Chico Buarque Jovem
O que é o período jovem da produção de Chico Buarque
O chamado periodo jovem de Chico Buarque corresponde roughly as suas producoes entre 1978 e 1986, quando ele mergulhou em arranjos mais eletronicos, batidas mais modernas e uma estetica pop que contrastava fortemente com o MPB organica dos anos 70. O som resultante e meio estranho de se ouvir hoje em dia. Tem aquela energia de studio que so aparecia quando artistas brasileiros resolveram que precisavam competir com o mercado international. Faixas como "A Banda", "Menino Boy", "Joana" e o album "Chico Buarque" de 1978 capturam exatamente esse momento. Depois disso ele voltou gradualmente para um terreno mais organico. Se voce quer construir uma playlist ou estudar esse periodo, o caminho mais direto e pegar os albums "Chico Buarque" (1978), "Índios" (1976, que ja aponta pra essa direcao), "Metálica" (1979) e "Miudinho" (1983). A sequencia cronologica faz sentido porque voce percebe a transicao. Comeca com a transicao suave e vai para algo mais radical. O problema e que algumas dessas obras nao estao disponiveis em todas as plataformas de streaming com a qualidade original. Eu tentei montar uma lista no Spotify e percebi que pelo menos tres faixas tinham versoes alternativas, muitas vezes pior masterizadas, então acabei cruzando com os CDs originais da EMI-Odeon para comparar. Dica pratica: se voce for baixar faixas para analise, prefira ripar dos CD originais do que confiar nos arquivos FLAC que circulam na internet. Existem compressoes que mataram os agudos dos sintetizadores desses albums e o resultado fica sem aquele brilho caracteristico que esses arranjos tinham originalmente.
Analise do som e da producao
A producao desses albums foi feita com uma equipe diversa. Alguns trabalhos tiveram participacao de Paulinho da Viola, outros contaram com arranjadores como Roberto Menescal e Luiz Eca. O ponto central e que esses discos mesclam instrumentos eletronicos com cordas e sopros de maneira que nem sempre funciona com sucesso. E facil identificar uma faixa que funciona bem e outra que so sobrevive pela letra. O album "Metálica" de 1979 merece atencao especial. A capa ja indica a proposta: sintetizadores em primeiro plano, percussao seca, batidas que antecipam o que a Europa faceva com new wave. O problema e que alguns critics da epoca acharam que era uma trapaça. Na realidade, nao era. Era um artista tentando evoluir dentro de um mercado que mudava rapido. Um detalhe tecnico que as pessoas costumam perder: as camadas de sintetizador nos Albums desse periodo frequentemente usavam oarppeggiators e sequenciadores analogicos da Roland e do Moog. Se voce for analisar as faixas com um DAW, vai perceber que muitos dos pads e linhas de baixo sao gerados por esses equipamentos e nao por instrumentos acusticos. Isso explica por que algumas dessas melodies tem aquela qualidade fria e ao mesmo tempo calorosa.
O lado pratico de trabalhar com esse material
Caso voce seja musico ou produtor e queira recriar ou samplear esse periodo, existem alguns pontos de atencao. Primeiro, a maioria das gravacoes foi feita em fita analogica antes da transicao para o digital. Isso significa que ha aquele ruído de fundo caratteristico e uma dinamica que os arquivos digitais modernos muitas vezes achatam. Quando eu tentei samplear um trecho de "Joana" para um projeto proprio, o ruido de fundo da fita ficou muito evidente e tive que fazer um processo de noise reduction que acabou prejudicando a transparencia do sintetizador original. A solucao foi isolar apenas as frequencias graves e deixar o ruido passar junto, o que na verdade deu um tom mais autentico ao sample. Segundo, se voce esta tentando executar as musicas ao vivo, a maior dificuldade esta nos arranjos originais. Muitos deles dependem de camadas sintetizadas que hoje em dia seriam impossiveis de reproduzir fielmente com os mesmos instrumentos. A opcao mais comum e simplificar os pads e focar na linha melodia principal. Funciona, mas voce perde a textura que era parte essencial da obra.

Quais albums realmente valem a pena ouvir com atencao
Nao adianta fingir que todos os albums desse periodo sao igualmente bons. "Índios" tem moments genial, mas tambem tem faixas que parecem rascunhos. "Miudinho" de 1983 e mais interessante do que a critica da epoca deu credito. O album tem uma abordagem mais intimista que antecipa o que ele faria nos anos 90. "Chico Buarque" de 1978 funciona como ponte entre o passado e o futuro. Ja "Metálica" e o disco mais arriscado e o que mais mostra a vontade de Chico de se reinventar. Se voce quer realmente entender o periodo, a melhor estrategia e ouvir os albums na ordem correta, prestando atencao as transicoes. Nao adianta pular faixas. A progressao de cada album foi construida com cuidado e perder momentos chave distorce a percepcao do que estava acontecendo.
O legado desse periodo na discografia de chico buarque jovem
O legado dessa fase e complicado de mensurar. Por um lado, muitos desses albums foram subestimados na epoca e ganharam releitura critica anos depois. Por outro, ha uma parte do publico que simplesmente rejeita esse periodo e prefere focar nas obras mais organicas. Eu pessoalmente acredito que ignorar essa fase e um erro. Ela mostra um artista disposto a arriscar, a errar, a experimentar. Isso e mais valioso do que uma discografia perfeccionista e previsivel. Na pratica, o que resta sao as gravacoes originais, os estudos que poucos fizeram e a curiosidade de quem quer entender como um compositor tao respeitado entrou nesse terreno pop dos anos 80. O material esta ai para ser ouvido, analisado e reapreciado. Nao precisa gostartudo, mas e necessario reconhecer que esse periodo fez parte de um momento importante na musica brasileira. A disponibilidade em plataformas digitais ainda e irregular. Algumas faixas aparecem em compilacoes, outras somem. Se voce quer ter acesso de forma confiavel, a melhor opcao continua sendo adquirir os CDs originais ou buscar as versões em vinil, que frequentemente tem mixagens diferentes e mais fiéis ao trabalho original de estúdio.
Galeria
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