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Caldo De Cana Baixa Pressão

Caldo De Cana Baixa Pressão

O que realmente é um sistema de extração de caldo de cana em baixa pressão

A maioria das pessoas confunde caldo de cana baixa pressão com uma tecnologia completamente separada. Não é. É basicamente uma adaptação do sistema clássico de trituração que opera com menos força nos rolos e com mais atenção na preparação da cana. O resultado é um caldo com menos fibras arrastadas e menos impurezas, o que facilita muito a etapa de clarificação depois. Eu montei um sistema desses há uns anos num sítio no interior de São Paulo. A primeira coisa que ninguém te conta é que a eficiência do processo depende quase inteiramente de como a cana chega nos rolos. Se a cana vier picada de forma irregular ou com tiras longas demais, o sistema de baixa pressão simplesmente não consegue extrair o que precisa, não importa quantas ajustes você faça.

caldo de cana baixa pressão: como montar o básico

Vamos direto ao ponto. Você precisa de três coisas principais: um moinho de cana com rolos capazes de operar em faixa de pressão entre 80 e 120 kgf/cm², um sistema de alimentação uniforme e um tanque de mistura para a calagem. O resto é sequência operacional. A cana entra no moinho já picada, idealmente com comprimento entre 30 e 50 milímetros. Comprimento menor que isso gera pasta que entope. Maior que isso não é triturado direito na baixa pressão. Eu cheguei a testar com picador de cana comum ajustado na média, e funcionou, mas o rendimento caía uns 8% comparado a um picador profissional. O segundo estágio é a pressão em si. Nos rolos principais, você mantém a zona entre 90 e 100 kgf/cm². O terceiro rolo, o expendedor, trabalha em faixa mais baixa, uns 70 a 80 kgf/cm². O segredo aqui é não tentar extrair tudo de uma vez. Passar a cana duas vezes pelo moinho, com um tanque de embebição no meio, rende mais caldo do que forçar uma única passagem com pressão alta.

Durante a calagem, a dose de leite de cal (hidróxido de cálcio) deve ficar entre 0,15% e 0,25% em relação ao peso da cana. Eu sempre uso 0,2% como ponto de partida. Menos que isso não controla bem a fermentação espontânea. Mais que isso deixa o caldo com gosto de sabão e dificulta a cristalização depois. O caldo sai do moinho e vai para um tanque de decantação com agitação lenta. Aqui muita gente erra: agitar rápido demais apenas ressuspende as impurezas que járam. Velocidade de agitação em torno de 30 a 40 rpm é suficiente. O tempo de repouso fica entre 40 minutos e 1 hora, dependendo da temperatura ambiente. Faz frio, demora mais. Faz calor, as bactérias começam a trabalhar e o caldo azeda rápido.

Caldo De Cana Abaixa A Pressao - RETOEDU
Caldo De Cana Abaixa A Pressao - RETOEDU

Pegadinhas que eu aprendi na prática

Uma coisa que ninguém avisa é o problema do vazamento de ar nos selos dos rolos. Num sistema de baixa pressão, mesmo uma pequena entrada de ar modifica a viscosidade do caldo e reduz o rendimento em até 12%. Eu passei três dias caçando esse vazamento num moinho usado. O defeito estava numa vedação de borracha do segundo rolo que estava ressecada mas ainda não tinha trincado visivelmente. Troquei as vedações e o rendimento subiu 9% no mesmo dia. Outro ponto: a taxa de água de embebição. Muita gente joga água demais no tanque de embebição achando que dilui mais sacarose. Na verdade, água em excesso só dilui o caldo e sobrecarrega a evaporação depois. A proporção ideal é 1 litro de água para cada 10 quilos de cana processada. Mais que isso é desperdício de energia nos etapas. Se você está começando agora e não tem verba para um moinho novo, existem soluções caseiras que funcionam. Eu vi uma oficina mecânica no interior de Minas montar um moinho de baixa pressão usando rolos de prensa de óleo vegetal recondicionados. O rendimento ficou em torno de 78% comparado aos 85% de um equipamento novo, mas o custo foi cerca de um quarto. Vale a pena se o volume de produção for pequeno, abaixo de 2 toneladas de cana por dia.

Limitações reais desse método

Caldo de cana baixa pressão não é solução para tudo. Se a sua cana tem alta incidência de terra ou folhas na colheita, o sistema não resolve. A baixo pressão simplesmente não tem força para separar bem as impurezas sólidas. Nesse caso, o ideal é um pré-lavagem da cana antes de picar, ou usar um sistema de alta pressão com classifier. Também não adianta esperar Altos teores de brix (acima de 22° Brix) usando apenas baixa pressão. O rendimento máximo que eu consegui em testes práticos foi em torno de 90% de extração, com cana de qualidade e todo o processo bem ajustado. Se você precisa de mais que isso, vai precisar de um sistema multiplo de trituração com contra-corrente de água, que é outro nível de investimento. O caldo resultante também precisa de tratamento térmico adequado antes de qualquer outra etapa. Em minha experiência, aquecer até 85°C e manter por 15 minutos elimina a maioria dos microrganismos indesejados sem degradar os açúcares. Ir além disso começa a caramelizar a sacarose e estragar o sabor final do produto.

Se o seu objetivo é produzir rapadura ou melado de qualidade limpa, esse método funciona bem. Se quer álcool ou açúcar cristalino em escala industrial, você precisa de algo mais robusto. Conheço pessoas que tentaram adaptar o sistema de baixa pressão para produção de etanol e tiveram que desistir depois de quatro meses porque o rendimento em açúcar não era consistente o suficiente para justificar a fermentação.

CALDO DE CANA FEITO NA HORA - YouTube
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