Com Quantos Meses Começa A Cair O Cabelo Do Bebê
O que acontece com o cabelo do recém-nascido
O cabelo do bebê começa a cair normalmente entre 2 e 6 meses de vida. Isso é completamente fisiológico e não tem nada a ver com falta de vitamina, raspagem ou qualquer outra coisa que você tenha ouvido na família. A queda é o ciclo natural do cabelo neonatal entrando em repouso. Quando a criança ainda está na barriga, o cabelo que ela nasce com ele é chamado de véu. Esse cabelo tem um ciclo de vida diferente do cabelo adulto. Ele nasce, cresce rápido e cai junto com a queda dos hormônios maternos que circulavam pela placenta. Depois que nasce, o corpo do bebê começa a produzir seus próprios fios, e aí entra a fase de transição.
com quantos meses começa a cair o cabelo do bebê
A resposta mais comum que os pediatras dão é por volta dos 3 a 4 meses. Mas a janela varia bastante. Alguns bebês começam a soltar os fios já nos 60 dias de vida. Outros só passam por essa fase mais perto do meio ano. Ambas as situações são normais. O que você observa na prática é uma queda irregular. Não é como se o cabelo todo caísse de uma vez. São regiões específicas. Geralmente a nuca e as laterais da cabeça sofrem mais, porque é onde o bebê fica atritando contra o colchão o tempo todo. O atrito acelera a queda naquela área. O topo da cabeça costuma manter os fios por mais tempo. Eu já vi pais entrarem em pânico porque o bebê ficou com uma mancha completamente careca atrás da cabeça e acharam que era alguma doença. Na maioria das vezes é apenas queda fisiológica somada a atrito. Comecei a notar isso nos primeiros atendimentos quando acompanhava famílias de primeiro filho. A tendência era sempre a mesma: correu na urgência, fez exames, e no consultório de acompanhamento o quadro já estava melhorando sozinho. A solução prática foi só orientar trocar a posição do bebê na cama com mais frequência e não insistir com cremes ou óleo de mamona, que não fazem diferença alguma.
Por que esse processo acontece
Existem três fases no ciclo capilar que você precisa entender para não se confundir. A primeira é a fase anágena, que é o crescimento ativo. A segunda é a catágena, uma fase de transição curta onde o fio para de crescer. A terceira é a telógena, que é o repouso. É nessa última fase que o cabelo cai. No bebê, praticamente todos os folículos do couro cabeludo entram juntos na fase telógena poucos meses após o nascimento. Isso é diferente do adulto, onde os folículos trabalham em ciclos descompassados. Por isso a queda no bebê parece tão dramática e generalizada, enquanto em nós adultos nem percebemos quando perdemos fios no dia a dia. A queda é desencadeada pela queda dos níveis de estrogênio e outros hormônios que vinham da mãe. Após o nascimento, esses hormônios saem da circulação do bebê rapidamente. O corpo dele então inicia a produção do seu próprio padrão capilar. Esse período de adaptação é o que causa a queda. Não significa que o bebê vai ficar careca para sempre. Significa apenas que o cabelo velho está sendo substituído pelo novo.

É importante saber que o cabelo que cresce depois pode ter textura, cor e quantidade diferentes do cabelo neonatal. Eu já vi casos em que o bebê nascia com cabelo cacheado e grosso e, depois da queda, veio um cabelo liso e fino. E também o contrário. O gene decide, não a queda em si.
O que fazer e o que não fazer
Não existe tratamento para acelerar a queda. Ela vai acontecer no tempo que tiver que acontecer. O que faz diferença é a manutenção básica do couro cabeludo durante o processo. Lavar o cabelo do bebê com shampoo neutro, duas ou três vezes por semana, já é suficiente. Não precisa exagerar na frequência. O couro cabeludo do bebê é sensível e a oleosidade natural ajuda a proteger. Se você lavar todo dia com shampoo, pode ressecar e irritar, o que só piora a aparência da queda. Evite products como óleo de mamona, cebola, alecrim ou qualquer mistura caseira que os familiares recomendam. Não há nenhuma evidência de que funcionem. Pelo contrário, esses produtos podem obstruir os folículos e causar dermatite de contato. Eu vi um caso recente em que uma mãe passou óleo de dendê na cabeça do bebê de 4 meses por recomendação da avó. O resultado foi uma caspa severa e vermelhidão que durou três semanas até parar o uso e tratar com shampoo anticaspa infantil.
Outra prática que não funciona e só cria problema é a raspagem do cabelo. Raspar não faz o cabelo nascer mais forte. O folículo já está definido geneticamente. Raspar só expõe a pele a irritação e risco de infecção por cortes. Não vale a pena. O que você pode fazer de útil é variar a posição do bebê durante o tempo de debruçar. Se ele sempre deita de costas na mesma direção, a nuca de um lado vai sofrer mais atrito. Vire a cabeceira da cama ou alterne a posição periodicamente. Isso distribui a pressão e pode reduzir a queda localizada.

Quando se preocupar
A queda fisiológica não deve vir acompanhada de sinais de alerta. Se além da queda de cabelo você notar placas avermelhadas, crostas amareladas espessas, coceira intensa, ou se o bebê estiver com queda de cabelo em regiões que não atritam, aí vale procurar o pediatra. Pode ser tiña, que é uma infecção fúngica. Pode ser alopecia areata, que se apresenta como manchas redondas e lisas sem inflamação. Pode ser deficiency nutricional, embora seja raro em bebês que mamam bem. Ou pode ser atrito excessivo por algum problema postural que precisa de orientação. Sinais claros de que não é queda normal: manchas circulares perfeitamente definidas, presença de pus, cheiro ruim, babeira excessiva com feridas no rosto e pescoço que indicam refluxo ou infecção secundária. Nesse caso, leve ao médico. Não espere o cabelo crescer sozinho.
A queda do cabelo do bebê é um processo que assusta muito os pais porque acontece rápido e parece dramático. Na prática, é um marco normal do desenvolvimento. O cabelo novo já está crescendo por baixo enquanto o velho cai. Em geral, aos 12 meses o padrão capilar já está mais visível e estabilizado. Se após esse período ainda houver áreas muito despovoadas sem nenhum sinal de crescimento, aí sim vale uma avaliação mais detalhada com pediatra ou dermatologista pediátrico.
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