Comidas Tipica Do Tocantins
O que você realmente encontra na cozinha tocantinense
A culinária do Tocantins é uma coisa mais prática do que bonita nos primeiros olhos. Você vai achar peixe, mandioca, milho e carne de sol em quase qualquer mesa. O estado nasceu da divisão de Goiás, então muita coisa veio junto, mas o araguaia e o insuia mudaram a regra do jogo. O rio é a espinha dorsal. Sem ele, a comida do tocantins não existe no sentido verdadeiro. Eu morava em Porto Nacional uns anos e percebi rápido que todo mundo fala de tacacá e pirarucu como se fossem coisas tocantineiras. Não são. São cosas do Pará e do Amazonas. A confusão é comum fora do estado. O equivalente local tem nome diferente e sabor diferente.
Comidas tipica do tocantins: o básico que funciona
Se você chega numa cidade do interior e pede o prato do dia, provavelmente vai parar numa panela de feijão com tutu, arroz branco, carne de sol e quiabo refogado. Às vezes tem farofa na medida errada. Às vezes tem. Depende da mão que cozinha. Pratos que você precisa conhecer Pequi. É a primeira coisa. O pequi não se discute no tocantins. Tem gente que não come por questão religiosa ou de gosto, mas na maioria das casas ele entra no arroz, no feijão, no frango. O cheiro gruda na roupa e na cozinha. Se você sair de uma casa onde fizeram arroz com pequi, vai sentir por horas. Anotem isso para não estranhar no táxi.
Peixe do araguaia. Dourado, pintado, cachara, pacu. Eles sobem a correnteza e aparecem em épocas certas. Na seca, o preço dispara. Na cheia, o peixe entra mais barato e mais gordo. O truque dos restaurantes de boa qualidade é servir o peixe inteiro, frito, com a pele crocante. Se o prato vier sem cabeça, desconfie. Cabeça tem cérebro e gostinho que o resto não tem. Mandioca e seus derivados. Farinha d'água, torrada, beiju, cuscuz de mandioca. A mandioca é plantada no quintal da maioria das famílias. Quem planta faz a própria farinha ou compra do vizinho. Raramente se compra farinha empacotada de supermercado no interior. O produto industrializado entra em Palmas e arredores, mas ainda assim perde para o caseiro na maior parte dos pratos. Carne de sol. Vem do nordeste através de rotas antigas de pecuária. No tocantins ela entra refogada, no queijo, no cozido com feijão, virando tapioca recheada. A tapioca, aliás, ganhou muito espaço nos últimos anos como lanche rápido. Você vê barracas de tapioca em todas as esquinas de Palmas, mas a versão tocantinense típica usa recheios de carne de sol, queijo coalho e castanha do pará.

Doces. Doce de leite, doce de mamão, goiabada cascão, cuitel. A leiteira é forte no estado. Muitas propriedades têm ordenha duas vezes ao dia e queimam o leite na panela de cobre. O doce de leite cremoso que se come em Porto Alegre tem concorrência séria aqui. Eu perdi um fim de semana tentando achar um restaurante que fizesse pirão de pesce da forma antiga. Quase todo lugar tinha adaptado a receita para o turismo. O pirão virou caldo ralo, sem a quantidade certa de mandioca. A solução foi ir a uma barraquinha perto da ponte que liga Porto Nacional a Ponte Alta do Bom Jesus. O dono fazia o pirão na hora, com fogo baixo e remexendo devagar. Demora uns vinte minutos. O resultado é diferente. O pirão fica grudicado no fundo se você não mexer. Isso é normal. É sinal de que está certo.
Começar do jeito certo no dia a dia
Vamos para a parte prática. Você quer provar o que há de bom sem cair em armadilha turística. Segue o passo a passo que eu uso quando estou sozinho ou recebo alguém de fora. Passo um: vá para as cidades do vale do araguaia. Porto Nacional, Natividade, Guaraí. Elas têm feiras livres que funcionam de verdade. A de Porto Nacional é segunda e sábado de manhã. Chegue cedo. As bancas de peixe abrem antes das seis. Se chegar às nove, só sobra o que não vendeu e já está sendo vendido mais barato pelo preço de segunda mão. Passo dois: compre os ingredientes ou peça nos restaurantes próximos à feira. Não entre em rede de franquias. O peixe frito do lugar certo custa entre trinta e cinquenta reais por porção generosa. Em posto de turista, pode passar de setenta e não valer a pena.
Passo três: monte seu prato com elementos obrigatórios. Peixe ou carne de sol. Arroz com pequi ou farofa. Bebida local. Cajuína é a bebida oficial. Feita de suco de caju cozido e concentrado. Não é licor. Não é vinagre. É doce, levemente ácido e entra gelada. Compre a cajuína em garrafa de vidro nas bancas da feira e leve para casa se quiser. Vende também em sacaria, mas a qualidade varia muito. Passo quatro: teste o quitute de rua. Banana frita com queijo coalho. Pamonha. Cocada. Cada cidade tem o seu. Em Dianópolis, a pamonha é mais doce. Em Miracema, é mais salgada. A diferença está na quantidade de leite fresco e no ponto de cozimento. Um detalhe que quase ninguém conta. O pequi congelado perde aroma. Se você for levar pequi para outra cidade, compre o pequi fresco da feira e congele em casa mesmo. O pequi processado industrialmente costuma vir sem dendê natural e com conservante. O sabor fica plano. Eu já comprei pequi em lata de marca conhecida e preferi jogar fora. Teste sempre uma amostra pequena antes de levar quilo.

