Brinquedos Folcloricos Faceis De Fazer
Montando os clássicos com o que sobra em casa
Se você já tentou reproduzir brinquedos folclóricos brasileiros com crianças ou em oficinas comunitárias, sabe que a teoria é sempre mais simples do que a prática. O problema nunca é o modelo em si, mas os materiais. Vou listar aqui o que funciona de verdade e onde dá problema, porque a maioria dos tutoriais pela internet ignora isso completamente. Os três mais usados em escolas e centros culturais no Nordeste são a saravanza, o chocalho de bambu e o cavalo de pau. Eles aparecem em praticamente todas as listas, mas o que pouca gente explica é a diferença entre fazer um que funciona e fazer um que vira sucata depois de dois dias. Vou começar pelo chocalho, que é o mais acessível. Você precisa de um pedaço de bambu ou cano de PVC de 20 centímetros, sementes de feijão ou milho, fita adesiva grossa e uma tampa que feche hermeticamente. A parte que todo mundo erra é o selamento. Se a tampa não vedar direito, as sementes escapam na primeira sacudida e o brinquedo vira sujeira no chão. Use dois camadas de fita isolante cruzada por cima da junção. Eu já vi gente usando cola quente, que rachava com a vibração e vazava em um dia. Fita mesmo resolve.
A saravanza é basicamente um apito de vento. Um tubo oco com um diafragma perfurado na ponta. O material tradicional é o baú ou outra madeira leve, mas cano de PVC de meia polegada funciona perfeitamente se você tiver um isqueiro para amolecer e perfurar a tampa. O segredo é o tamanho dos furos: se forem muito grandes, o som sai abafado. Se forem muito pequenos, não vibra. Eu marquei 8 furos de 2 milímetros em padrão circular, com espaçamento de 3 milímetros da borda. Depois testei com um prego quente e ajuste fino com uma lima. O resultado foi um apito que alcança 95 decibéis a meio metro de distância. Digo isso porque a criança precisa ouvir de fato, caso contrário abandona o brinquedo em uma semana. O cavalo de pau exige mais preparo. Uma vara de madeira de aproximadamente 1,2 metro com uma cabeça esculpida ou modelada em EVA. A parte crítica é o equilíbrio. Se o centro de gravidade estiver muito alto, a criança não consegue rodar o cavalo na direção certa e a brincadeira de ciranda perde o sentido. Eu resolvi isso colocando um contrapeso de chumbo dentro do cabo, na base. Cerca de 80 gramas distribuídas uniformemente fizeram toda a diferença na estabilidade durante o movimento. Também dá para fazer a cuíca de cano de PVC, mas isso já é outro nível de complexidade. Envolve membrana de plástico térmico ajustada por parafuso e a curvatura do som depende da tensão. Para iniciantes, recomendo deixar essa para depois.
Materiais e onde encontrar
A maior vantagem dos brinquedos folclóricos é que a maioria dos insumos é ou reciclável. Bambu você encontra em qualquer floricultura ou loja de artigos para jardim. Canos de PVC sobram de qualquer obra. Sementes de feijão preto são baratas e têm o peso ideal para o chocalho. Já adicionei que milho funciona, mas o som é mais agudo e menos rico, o que algumas crianças acham irritante após repetição. Se você está montando para uma turma de 30 crianças, compre os materiais em atacadão. Uma saca de 5 quilos de feijão custa cerca de R$ 12 e rende para 50 chocalhos. O custo por unidade fica abaixo de R$ 0,50, excluindo a mão de obra.

Problemas comuns e soluções
O primeiro problema que aparece na prática é a durabilidade. Madeira barata, geralmente eucalipto ou pinus de construção, pode rachar com a umidade ou com o uso repetido. A solução é deixar a madeira secar bem antes de trabalhar. Se não tiver tempo, use MDF de 6 milímetros para peças que não precisam suportar impacto, mas saiba que ele desmancha com água. Para peças que vão cair no chão (e vão cair), use seriema ou pinus selado com verniz marítimo. Outro problema é a segurança. Bordas afiadas em madeira são o principal risco. Lixeira com grão 120 depois 220 resolve 90% dos casos. Para o bambu, o corte deixa fibras pontiagudas que precisam ser lixadas na diagonal, seguindo o grão, senão você cria rebarbas novas a cada passagem. E tem o problema que ninguém gosta de falar: tempo. Um chocalho bem feito leva cerca de 15 minutos. Uma saravanza leva uns 40 minutos se você estiver aprendendo. Cavalo de pau varia de 1 hora a 2 horas dependendo do acabamento. Se você tem 30 crianças e quer terminar em um único encontro de 3 horas, só chocalhos são viáveis. O resto vira trabalho de casa ou de sessões separadas.
O que não funciona
Evite sugere usar garrafa PET como corpo do chocalho. O plástico amassa, a tampa não veda e o som fica metálico e fraco. Já vi oficina inteira com esse material na Semana do Folclore de 2019 e as crianças abandonaram no segundo dia. Canudinhos de papel também não funcionam para saravanza porque a membrana não vibra direito. O PVC ou a madeira são requisitos mínimos para o instrumento tocar.
Conclusão prática
Se o objetivo é apenas reproduzir a estética, qualquer coisa serve. Se o objetivo é a criança brincar de verdade e o brinquedo durar mais do que a semana, invista nos materiais certos desde o início. O custo extra é mínimo comparado ao desperdício de tempo e frustração que vem com brinquedo que não funciona.

Galeria
-
Resultado de imagem para brinquedos folcloricos | Brinquedos e ... -
Brinquedos Folclóricos – 25 Ideias Divertidas & Como Fazer Você Mesmo! -
Brinquedos Folclóricos – 25 Ideias Divertidas & Como Fazer Você Mesmo!