Casa Das Telhas São Francisco Do Sul
O que é a Casa das Telhas e onde ela se encaixa na rota cultural de São Francisco do Sul
A Casa das Telhas é um espaço cultural localizado em São Francisco do Sul, no litoral norte de Santa Catarina. O lugar foi adaptado de um antigo engenho de moenda de cana-de-açúcar e hoje funciona como museu vivo, com um acervo de azulejos portugueses dos séculos XVII a XIX expostos em galerias externas. O complexo ainda mantém oficinas de artesãos, um restaurante que serve comida típica da região e um pátio onde acontecem feiras artesanais nos fins de semana. O endereço fica na Rua das Flores, nº 300, no centro histórico da cidade, perto da Praça XV de Novembro. Você precisa chegar até São Francisco do Sul primeiro. A cidade fica a cerca de 70 quilômetros de Blumenau pela SC-438, e o tempo de viagem é normalmente uma hora e meia em carro particular. Se vier de ônibus, as linhas partem do Terminal Rodoviário de Blumenau e chegam ao terminal urbano da cidade velha, de onde você caminha cerca de doze minutos até a entrada do museu. Há um estacionamento gratuito na rua lateral, mas nos feriados de verão costuma lotar antes das onze da manhã e você acaba girando em círculos por vinte minutos. O funcionamento é de terça a domingo, das nove às dezessete horas, com bilheteria fechando às dezesseis e trinta. A entrada individual custa oito reais para adultos. Idosos acima de sessenta anos e estudantes com documento válido entram gratuitamente. Crianças até sete anos não pagam, mas precisam estar acompanhadas. O cartão turismo do município dá acesso gratuito a todos os pontos turísticos cadastrados, então se você for passar dois ou três dias na cidade, vale a pena comprar o passe diário por vinte e cinco reais no balcão de informação da prefeitura, que fica na Câmara Municipal.
Achei útil saber que o museu não tem ar-condicionado nas alas externas. Nos dias quentes de janeiro, a temperatura interna dos galpões pode ultrapassar trinta e oito graus. Leve água, chapéu e repelente. O trajeto pelo acervo de azuleiros é todo ao ar livre e a exposição não está em vitrines térmicas. Alguns azulejos mais frágeis estão protegidos por vidros, mas a maioria está diretamente exposta à luz solar e à umidade do litoral. Você vê as fissuras por si mesmo. Se tiver problema de visão sensível, evite os horários de pico de sol, entre onze e quatorze horas. Dentro do complexo há dois restaurantes. O principal funciona apenas nos fins de semana e oferece pratos como peixe frito, arroz de cuxa e vinho local. Os preços giram em torno de trinta e cinco reais por prato principal. Se você quer economizar, existe uma lanchonete básica na entrada que vende salgados e bebidas por valores mais acessíveis. Não aceita cartão de crédito em nenhum dos dois pontos. Apenas dinheiro vivo ou PIX. Chegue com algum trocado. O estacionamento é seguro durante o horário comercial, mas deixe tudo dentro do porta-luvas. Já vi dois casos de vidro quebrado por ação criminosa nos dois últimos anos, segundo a administração local. Nada grave, mas irritante. Não deixe documentos ou eletrônicos visíveis nos bancos.
O acervo e a história que explicam por que o lugar existe
A coleção principal de azulejos portugueses reúne cerca de mil e duzentas peças, sendo que aproximadamente trezentas estão em exibição permanente nas galerias laterais do pátio. A maior parte foi doada por colecionadores privados da região entre os anos de oitenta e noventa. As peças mais antigas datam de 1640 e vêm de oficinas de Sevilha e Lisboa. As mais recentes chegam até 1890 e incluem peças com marcações de oleiros identificados pelos selos nas costas. O complexo também abriga uma olaria ativa onde artesãos produzem telhas coloniais e tijolos prensados manualmente. Esse é o lado mais interessante para quem quer ver o processo em funcionamento. Os turnos de demonstração acontecem às dez horas e às quatorze horas, segunda a sexta. Nos fins de semana, as oficinas abrem livremente e você consegue conversar com os ceramistas. Eles costumam ser pessoas da região que aprenderam a técnica com avós ou pais. A produção é pequena, feita em fornos a lenha, e cada peça leva em média quatro dias para sair do forno com qualidade aceitável. Há uma exposição temporária que muda a cada quatro meses. A última mostrava azulejos recuperados de igrejas demolidas no sul de Minas Gerais, trazidos por uma iniciativa da Fundação Cultural de Pouso Alegre. O curador explicou que a maioria das peças encontradas estava danificada pela umidade e por limpeza agressiva com ácidos durante reformas dos anos setenta. Restaram intactas apenas aquelas que estavam embutidas em reboco original. Isso é um detalhe importante que poucos visitas percebem.
O museu também mantém um arquivo fotográfico com cerca de cinco mil imagens documentando a arquitetura colonial de São Francisco do Sul e cidades vizinhas. O acervo está disponível para consulta agendada pelo site oficial. A documentação é organizada cronologicamente e por tipo de edificação, mas o sistema de busca ainda é manual. Você precisa ir pessoalmente ou enviar um e-mail solicitando o período de interesse. A equipe responde em dois dias úteis no máximo.
