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Cinderela Filme Da Disney

Cinderela Filme Da Disney

O filme que todo mundo conhece mas poucos conseguem assistir direito

cinderela filme da disney é um dos lançamentos mais antigos da Disney, lançado em 1950. É o primeiro longa-metragem de animação da empresa após a era do desenho de Betty Boop e antes da avalanche de sequências que viriam depois. A história é simples: menina maltratada pela madrasta e irmãs, fada madrinha aparece, vira princesa na festa, perde o sapato e o príncipe acha ela no final. O problema principal que as pessoas enfrentam hoje em dia é simples: o filme não está disponível de forma isolada na maioria das plataformas. Ele fica preso dentro do Disney+ como parte do catálogo padrão, e se você mora no Brasil, pode não ter acesso por questões de licenciamento regional. Eu descobri isso na prática quando tentei assistir com minha sobrinha e a conta da Disney+ brasileira simplesmente não carregava o título. O workaround foi entrar num plano familiar com alguém nos Estados Unidos e compartilhar a sessão simultânea. Funciona, mas é gambiarra. Se você quer uma cópia física, existem edições em DVD e Blu-ray, mas cuidado com as press releases. A "edição do 60º aniversário" que saiu em 2010 tem compressão de vídeo ruim pra caramba. Eu comprei achei que era upgrade e fiquei decepcionado. O melhor que eu encontrei até hoje é a edição de 2021 em 4K, que realmente melhora a nitidez sem estragar as cores originais da animação.

O que ninguém te conta sobre a animação

A maioria das pessoas que assiste hoje em dia acha que o filme é "bonitinho mas simples". O que elas não percebem é que o animador dominante das cenas da Cinderela — a Marc Davis — tinha um estilo completamente diferente do Clyde Geronimi, que dirigia as cenas da madrasta e das irmãs. O resultado é um filme que parece ter duas direções artísticas coladas. As cenas com a Cinderela sozinha ou com o príncipe têm um fluxo mais orgânico, mais fluido. As cenas da madrasta são mais rígidas, mais teatrais. Isso não é erro de produção. Era intencional, mas quem assiste agora não nota porque não tem contexto. Outro detalhe que poucas pessoas conhecem: a fada madrinha foi originalmente animada por Wolfgang Reitherman, que depois dirigia os filmes mais sombrios da Disney nos anos 70. A versão final acabou sendo redefinida por Hamilton Luske, que tornou a fada mais fofozona do que o conceito original. Se você observar os storyboards preliminares do Disney Archive, a fada era mais esguia, mais misteriosa. A mudança foi feita porque o estúdio achou que crianças não reagiriam bem a uma figura materna ambígua.

Pegadinhas técnicas que atrapalham a experiência

O áudio do filme original foi mixado em mono. Quando você assiste no Disney+ hoje, ele passa por um upmix automático que tenta transformar em estéreo, mas o resultado é estranho em alguns momentos. Eu já lixei isso assistindo no home theater: as vozes ficam deslocadas, especialmente na cena da transformação, onde o som da varinha parece estar vindo de um lugar errado. A solução mais práctica é procurar uma versão em DVD original (não as remasterizadas) e deixar o som em mono mesmo. Soa mais correto e mais próximo da intenção original. Tem ainda o problema do tempo de execução. A versão original tem 74 minutos. Já as versões remasterizadas para streaming às vezes entram com extras que distorcem a experiência. Eu prefiro sempre começar do zero, sem menus, direto no filme. Se a plataforma deixar, senão tem que fechar a aba e entrar de novo.

Filme Da Cinderela Na Vida Real Além Da Disney: Conheça As Versões
Filme Da Cinderela Na Vida Real Além Da Disney: Conheça As Versões

Quando não vale a pena assistir

Se você está buscando algo moderno, animação hiper-detalhada tipo Moana ou Frozen, esse filme vai parecer lento e simples. Não é fraco. É apenas do seu tempo. A Disney dos anos 50 tinha um orçamento apertado porque estava saindo de uma fase difícil financeiramente. Isso significa que muitos cenários são pintados em fundo plano, e os movimentos dos personagens são mais limitados do que os de filmes posteriores. Você não vai encontrar a mesma riqueza visual de A Bela e o Feio ou Mulan. Para quem quer entretenimento pesado, talvez seja melhor pular e ir direto para Os 101 Dálmatas ou A Sereiazinha, que são da mesma era mas com orçamentos maiores. Se seu objetivo é nostalgia ou introduzir uma criança ao clássico, funciona bem. Se quer análise cinematográfica séria, há materiais melhores disponíveis, como os documentários do Disney Archives ou os livros do Chris Welch sobre a história da animação da Disney.