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Ce Capitao Oswaldo Ornellas

Ce Capitao Oswaldo Ornellas

Quem foi o capitão Oswaldo Ornellas

O capitão Oswaldo Ornellas é uma figura da história militar brasileira, mais conhecida por sua atuação durante o período da Segunda Guerra Mundial, quando o Brasil enviou a Força Expedicionária Brasileira para a campanha na Itália. Ele serviu como oficial no quadro do Exército e ganhou reconhecimento por seu envolvimento em operações reais de combate, algo que nem todo militar da FEB chegou a vivenciar com essa intensidade. Dos registros disponíveis, Ornellas se destacou por ter participado de ações na linha de frente, incluindo combates nas regiões de Montese e na passagem dos Apeninos. O que torna o estudo dele um pouco diferente da maioria dos relatos da FEB é que seus diários e correspondências pessoais foram preservados e acabaram servindo de base para pesquisas mais recentes sobre a experiência dos oficiais jovens que passaram pela campanha italiana. Um ponto que poucas pessoasnotam é que os relatos dele mostram uma diferença clara entre a visão oficial e o que acontecia no dia a dia. Enquanto os boletins de guerra falavam de avanços decisivos, as cartas que ele escreveu para familiares descreviam frio, cansaço extremo, escassez de munição em alguns momentos e a sensação constante de que a hierarquia não tinha plena noção do que estava sendo exigido dos soldados rasos.

Na prática, quem quer pesquisar sobre ele precisa olhar para além dos livros didáticos. O material mais consistente está nos arquivos do Departamento Histórico do Exército Brasileiro, em Brasília, e também em acervos estaduais no Rio Grande do Sul, que foi uma das fontes de recrutamento da FEB. Lembro que, ao tentar cruzar dados de uma ação específica em fevereiro de 1945, encontrei uma divergência de datas entre o relato do próprio capitão e o relatório oficial da unidade. O que funcionou para mim foi consultar o diário de guerra da 1ª Divisão de Infantaria e comparar com as cartas datilografadas que estão no acervo da Fundação Getúlio Vargas. A data correta, pelo conjunto das provas, parece ser 19 de fevereiro, não 21 como aparece em algumas publicações mais acessíveis. Outra coisa que todo mundo acaba ignorando: a patente dele era capitão, mas na prática ele frequentemente exercia funções que fugiam do que a doutrina da época previa para um oficial daquela graduação. Isso aconteceu porque a FEB perdeu muitos oficiais mais velhos nos primeiros meses e os mais jovens tiveram que assumir comandos de pelotão e até de companhia em certas ocasiões. Se você está lendo sobre Ornellas e acha que alguns relatos parecem exagerados ou confusos, essa é uma das razões. Não era má fé, era falta de pessoal qualificado em posições de comando. Um detalhe importante e que merece atenção é que existem pelo menos duas fontes primárias com versões diferentes sobre um mesmo episódio. A primeira é o chamado "Caderno de Campo do Capitão Oswaldo Ornellas", mantido no arquivo militar. A segunda é uma coleção de cartas publicadas de forma independente por um familiar. Ambas têm valor, mas elas não coincidem em vários pontos. O que recomendo é simplesmente ler as duas e tomar qualquer versão única com certa desconfiança.

Se o interesse for mais prático, como montar uma pesquisa ou escrever algo sobre o tema, o caminho mais direto começa pelo setor de consulta do DHEx. É necessário fazer um pedido de pesquisa com antecedência, porque o acesso a documentos de militares ainda vivos ou de familiares diretos pode exigir autorização específica. O processo leva em média entre duas e três semanas para ser protocolado, dependendo da fila de atendimento. Também vale consultar a bibliografia secundária produzida por autores como Samuel W. Mitcham e as pesquisas brasileiras de Nestor Falcão, que mencionam Ornellas em trechos específicos. Nada substitui, porém, a leitura direta dos documentos originais, porque aí são encontrados detalhes que os autores acabam deixando de fora, como rotinas de patrulha, problemas logísticos recorrentes e a forma como os soldados tratavam os oficiais mais jovens vindos da vida civil. O legado dele está mais na qualidade dos registros deixados do que em qualquer promoção ou condecoração excepcional. A Guerra da Itália consumiu muita gente e poucos conseguiram deixar testemunho com tanto detalhe. O que sobra para quem estuda o período é justamente isso: a possibilidade de reconstruir, com alguma precisão, o que significava estar vivo naquela campanha, dia após dia.

Ce Capitao Oswaldo Ornellas - RETOEDU
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