Celulas Tecido Epitelial
O que você precisa saber na prática
Tecido epitelial é um dos quatro tipos básicos de tecido animal e ele reveste superfícies internas e externas do corpo. As células que o compõem são justoapositadas, com pouco material extracelular entre elas, e formam camadas contínuas que funcionam como barreira seletiva. Quando se fala em celulas tecido epitelial, o mais importante não é a classificação de livro didático, mas entender como elas se comportam quando você precisa analisar uma amostra real sob o microscópio ou interpretar um laudo anatopatológico. As células epiteliais se dividem basicamente conforme o formato e o número de camadas. No epitélio simples, há apenas uma fileira de células. Se forem achatadas, são cuboides e se forem alongadas, são ciliadas. No estratificado, há várias camadas e o formato da célula mais superficial define o nome. As células caliciformes, presentes no epitélio intestinal e respiratório, produzem muco e são fáceis de identificar com coloração de PAS. As células de Langerhans, encontradas na epiderme, são células dendríticas do sistema imune e não são verdadeiras queratinócitas, algo que causa confusão frequente. Células mioepiteliais são outro caso que muitas pessoas ignoram. Elas existem em glândulas sudoríparas, mamárias e salivares, possuem contração voluntária e auxiliam na expulsão de secreções. Se você estiver analisando uma biópsia de mama e não as perceber, pode subestimar a arquitetura do tecido e perder detalhes relevantes para o diagnóstico.
Como preparar uma lâmina de tecido epitelial
A fixação é o passo mais crítico. O formol tamponado a 10% é o padrão, mas o tempo importa demais. Uma amostra fina de mucosa gástrica leva cerca de 6 a 12 horas em fixação adequada. Se deixar secar antes de fixar, ou fixar por menos de 6 horas, a morfologia celular já se degrada e as colorações afterward ficam ruins. Já vi peças cirúrgicas pequenas ficarem mal fixadas porque o patologista solicitou urgência e a amostra entrou em processamento acelerado, resultando em artefatos de contração que pareciam displasia quando na verdade eram apenas artifatos de fixação. Depois da fixação, a inclusão em parafina segue o protocolo padrão de desidratação em série alcoólica, clarificação em xileno e impregnação em parafina fundida. O corte com micrótomo fica ideal entre 4 e 5 micrômetros para a maioria dos epitélios. Cortes mais grossos distorcem a relação núcleos-citoplasma e dificultam a avaliação de atipias. A coloração de hematoxilina-eosina segue com desparafinização em xileno, reidratação em álcool decrescente e água, corantes e cobertura com resina.
Como ler e interpretar essas células
A arquitetura define muito. Em um epitélio pseudoestratificado, os núcleos estão em alturas diferentes, mas todas as células tocam a membrana basal. Isso engana iniciante. A primeira coisa que eu faço ao receber uma lâmina de epitélio respiratório é verificar se há cílios e se os núcleos realmente parecem flutuar em níveis variados. A presença de muco no lume ajuda a confirmar. No epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado, como no esôfago, a camada superficial é plana e úmida. Na queratinizada, como na pele, a camada córnea é visível e formada por células anucleadas compactadas. Isso muda completamente a interpretação de inflamação crônica. Um espessamento da camada queratinizada pode indicar hiperqueratose, enquanto a perda dessa camada sugere atrofia ou processo inflamatório agudo. Quando avalio displasia, olho primeiro para o polarity nuclear. Em células normais, o núcleo fica orientado perpendicularmente à membrana basal. Na displasia, os núcleos perdem essa orientação, ficam hipercrômicos e aumentam o índice nucleocitoplasmático. A graduação da displasia depende da proporção da espessura epitelial que apresenta essas alterações. Displasia leve ocupa o terço inferior, moderada até dois terços e grave preenche quase toda a espessura, carcinoma in situ.

Erros comuns que eu já vi acontecerem
O mais frequente é confundir artefato de corte com verdadeira patologia. Rebordo de corte, rugas na parafina e fenda artificial são clássicos. Para evitar isso, corte seções mais finas, use faca nova e inspecione a lâmina antes de corar. Outro erro é interpretar inflamação crônica como neoplasia. Linfócitos e plasmócitas infiltrados no epitélio são comuns em gastrite crônica por H. pylori, mas a presença de células atípicas com mitoses irregulares e Architecture disrupta é que sugere malignidade. A diferença é sutil e exige prática. Eu já tive um caso em que o epitélio vaginal de uma paciente pós-menopausa apresentava células com núcleos grandes e claras, parecendo displasia grave. Na verdade, era efeito de atrofia com mudanças reacionais e o paciente não tinha displasia. A solução foi pedir coloração de Immunohistoquímica para marcadores de proliferação, como Ki-67, e verificar se a atividade mitótica estava restrita às camadas basais, como é normal na atrofia, ou espalhada, como na neoplasia.
Quando a coloração convencional não basta
Imuno-histoquímica resolve muitos casos ambiguos. O marcador CK7 marca epitélios glandulares e de revestimento de órgãos internos. O CK20 marca epitélio gastrointestinal e urotelial. A combinação CK7 positivo e CK20 negativo, por exemplo, é típica de carcinoma de pulmão ou mama, enquanto a inversa é comum em carcinoma colorretal. O p63 marca células basais do epitélio pavimentoso e é útil para confirmar a presença de uma camada basal em lesões suspeitas de carcinoma espinocelular. O TTF-1 é outro marcador essencial para carcinoma pulmonar e tireoidiano. A TTF-1 positiva indica origem primitiva nesses tecidos. Se a lesão metastática for positiva para TTF-1 e CK7, a probabilidade de ser primária do pulmão é alta. Esse painel básico reduz significativamente o tempo de diagnóstico diferencial e evita biópsias desnecessárias.
Limitações que ninguém conta
O tecido epitelial é sensível demais para alguns protocolos. Amostras pequenas, como raspados citológicos, não passam pelo processamento de parafina completo e precisam de citologia líquida ou preparado direto. A citologia de líquido cefalorraquidiano, por exemplo, exige leitura imediata porque as células se degradam rapidamente. Fios de cabelo e unhas, que são tecido epitelial queratinizado, não coram bem com HE padrão e precisam de técnicas especiais, como coloração de Fontana-Masson para melanina. A biópsia incisional versus excisional também faz diferença. Biópsias incisionais menores têm maior chance de artefato de compressão, que distorce a arquitetura glandular e pode simular invasão. Nesses casos, eu recomendo repetir a biópsia com técnica diferente ou usar marcadores de membrana basal, como colágeno tipo IV e laminina, para confirmar se há real invasão ou apenas compressão. O conhecimento sobre celulas tecido epitelial exige prática contínua. Cada órgão tem sua variação anatômica e cada patologia altera a aparência das células de forma específica. A teoria é útil, mas a leitura diária de lâminas é o que realmente constrói a expertise. Se você está começando, peça para revisar lâminas conhecidas antes de analisar casos difíceis. A comparação ativa acelera o aprendizado muito mais do que a memorização isolada de definições.

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