Classificação De Jurandyr Ross
Como fazer classificação de solo no campo usando a classificação de Jurandyr Ross
A classificação de jurandyr ross é amplamente utilizada no Brasil para mapeamento geotécnico e ambiental. O método divide os solos em classes texturais com base na porcentagem de areia, silte e argila, mas existem detalhes práticos que a maioria dos livros não ensina. Jurandyr Ross adaptou a classificação do USDA para a realidade brasileira, considerando especialmente os solos tropicais com alta presença de argilas ativas e minerais intemperizados. O sistema define três classes principais: Arenoso, Medium (Médio) e Argiloso. Cada uma possui faixas específicas de teor de areia, silte e argila. O triângulo textural original do USDA foi modificado para refletir melhor o comportamento dos solos da Amazônia e do Cerrado. Por exemplo, na classificação de Jurandyr Ross, um solo com 70% de areia pode ainda ser classificado como medium se o teor de argila for superior a 15%, algo que no USDA seria considerado arenoso.
Para aplicar o método manualmente, você precisa dos dados granulométricos obtidos por análise laboratorial. O processo usual envolve pesagem seca, dispersão química com peróxido de hidrogênio e hidróxido de sódio, sedimentação por pipetagem ou analisador de partículas, e secagem das frações para contagem. Isso leva de 8 a 12 horas dependendo da quantidade de amostras. No campo, muitos profissionais cometem o erro de estimar a textura pelo tato sem confirmação laboratorial. A estimativa visual funciona bem para diferenciação grossa entre argiloso e arenoso, mas falha quando há variação sazonal de umidade ou presença de matéria orgânica. Eu já vi projetos inteiros de manejo de bacias serem comprometidos porque a textura foi subestimada em áreas de transição.
Passo a passo prático para classificação
Comece coletando amostras representativas. Para cada unidade de mapeamento, pegue pelo menos três subamostras nos primeiros 20 centímetros de profundidade. Misture bem em um balde limpo e seque à sombra. O secador elétrico pode alterar a estrutura agregada de solos argilosos, então evite temperatura acima de 50 graus Celsius. Realize a análise granulométrica completa. Use dispersante sodium hexametaphosphate na concentração de 4%. A tempos de sedimentação seguem a lei de Stokes modificada para temperatura ambiente de 20 graus. Se o laboratório não tiver controle térmico, aplique correção de viscosidade para cada grau de diferença. Depois de ter os percentuais, plote no diagrama triangular da classificação de Jurandyr Ross. O triângulo tem vértices para areia (0 a 100%), silte (0 a 100%) e argila (0 a 100%). As linhas de separação entre classes são diferentes do USDA original. A linha que separa arenoso de medium na classificação de Ross está em torno de 65% de areia quando a argila é inferior a 12%, mas sobe para 75% quando a argila atinge 20%.

Um detalhe importante que muitos ignoram: a presença de cascalho e pedregulho acima de 5% do peso seco exige correção. Subtraia essa fração granular do total e recalcule as porcentagens das frações finas. Se não fizer isso, solos grossos serão classificados incorretamente como mais argilosos do que realmente são. Em minha experiência com mapeamento de susceptibilidade a erosão no Vale do Paraíba, encontrei um problema específico com solos lítlicos rasos. A camada ativa tinha menos de 30 centímetros e abaixo vinha a rocha sã. A classificação padrão sugeria uso agrícola moderado, mas a profundidade efetiva era insuficiente para culturas anuais. A solução foi combinar a classificação textural com dados de profundidade real e coeficiente de permeabilidade. Sozinha, a classificação de solo não captura restrições físicas críticas.
Pegadinhas comuns e como evitar erros
O erro mais frequente é confundir a classificação de Jurandyr Ross com a do Ministério da Agricultura. A versão do MAPA segue praticamente o USDA original, enquanto a de Ross tem ajustes específicos para solos brasileiros. Usar o diagrama errado pode trocar uma classe argilosa por medium em até 25% dos casos em solos do Cerrado. Outro problema é a interpolação gráfica manual. Olhos cansados leem linhas erradas no triângulo. Use software específico ou planilhas com cálculo automático baseado nas coordenadas triangulares. A precisão melhora de +/- 5% para +/- 1% na determinação da classe. Solos com alta atividade de argila, como those rich in smectite, apresentam comportamento retiliano diferente no triângulo. A fração argila nesse caso não é homogênea e a classificação puramente textural não reflete a plasticidade real. Nesses casos, adicione o índice de compressibilidade ou o teor de matéria orgânica como variável complementar.
Quando a classificação não funciona
Existem situações em que a classificação de Jurandyr Ross perde utilidade prática. Solos orgânicos, histossolos e substornos com muita serapilheira em decomposição devem ter o teor de carbono orgânico medido separadamente. A classificação textural não considera a presença de matéria orgânica, então solos ricos em húmus podem ser classificados como argilosos mesmo tendo estrutura frágil. Também funciona mal em solos com alta concentração de óxidos de ferro e alumínio, típicos de latossolos muito intemperizados. Nessas condições, a textura aparente no campo difere da análise de laboratório porque os agregados estão cimentados por óxidos. A dispersão química quebra esses agregados artificialmente, superestimando a fração argila real. Para esses casos extremos, recomendo complementar com classificação estrutural ou usar o sistema de classes de manejo do EMBRAPA, que integra textura, profundidade, drenagem e risco de compactação. A classificação de Ross sozinha cobre cerca de 70% das situações de mapeamento ambiental no Brasil, mas os 30% restantes exigem variáveis adicionais.
Como documentar e padronizar resultados
Registre sempre a data de coleta, profundidade, cor Munsell, relevo e vegetação associada. A classificação textural é apenas um dos atributos do solo. Sem contexto, um ponto no triângulo não tem significado prático para tomada de decisão. Para relatórios técnicos, inclua foto da amostra in Natura, foto da cut de laboratório, e tabela com percentuais brutos. A transparência nos dados permite verificação posterior e comparação temporal. Projetos de longo prazo ganham valor significativo quando os resultados de classificação são padronizados. Se precisar revisar dados antigos ou converter entre classificações, o software Sisplat da EMBRAPA permite intercâmbio entre os sistemas MAPA, USDA e Ross. O arquivo de entrada pede apenas os percentuais de cada fração e o teor de cascalho. A conversão automática evita erros manuais de interpolação.
Galeria
-
Geografia e Atualidades: Jurandyr Ross e a classificação do relevo ... -
(UDESC 2017/2)De acordo com a classificação do relevo brasileiro, de ... -
Fórmula Geo: Atividade: Unidades do relevo brasileiro (Classificação de ...