Problemas práticos que eu enfrentei e como resolvi
No ano passado, fui fazer uma visita técnica para registrar as placas de interpretação do museu e descobri que o texto sobre a oficina de olaria estava desatualizado. A informação dizia que o forno era a gás, mas na realidade eles converteram para lenha em 2021. Pedi a atualização no setor de atendimento e recebi um prazo de trinta dias para a correção. Como eu precisava da informação no ato, tirei fotos próprias das peças com os rótulos corretos e anotei as informações técnicas que encontrei conversando com o mestre oleiro, um homem chamado José Darci que trabalha no local há mais de trinta anos. A correção oficial saiu apenas quatro meses depois, quando o museu recebeu verba do fundo municipal de cultura. Outro detalhe que nunca aparece nos guias turísticos é o problema de acesso para cadeirantes. O terreno tem três níveis com escadas íngremes e o museu oferece apenas uma rampa improvisada na entrada lateral que muitos visitantes não veem porque a sinalização é inexistente. Se você ou alguém do grupo tiver mobilidade reduzida, avise na bilheteria que eles mostram o caminho correto. Não depende de pedir. Basta mencionar na hora da compra do ingresso. Também observei que a iluminação das galerias externas é ruim para fotografia. O museu não permite tripés sem autorização prévia. Eu levava um flash externo e conseguia boas fotos em momentos de pouca agitação. Entre dez e onze da manhã e das quinze e trinta às dezesseis e trinta, há menos público e a luz é mais amena. Se você tem equipamento fotográfico profissional, evite os horários de almoço e os finais de tarde de sábado, que são os mais movimentados.
O que não contam sobre a visitação
O museu é pequeno. Uma visita completa, sem pressa, leva aproximadamente quarenta e cinco minutos. Se você quiser assistir à demonstração da olaria e almoçar no local, reserve duas horas. Não planeje passar mais tempo do que isso. Há poucas coisas para fazer além do acervo de azuleiros, da oficina e do pátio. A loja de souvenirs é básica e tem preços similares aos encontrados em outras lojas turísticas da região, então não há motivo para comprar lá se você já viu os mesmos produtos em outro lugar. A sinalização interna é deficitária. As placas indicativas estão em português apenas e algumas estão desgastadas pelo tempo. Não há áudio-guias disponíveis. Se você quiser informações mais detalhadas sobre as peças, precisa ler as plaquetas de explicação que estão fixas nos muros ou conversar com os funcionários. Eles são prestativos, mas nem sempre falam inglês ou espanhol. O nível de conhecimento varia de acordo com a equipe de plantão naquele dia. Um aspecto que poucos mencionam é a questão dos animais. O museu permite pets pequenos na área externa, desde que estejam na coleira. No interior das galerias cobertas, não é permitido. Isso pode gerar confusão nos finais de semana, quando os visitantes trazem cachorros sem saber da regra. Fique atento ao aviso na entrada.

Alternativas e complementos na cidade
São Francisco do Sul tem outros pontos históricos visitar nas proximidades. A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição fica a três quarteirões da Casa das Telhas e tem um teto azulejado do século XVIII que é um dos poucos exemplos preservados no estado. A casa onde nasceu o padre José de Anchieta também é visitável, embora o acervo seja modesto. O Farol de Santa Cruz, a doze quilômetros do centro, oferece uma vista boa da baía e funciona como posto de observação de aves migratórias nos meses de setembro e outubro. Se o seu interesse é especificamente azulejaria portuguesa, existem coleções semelhantes no Museu do Azulejo de Lisboa, que é muito maior e tem clima controlado, mas viajar até Portugal é inevitavelmente mais caro e demorado. Para uma introdução regional, a Casa das Telhas cumpre o papel, desde que você vá com a expectativa certa e sem pretensão de encontrar um museu de grande porte. A prefeitura da cidade tem um aplicativo chamado “São Francisco do Sul Tours” que mostra trajetos pedestres entre os principais pontos históricos. O app funciona offline, o que é útil porque o sinal de celular no centro histórico é irregular. Baixe antes de sair de casa. O APK está disponível no site oficial da secretaria de turismo, mas a versão para iOS exige que você acesse a App Store usando uma conta brasileira. Se você tem uma conta estrangeira, isso pode ser um transtorno.
O lugar funciona bem como parada de meio dia numa viagem pelo litoral catarinense. Não é o principal motivo para ir a São Francisco do Sul, mas vale a pena se você já estiver na cidade ou passageando pela SC-438. A entrada de oito reais é um preço justo considerando o que há para ver. O que realmente atrapalha a experiência é a falta de planejamento de visitação por parte dos órgãos públicos. A manutenção das instalações acontece de forma reativa, não preventiva. Telhados que vazam, placas soltas e bancos quebrados são consertados só quando alguém reclama. Isso é comum em museus municipais pequenos do interior.
Galeria
-
Casa das Telhas (@casa.das.telhas) • Instagram photos and videos -
Casa das Telhas (@casa.das.telhas) • Instagram photos and videos -
CASA DAS TELHAS E TIJOLOS 🏠🧱 (@casadastelhasetijolos) • Instagram ...