Erros comuns que fazem a comida perder o sentido
A primeira coisa errada que as pessoas fazem é confundir culinária tocantinense com culinária paraense. Pedem tacacá e ficam decepcionados porque o gás de jurema não vem na panela. O tacacá existe no tocantins porque tem imigrante paraense, mas não é o prato representativo. O prato representativo é outro. A segunda coisa é cozinhar pequi sem retirar bem as espinhas. O pequi tem espinho fino que entra na garganta. A forma certa é cozinhar, peneirar o arroz e só então servir. Se você servir o arroz com as espinhas inteiras, vai ter visitante que não volta mais. A terceira é acreditar que tapioca é rápido de fazer do jeito certo. A massa de tapioca hidratada compra-se pronta, mas o ponto exige fogo médio e espalhar fino. Se a camada ficar grossa, ela rasga. Se o fogo estiver alto, queima em trinta segundos. O equilíbrio certo dá uma tapioca crocante por fora e mole por dentro. Leva cerca de três minutos por unidade.
Outro problema: preço de peixe na seca. Entre julho e setembro, o dourado pode custar o dobro. Se o orçamento é apertado, troque por pacu ou lambari. O lambari frito entra como petisco e sai barato. É uma saída inteligente.
O que não funciona e o que substituir
Não adianta tentar fazer pirarucu no tocantins. O pirarucu é peixe de água negra da Amazônia. Ele não entra na bacia do araguaia de forma natural. Se encontrar um restaurante anunciando pirarucu, provavelmente é peixe congelado trazido de fora. Pode ser bom, mas não é típico. O equivalente local é o pacu ou o dourado. Também não adianta procurar pimenta de cheiro like the kind used in northern Brazil. O tocantins usa pimenta biquinho e pimenta malagueta, mas em quantidade menor. O prato não é necessariamente picante. Quem espera ardência vai se decepcionar. Se quiser levar algo para casa, leve cajuína e doce de leite. São produtos que aguentam viagem melhor que peixe defumado ou carne de sol. O peixe defumado precisa de geladeira e vira cheiro forte na mala. O doce de leite e a cajuína ficam bons por semanas em temperatura ambiente, desde que bem fechados.

Resumo prático
O tocotins cozinha com o que o rio e a terra entregam. Peixe, pequi, mandioca, carne de sol, caju. A ordem de prioridade muda conforme a região e a época. A feira livre é o termômetro mais confiável. Ela mostra o que está barato, o que está caro e o que está fora de estação. Siga a feira. O resto vem junto. Se você quer uma lista rápida para levar na cabeça, aqui está:
- Arroz com pequi, feijão tauá ou tutu, carne de sol ou peixe frito, quiabo refogado
- Tapioca de carne de sol com queijo coalho como lanche
- Cajuína para beber
- Doce de leite cremoso para sobremesa
Isso cobre o essencial. O que vem depois é escolha pessoal e disponibilidade local. Boas refeições.
Galeria
-
Comidas Típicas do Tocantins: Principais Comidas do Tocantins -
Comidas Típicas Do Tocantins - NAZAEDU