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Celulas Glandulares Endocervicais Presentes

Celulas Glandulares Endocervicais Presentes

O que significa relatar células glandulares endocervicais em um exame de papanicolau

Quando o laudo citopatológico menciona celulas glandulares endocervicais presentes, isso indica que a amostra colheu material do canal endocervical. Não é uma anomalia por si só. É um marcador de qualidade da coleta, muitas vezes. O problema é que o pathologista precisa decidir se aquelas células estão apenas ali como conteúdo normal da amostra ou se representam uma lesão glandular propriamente dita. A citologia ginecológica segue o Sistema de Bethesda. Dentro dele, existem categorias específicas para as células glandulares que não são simplesmente "presentes e normais". A primeira coisa a se notar é a diferença entre "células glandulares endocervicais normais" e "células glandulares atípicas". São coisas completamente diferentes no manejo clínico, mas na prática do dia a dia em laboratório, às vezes a linha fica turva dependendo da qualidade do preparo e da fixação.

Interpretação de celulas glandulares endocervicais presentes no laudo

Na maioria dos laudos que vejo no cotidiano, a frase aparece assim: "Presentam-se células glandulares endocervicais em contexto de epitelio escamoso normal". Isso é um achado de amostra adequada, ponto. O endocervix está sendo representado na lamínula. Significa que a escovinha ou o espeto chegou lá dentro e trouxe células colunares. É bom. Indica que a transição escamocolumnar foi alcançada durante a coleta. Mas já me deparei com casos onde o relatório só dizia "celulas glandulares endocervicais presentes" sem qualificação, e o caso precisava de reavaliação porque não estava claro se aquelas células tinham alterações nucleares sutis. Células glandulares têm núcleo maior que células escamosas parabasais, então comparar tamanho isolado não funciona. Você precisa olhar a relação nucleo-citoplasmática, a texturização da cromatina e a arquitetura do agrupamento. Grupos em rosácea com centralização nuclear são típicos de endocervix benigno. Grupos compactos com crowding e perda de polaridade pedem atenção redobrada. Um detalhe que poucos iniciantes consideram: a presença de células glandulares endocervicais não exclui lesão escamosa. Pode ter as duas coisas simultaneamente. Já vi laudos que focavam tanto nas células glandulares que perderam uma LSIL discreta nas bordas do material escamoso. Revise sempre todas as áreas da lâmina, não apenas os campos mais evidentes.

Outro ponto prático importante é a diferença entre endocervix e endometrio. Células endometriais podem aparecer em lâminas, especialmente em mulheres acima dos 40 anos ou em uso de Tamoxifeno. Se você vê células glandulares com aspecto de endométrio num esfregaço de rotina, o caminho é reportar como células glandulares de origem desconhecida e sugerir avaliação clínica para descartar hiperplasia ou neoplasia endometrial. Não assuma que é tudo benigno baseado apenas na aparência citológica isolada. Quando o laudo indica NEGS — neoplasia endocervical glandular — o manejo é diferente. HSIL glandular e AIS (adenocarcinoma in situ) exigem colposcopia com biópsias dirigidas e, frequentemente, conização diagnóstica. O risco de subestimar uma lesão glandular é alto porque essas alterações são frequentemente endocanais, ou seja, ficam mais para dentro do canal cervical, fora do campo de visão direto da colposcopia convencional. LCE — lesão celular escamosa endocervical — também tem implicações sérias, embora seja menos frequente. Se você está lidando com isso pela primeira vez no laboratório, o mais seguro é pedir segunda opinião em qualquer caso de células glandulares com atipia indeterminada. A sensibilidade da citologia para lesões glandulares é notoriamente menor que para lesões escamosas. Estudos mostram que a sensibilidade gira em torno de 40 a 60% para AGC, contra algo em torno de 85 a 90% para lesões escamosas. Isso quer dizer que um laudo normal não descarta completamente uma lesão glandular subjacente, especialmente se o paciente tiver fatores de risco ou manutenção de sintomas.

Células Glandulares Endocervicais Presentes No Papanicolau - RETOEDU
Células Glandulares Endocervicais Presentes No Papanicolau - RETOEDU

Na prática, quando encontro celulas glandulares endocervicais presentes em número baixo e sem atipia, reporto como amostra adequada para interceptação, sem necessidade de acompanhamento adicional baseado apenas nesse achado. Quando há alterações, o laudo precisa ser preciso na classificação e orientar o passo seguinte. Vaguidade no laudo é o que mais causa tanto problemas quanto falta de informação. Umlaudo mal formulado gera ansiedade desnecessária no paciente e consultas de retorno que poderiam ter sido evitadas com uma descrição mais clara. O mais importante é entender que celulas glandulares endocervicais presentes é, na grande maioria das vezes, um achado esperado e aceitável. O perigo está nos casos em que a presença dessas células mascara uma alteração mais séria ou quando elas próprias têm características que fogem do padrão benigno. Revisar o contexto clínico da paciente, questionar padrões duvidosos e não ter pressa ao avaliar cada campo da lâmina é o que separa um laudo confiável de um que passa algo importante.