Como Citar Citação De Citação
Quando você precisa citar algo que leu em outro autor
É um problema comum na hora de escrever um trabalho acadêmico. Você encontra uma frase ou dado interessante num artigo, mas ao ver a referência, percebe que aquela informação foi tirada de outra fonte. Ou seja, você não leu a obra original, apenas a citação que o autor fez dela. A questão é como fazer isso direito nas normas acadêmicas. A técnica se chama citação indireta ou citação de segunda mão. O procedimento básico é simples, mas existem detalhes que muita gente erra. Na prática, você menciona o autor original e indica que a informação veio através de um autor secundário que você realmente leu. No sistema autor-data, que é o mais usado, a formatação varia um pouco entre a ABNT e a APA. Vou explicar os dois, porque eles não são iguais e confundem muita gente.
Na ABNT (NBR 10520), a forma padrão é usar a expressão latina "apud" no corpo do texto. Você cita o autor original seguido de "apud" e depois o autor que você leu. Na referência bibliográfica, no entanto, só entra o autor que você efetivamente consultou. Isso é importante e muitas pessoas colocam os dois na lista de referências, o que está errado. Por exemplo: Se você quer citar uma ideia de Foucault que encontrou num livro de Delalande, fica assim no corpo do texto: Foucault (1975 apud DELALANDE, 2003). E na referência bibliográfica, apenas a obra do Delalande. Na APA (7ª edição), o método é diferente. Você cita o autor original na narrativa, mas usa "as cited in" no corpo e coloca ambos na lista de referências. A estrutura seria: Autor original (ano, as cited in Autor secundário, ano). Na referência, você inclui a obra do autor secundário.
A maioria dos trabalhos no Brasil segue a ABNT. Se for um artigo para revista internacional ou tese em programa com orientação estrangeira, aí a APA pode ser cobrada. Verifique sempre qual norma seu orientador ou exige antes de montar as referências. Um problema real que eu vi acontecer várias vezes: o autor secundário cometeu um erro na citação do autor original, ou interpretou mal o trecho. Quando você copia essa citação de segunda mão sem checar a fonte primária, transfere esse erro para o seu trabalho. Já vi relatórios de monitoria onde estudantes repetiam citações equivocadas porque confiaram cegamente no autor intermediário. O truque que funciona aqui é tentar localizar a obra original do autor citado. Se for um livro clássico, dificilmente será impossível de encontrar. Muitas universidades têm repositórios digitais ou acesso a bases como JSTOR e Google Books. Passar dez minutos procurando a fonte primária economiza horas de retrabalho se o orientador pedir esclarecimentos depois.

Se realmente não conseguir acessar a obra original, o procedimento correto é manter a citação indireta, mas deixar isso explícito. Alguns pesquisadores preferem escrever algo como "conforme relatado em" em vez de usar "apud", porque fica mais claro que se trata de uma interpretação de terceiro. Isso é aceitável desde que esteja consistente com a norma adotada pelo trabalho. Outro ponto que causa confusão é a diferença entre paráfrase e citação direta quando se trata de uma citação de citação. Se você parafraseia a ideia do autor original baseada no relato do autor secundário, pode usar o formato normal de paráfrase com apud. Se for transcrever o trecho exatamente como aparece no autor secundário, aí você entra no campo da citação direta, e a formatação muda: usa-se aspas, indicação de página e tudo mais. Não recomendo usar citações de citação como regra. Elas aparecem quando são realmente necessárias, como em estudos historiográficos onde o objeto de análise é justamente a recepção de uma ideia ao longo do tempo, ou quando a obra original está realmente inacessível mesmo após busca criteriosa. Abusar desse recurso passa a impressão de preguiça intelectual, mesmo que o leitor não tenha como saber a fundo o que aconteceu.
Para organizar tudo isso no dia a dia, ferramentas como Zotero, Mendeley ou até o próprio gerenciador de referências do Google Scholar ajudam bastante. Você configura o estilo ABNT ou APA nas preferências e o software monta as citações no texto e a lista de referências automaticamente. Só cuidado para verificar se ele está tratando corretamente o caso de citações indiretas, porque nem todas as versões atualizam esses campos com precisão. O tempo que isso leva? Em média, entre cinco e quinze minutos por citação, dependendo de quão fácil é encontrar a obra original. Se não conseguir localizar, o processo pode levar trinta minutos ou mais, porque aí você precisa documentar a busca que fez para provar boa-fé caso alguém question depois.
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