Classificação Do Relevo Brasileiro Aziz Ab'saber
Classificação do Relevo Brasileiro de Aziz Ab'Saber
A classificação do relevo brasileiro aziz ab'saber é um dos sistemas mais usados em geografia física no Brasil. Ela divide o território com base em estrutura geológica, idade das rochas e dinâmica dos processos erosivos, e não apenas em altitude ou forma. Isso faz diferença prática quando você está olhando mapas e tentando entender por que uma área plana e outra acidentada estão lado a lado sem motivo óbvio para quem só olha o desenho do terreno. O método foi desenvolvido pelo geógrafo Aziz Ab'Saber a partir dos anos 1960, e ele construiu a classificação combinando conceitos de geomorfologia estrutural e evolutiva, peneplanização, ciclos de erosão e ação tectônica. O resultado foi um modelo que classifica o relevo brasileiro em dois grandes grupos, com subdivisões internas. É um modelo que ainda aparece em livros didáticos, em concursos e em trabalhos acadêmicos, então conhecer os detalhes e os limites dele é útil.
Como usar a classificação do relevo brasileiro aziz ab'saber na prática
A classificação começa com dois conjuntos principais. O primeiro é o dos escudos cristalinos, que são terrenos antigos do embasamento pré-cambriano, com rochas metamórficas e ígneas. O segundo é o dos platôs e bacias sedimentares, formados por sedimentos mais recentes depositados em bacias de acumulação. Dentro desses grupos, Ab'Saber distingue planaltos, planícies e depressões, e cada categoria responde a uma história geológica diferente. No grupo dos planaltos, o relevo é marcado por estrutura elevada e forte atuação erosiva. Os planaltos não são sinônimo de montanha alta. Eles podem ser superfícies aplainadas, chapadões, serras e maciços. A diferença entre um planalto e uma planície, na visão dele, está na origem e na dinâmica: o planalto é um segmento da crosta que sofreu soerguimento relativo e está sob domínio da erosão, enquanto a planície é uma superfície de acumulação ativa ou recente, com nível de base próximo. Isso explica por que algumas áreas parecem altas no mapa mas na realidade são superfícies modeladas pelo tempo, não construções tectônicas atuais. As depressões se encaixam como superfícies de aplainamento que ficaram rebaixadas em relação aos planaltos adjacentes. Elas podem ser depressões relatívas, quando ainda têm altitude positiva, ou depressões absolutas, quando estão abaixo do nível do mar. A nomenclatura pode confundir, porque uma depressão relativa do ponto de vista local pode estar a centenas de metros acima do oceano. O importante é a posição relativa em relação às áreas vizinhas e o regime de processos que a moldou.
Dentro dos planaltos, Ab'Saber também trabalha com a ideia de que muitas superfícies brasileiras são resultado de peneplanização. Isso significa que o relevo passou por longos períodos de erosão quase estagnada, formando superfícies suaves que depois foram fraturadas ou soerguidas. O padrão de drenagem, a distribuição de altitudes e a presença de chapadões sedimentares são indícios disso. Quando você vê um planalto com topo aplainado e bordas em serra, provavelmente está diante de uma superfície peneplanizada que foi elevada e cortada. Nos planaltos e planícies sedimentares, a classificação leva em conta a idade e a espessura das camadas, o nível de soerguimento, o tipo de rocha e a intensidade do intemperismo. As bacias sedimentares brasileiras, como a Bacia do Paraná, a Bacia Sedimentar do Pantanal, a Bacia do Parnaíba e a Bacia Amazônica, geram padrões de relevo distintos. As bordas de planalto com serras costeiras, os chapadões do Sul e Sudeste, as extensas planícies aluviais da Amazônia e do Pantanal, tudo isso tem correspondência na estrutura geológica. Um ponto que muitos passam por alto é que a classificação não é estática. O relevo brasileiro está em constante transformação, mesmo que em escalas de tempo longas. A ação fluvial, o intemperismo químico em climas tropicais, os soerguimentos diferenciais e a ocupação humana alteram a dinâmica. Ab'Saber reconhecia isso, mas o modelo serve para mapear e entender as tendências dominantes, não para prever mudanças rápidas.

