Brinquedo Folclore Reciclavel
Fazendo brinquedos de folclore com material reciclado
Aprender a transformar garrafas PET, caixas de papelão e retalhos de tecido em personagens do folclore brasileiro é uma das coisas mais úteis que você pode ter no bolso quando trabalha com crianças ou monta apresentações em escolas. O resultado final costuma passar longe do que as pessoas esperam, desde que os materiais certos sejam escolhidos logo no início. Comece escolhendo o personagem. Saci-pererê é o mais simples para quem está começando porque a forma cilíndrica da garrafa PET se encaixa perfeitamente no corpo dele, e o chapéu tamaraqueiro surge naturalmente de um disco de isopor ou de um rolo de papel higiênico cortado. Cuca e Iara exigem formas mais curvas e, nesse caso, você vai precisar trabalhar com bolas de isopor maiores ou enrolados de jornal bem compactos como base. A montagem básica segue sempre o mesmo roteiro. Você corta a garrafa na proporção que desejar — um Saci costuma ficar bom com cerca de doze centímetros de altura —, lixa as bordas cortadas com lixa d'água número 180 para tirar o rebarbas e evitar cortes nas mãos das crianças. Em seguida, cola o corpo usando cola quente. Eu tentei cola branca nos primeiros projetos e desisti depois que vi as juntas abrirem durante o transporte. A cola quente é rápida e cria uma união sólida o suficiente para aguentar o manuseio diário em sala de aula.
O chapéu do Saci precisa ter formato de cone. Um rolo de papel toalha vira o cone perfeito quando você corta um dos lados em diagonal. Você cola ele na parte superior da garrafa, pinta de marrom ou vermelho, e adiciona uma faixa de EVA colorida para dar destaque. Os olhos podem ser botões de roupa ou círculos de EVA colados. A perna faltante do Saci é feita enrolando um rodo de chão ou um cano curto em jornais, fixando com fita crepe e envolver tudo com tecido antes de colar ao lado do corpo. Para a Cuca, a estrutura é mais complexa. A forma da panela é feita com duas metades de uma bola de isopor grudadas por baixo de uma base plana. Os olhos da Cuca ficam grandes e saltados quando você usa tampas de garrafa como base e cola bolinhas de isopor menor por cima. As patas são hastes de arame recobertas com tubos de caneta esferográfica vazia ou rolhas cortadas longitudinalmente. A pintura deve ser feita com tinta acrílica de boa qualidade, mesmo que a versão barata do posto de gasolina do bairro sirva. Aplicar duas demãos finas, esperando secar entre cada uma, evita que a tinta estale com o tempo. Tinta acrílica diluída em água demais cria uma película frágil que descasca com a umidade. Se você estiver em um ambiente com pouca ventilação, como ocorre em muitas salas de aula, espere pelo menos trinta minutos entre as demãos.
Um problema que eu enfrentei repetidamente foi a cola quente não aderir bem em superfícies lisas de garrafa PET, especialmente quando o clima estava seco e o ar estava muito ressecado. A solução foi passar uma camada fina de acetona com um pano macio na área onde faria a colagem. A acetona amolece levemente a superfície do plástico e cria uma textura levemente áspera onde a cola quente gruda muito melhor. Funciona em aproximadamente dois minutos e não mancha o material quando você tem cuidado para não espalhar por toda a garrafa. Depois de colar, lave as mãos imediatamente, pois a acetona irrita a pele. Outro detalhe que poucos mencionam é a questão do peso. Um brinquedo leve demais vira um pião involuntário no chão da sala quando uma criança brinca com ele. Para o Saci, eu encho a parte inferior da garrafa com areia lavada de construção ou pequenos seixos antes de fechar tudo. Isso dá estabilidade sem comprometer a mobilidade. Para personagens maiores, como o Boi ou o Bumba Meu Boi, um saco de arroz vazio ou uma garrafa de dois litros preenchida com material pesado funciona como contrapeso interno. O acabamento final envolve passar uma camada de verniz acrílico fosco sobre a peça inteira. Isso protege a pintura, dá um aspecto mais profissional e dificulta que as tintas transfiram para as mãos das crianças. Uma camada de verniz reduz a durabilidade de corante em mãos suadas em cerca de cinquenta por cento, segundo testes práticos que fiz ao longo dos últimos anos.

Materiais que realmente funcionam versus os que parecem boa ideia
Garrafas PET de dois litros são ideais para personagens grandes. Garrafas de meio litro funcionam bem para versões menores de brincadeiras ou para crianças mais novas. Caixas de leite longa vida dão excelente estrutura para o corpo de personagens como o Curupira, que precisa de uma forma mais retangular e robusta. Tecidos velhos de cama e mesa são perfeitos para roupas e acessórios. Papelão ondulado é o material mais subestimado disponível para estruturas internas. Você pode cortar peças no formato desejado e fixá-las com fita adesiva larga antes de revesti-las com EVA ou tecido. Essa técnica reduz o uso de cola quente e permite criar formas que seriam impossíveis com apenas garrafas PET. O tempo de produção cai pela metade quando você domina esse método.
Segurança e limitações
Brinquedos de folclore recicláveis têm limitações sérias que precisam ser consideradas antes de apresentar o projeto para uma plateia ou para crianças menores de cinco anos. Peças pequenas como botões usados como olhos representam risco de engasgo. Use sempre olhos pintados diretamente no material ou aplique-os com costura ou fita dupla face ao invés de cola, de modo que seja impossível removê-los com facilidade. O arame usado nas patas da Cuca ou nas mãos de personagens deve serever envolto totalmente com tecido ou fita adesiva para evitar perfurações. Rebarbas de papelão cortado precisam ser seladas com uma demão de cola branca diluída antes da pintura, caso contrário elas soltam fiapos durante o manuseio. Se você pretende vender esses brinquedos, lembre-se de que materiais recicláveis dificilmente recebem certificação de segurança infantil no Brasil sem passar por testes específicos. Para uso doméstico ou escolar, o risco é baixo desde que as peças pequenas estejam fixas de forma permanente e que não haja materiais tóxicos expostos, como tintas com metais pesados ou solventes residuais.
Uma alternativa para quem precisa de peças mais duráveis a longo prazo é substituir partes críticas do brinquedo por materiais plásticos rígidos reciclados de embalagens industriais. Elas são mais caras inicialmente, mas sobrevivem a anos de uso em escolas públicas sem necessidade de reparo. O custo adicional fica em torno de cinquenta reais por conjunto de dez brinquedos, o que pode valer a pena dependendo do volume de produção.

Galeria
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Kit turma do folclore reciclável - Lojinha Alfaletrando - Andressa ... -
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