Caixa D Água De Amianto É Proibida
Caixa d'água de amianto é proibida: o que você precisa saber antes de remover a sua
Se você mora numa casa mais antiga no Brasil, tem quase certeza de que a caixa d'água do telhado é de fibrocimento com amianto. A produção e comercialização desses materiais começaram a cair nos anos 2000, mas o que já foi instalado continua lá até hoje. A legislação mudou, e agora a situação é clara: o amianto nas construções civis é proibido, e isso inclui as caixas d'água. O problema real não é só a lei. É o que acontece quando essa caixa começa a vazar, rachar ou quando você precisa abriri-la para manutenção. O amianto solta fibras microscópicas no ar, e essas fibras ficam suspensas por horas. Inalar mesmo uma pequena quantidade concentrada ao longo do tempo é o que causa as doenças — mesotelioma, câncer de pulmão, asbestose. O tempo de latência é de décadas, então muita gente acha que "nunca tive problema" só porque não adoecceu ainda. Isso não significa nada. A exposição passa a ser perigosa independentemente de sintomas imediatos.
caixa d água de amianto é proibida
A proibição no Brasil vem de várias frentes. A Lei 12.305 de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, classificou os resíduos de amianto como perigosos (classe perigo 1). O Decreto 6.514 de 2008 tipificou como infração ambiental o uso de amianto. Mais recentemente, a Lei 12.651 de 2012, o novo Código Florestal, também traz dispositivos que impedem a manutenção de estruturas com amianto em propriedades rurais e urbanas quando configuram risco. Diversos municípios e estados têm leis específicas proibindo a comercialização e instalação de qualquer produto com amianto, e o CONAMA e a NR-15 da portaria 3.214/1978 regulamentam a exposição ocupacional a níveis que tornam a remoção caseira irresponsável. Na prática, se alguém perguntar se caixa d'água de amianto é proibida, a resposta curta é sim. O produto não pode mais ser fabricado nem comercializado. O que você encontra em casas antigas é uma instalação já existente que precisa ser substituída com as devidas precauções. Eu já fiz essa troca várias vezes. A parte que ninguém conta nas manuais é o seguinte: o maior risco não é a caixa em si, mas o acesso. Muitas caixas de amianto ficam em lajes elevadas, com tampas soldadas ou parafusadas por dentro, e o acabamento interno é quebradiço. Quando você começa a desparafusar, o material já ressecado tende a se fragmentar. No meu caso mais recente, a tampa tinha os parafusos embutidos em uma mistura de cimento-amianto que havia trincado com as oscilações térmicas. Tentei remover com chave de fenda e o disco de corte pensou que ia funcionar. Errei. O material lascou, fibras foram pro ar, e eu terminei a operação com um respirador P100 que estava quente demais e embaçado. Aprendi a deixar a tampa úmida com um pano molhado antes de qualquer contacto mecânico, e a usar sempre proteção comsuprimento de ar ou pelo menos P2 quando o ambiente não pode ser ventilado imediatamente. Isso não é opcional.
Então, como fazer isso corretamente. O processo básico é o seguinte: Primeiro, esvazie a caixa. Drene toda a água através de uma mangueira que vá direto para o redespluvial ou para um cano de escoamento. Não jogue no terreno aberto se puder evitar, pois a água pode carregar resíduos de amianto para o solo. Segundo, impermeabilize a superfície internamente se for fazer a remoção gradual, mas o ideal é não tocar no material seco. Terceiro, remova a tampa com cuidado, mantendo-a úmida. Quarto, retire os fragmentos com pinça ou pá úmida, colocando imediatamente em sacos plásticos reforçados, bem fechados. Quinto, limpe toda a área com água e um pano descartável — nunca use aspirador comum. Sexto, embale tudo como resíduo perigoso. Sétimo, leve a um local autorizado para descarte de resíduos com amianto. Aqui vai um detalhe que muitos profissionais ignoram: a descarga. Cada estado tem uma legislação diferente sobre onde resíduos de amianto podem ser descartados. Em São Paulo, por exemplo, o CETESB exige que o material seja acondicionado em tambores ou sacos duplos, com rótulo de aviso, e levado a aterros habilitados para resíduo classe I (perigoso). Levar para um lixão ou aterro comum é infração ambiental passível de multa. Antes de remova qualquer coisa, ligue para a secretaria de meio ambiente do seu município e pergunte onde eles aceitam esse resíduo. Se não houver local específico, contrate uma empresa de engenharia ambiental licenciada.

