars-of-Sinai Medical Center em Miami em maio de 1981 e faleceu no dia onze, aos trinta e seis anos. A mensagem deixada antes de morrer foi registrada como "money won't buy life", mas isso não mudou o prognóstico que já era irreversível naquela altura. O que poucos sabem é que o tipo exato de melanoma que atingiu Marley tem comportamento biológico diferente dos melanomas solares. As mutações no gene BRAF, por exemplo, são muito menos frequentes nesse subtipo. Em vez disso, alterações nos genes KIT e NRAS aparecem com mais frequência, o que torna os tratamentos-alvo aprovados para melanoma convencional menos eficazes nesses casos. Essa nuance só ganhou relevância clínica depois dos anos 2010, com o avanço da oncologia de precisão. Se Marley tivesse vivo hoje, provavelmente teria acesso a imunoterapias como pembrolizumabe ou nivolumabe, que melhoraram significativamente a sobrevida em estágios IV. Mesmo assim, a taxa de resposta não atinge todos os pacientes — estudos recentes mostram resposta clínica em torno de quarenta a cinquenta por cento, dependendo da carga tumoral e do estado imunológico individual. Não existe cura milagrosa para esse tipo de câncer quando metastatizado. A lição prática é simples: qualquer mancha escura nova debaixo da unha que não responda a tratamento conservador por quatro a seis semanas merece avaliação dermatológica urgente, independente da cor da pele.