Ao aplicar a classificação, o primeiro passo é identificar a estrutura geológica dominante no setor que você está analisando. Depois, avalia-se o relevo em função da relação entre soerguimento, erosão e acumulação. Se a área tem embasamento cristalino exposto com formas dissecadas, provavelmente se trata de um planalto cristalino. Se tem sequência sedimentar espessa com topo aplainado, pode ser um planalto sedimentar. Se a superfície está em nível de base recente e há deposição ativa, entra como planície. Na prática, eu costumava encontrar problemas de sobreposição de unidades quando trabalhava com mapas regionais. Uma região que o mapa generalizado pintava como planície costeira podia ter, em escala mais detalhada, trechos de planalto sedimentar antigo com solos arenosos e superfícies fossilizadas. A solução era cruzar mapas geológicos em escala apropriada com perfis de altitudes e, quando necessário, com imagens de satélite para confirmar a forma do terreno e o padrão de drenagem. O mapa de grande escala costuma mostrar detalhes que o mapa geral apaga, e isso evita classificar errado trechos de transição. Outro detalhe importante é o limite entre depressões e planaltos adjacentes. A fronteira nem sempre é clara, especialmente em áreas de chapadões onde a erosão diferencial cria degraus sucessivos. Nesse caso, o critério da posição relativa e da dinâmica atual de processos resolve melhor do que tentar impor um limite rígido. Se a superfície está se degradando ativamente e foi recuada em relação ao planalto, trata-se de uma depressão, ainda que esteja em altitude elevada.
A classificação também se apoia na noção de ciclos de erosão. As superfícies mais antigas tendem a ser mais suavizadas, enquanto as mais jovens ou mais soerguidas apresentam formas mais irregulares. Isso é útil para interpretar a sequência de formação do relevo em uma região, mas não substitui a análise geológica de campo. Dados de campo, seções estratigráficas e idades das rochas continuam sendo fundamentais para justificar a classificação. Um erro comum é confundir planície com superfície plana. Planície é uma unidade geomorfológica definida por origem e dinâmica, não por achatar o olhar no mapa. Muitas "planícies" no Brasil são antigos leitos fluviais, deltas, vales aluviais ou superfícies de aplainamento quearam. Reconhecer isso evita usar o termo como sinônimo genérico de terreno baixo. O modelo de Ab'Saber também ajuda a entender por que o Brasil não tem cordilheiras jovens ativas. O soerguimento principal ocorreu em períodos geológicos mais antigos, e o relevo atual é resultado do equilíbrio entre erosão e resistência litológica. As serras do Mar e da Mantiqueira, por exemplo, são bordas de planalto que revelam o soerguimento diferencial e o aprofundamento dos vales, não atividade vulcânica recente. Isso tem implicações práticas para prevenção de deslizamentos, planejamento urbano e estudos de geoambiência.
Se você está estudando para provas ou trabalhando com mapeamento, o recomendável é dominar os conceitos-chave: embasamento cristalino versus bacias sedimentares, planaltos como domínios de erosão ativa, planícies como domínios de acumulação, e depressões como degraus relativos ou absolutos. Depois, treine a leitura de mapas geológicos combinados com cartas topográficas. A teoria fica mais clara quando você vê a estrutura refletida na forma do terreno. Um limite que vale mencionar é que a classificação não entra em detalhes sobre influência antrópica recente. Terras alteradas por mineração, agricultura intensiva e urbanização podem mascarar os padrões naturais, e nesses casos o modelo precisa ser usado com consciência das alterações superficiais. Também há zonas de transição onde a fronteira entre categorias é difusa, o que exige interpretação e não só aplicação mecânica dos critérios. Resumindo sem dramatização, a classificação do relevo brasileiro aziz ab'saber organiza o território em torno de estrutura geológica, processos erosivos e posição relativa das superfícies. Ela funciona bem para interpretação regional e para entender a lógica por trás dos diferentes tipos de terreno. Quando você aplica os critérios com cuidado, cruza dados geológicos e topográficos e reconhecce seus próprios limites, o modelo entrega coerência e clareza, especialmente para quem precisa tomar decisões com base na forma e na dinâmica do relevo.

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174. Relevo Brasileiro: Aroldo e Aziz - Blog do Professor Clebinho -
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