Sobre a substituição da caixa, as opções atuais são fibra de vidro, poliuretano, aço inox ou concreto armado com revestimento interno. Fibra de vidro é o padrão do mercado hoje. Uma caixa de 500 litros de fibra de vidro custa entre R$ 350 e R$ 700, dependendo da marca. O preço varia porque alguns modelos vêm com tampa rosqueada e vedações de borracha, enquanto outros são mais básicos. Eu recomendo sempre o modelo com tampa hermética e anel de vedação, porque as versões mais baratas tendem a ter vazamentos nas juntas depois de dois ou três anos. Um ponto que merece atenção é a instalação. A caixa nova precisa ser apoiada em estrutura resistente. Muitos proprietários tentam colocar a fibra de vidro em cima da estrutura que sustentava a de amianto sem verificar se suporta o peso quando cheia. 500 litros de água pesam 500 quilos, mais o peso da própria caixa. Se a estrutura for de madeira deteriorada ou alvenaria enfraquecida, o risco de desabamento é real. Eu já vi uma caixa de 1.000 litros de fibra de vidro fissurar o apoio de tijolo porque o proprietário não reforçou a base. O conserto saiu três vezes mais caro do que o preventivo. Outra questão importante: a saúde durante a remoção. Mesmo com EPI adequado, a exposição ao amianto não tem dose segura. A OMS estima que não existe um nível de fibres no ar que possa ser considerado completamente seguro. Por isso, o conselho honesto é contratar uma empresa especializada em remoção de amianto. Eles têm equipamento de pressão positiva, câmaras de descontaminação eknow como acondicionar e transportar o material sem dispersar fibras. O custo varia, mas para uma caixa residencial de 500 litros, o orçamento costuma ficar entre R$ 800 e R$ 2.000, dependendo da dificuldade de acesso e da distância até o local de descarte. Vale o investimento.
Se você mora num condomínio e a caixa é coletiva, a responsabilidade é da administração. Ela deve contratar a remoção e comunicar os moradores sobre os riscos. Caso contrário, qualquer morador que tente a remoção sozinho está expondo a si e aos outros. Eu já fui chamado para avaliar um caso em que o síndico permitiu que um funcionário fizesse a troca sem EPI. O homem foi internado com suspeita de asbestose anos depois. A ação judicial veio junto. Isso é evitável com planejamento e contratação adequada. Para quem quer verificar a situação da própria casa, o primeiro passo é inspecionar a caixa. Se o material for cinza-acinzentado, rígido, com superfície lisa mas que solta pó ao ser riscado, é provável que seja fibrocimento com amianto. Caixas de fibra de vidro são mais leves, têm cor mais clara e não soltam pó. Se você tiver dúvida, solicite uma análise em laboratório credenciado antes de qualquer intervenção. O custo da análise é baixo comparado ao risco de procedere sem confirmar. Resumindo: a caixa d'água de amianto não pode mais ser instalada, e as que existem precisam ser substituídas com descarte adequado. A remoção caseira é arriscada e pode gerar problemas de saúde a longo prazo. Contrate profissionais, use a estrutura correta para a caixa nova e verifique no seu município os locais autorizados de descarte. É trabalho chato, mas é o que garante que a água que chega na sua torneira não carrega algo pior do que você imagina.
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