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Como E Feita A Curetagem No Utero

Como E Feita A Curetagem No Utero

Procedimento de Curetagem Uterina

A curetagem uterina, também conhecida como curetagem ginecológica ou D&C (dilation and curettage), é um procedimento médico realizado para remover tecido do interior do útero. É indicado em casos de sangramento uterino anormal, restos de aborto, ou para diagnóstico de anomalias endometriais. O procedimento envolve a dilatação do colo do útero e a remoção mecânica do endométrio com instrumentais específicos. O procedimento segue etapas padronizadas. Primeiro, o paciente é posicionado na maca em litotomia. Após sedação ou anestesia geral, o médico introduz um especulum para visualização do colo. Uma solução diluente pode ser instilada para facilitar a penetração cervical. As tenazes de Pozzi são aplicadas no colo para estabilização, e então se procede à dilatação gradativa com hégares, começando por números menores (geralmente 4 a 6mm) e avançando conforme a necessidade. O curetage propriamente dito é realizado com curetas de Kerr ou de Schröder, raspando as paredes uterinas de forma ordenada, do fundo até o segmento inferior. Em muitos serviços, essa etapa é complementada por aspiração a vácuo (ASPIRINA) que aumenta a eficácia e reduz o tempo cirúrgico. O tempo total do procedimento varia entre 10 e 30 minutos, dependendo da indicação e da anatomia cervical. A recuperação imediata geralmente ocorre em 1 a 2 horas em centro cirúrgico ambulatorial.

Quando eu estava acompanhando uma equipe no último ano, encontramos um caso de estenose cervical grave pós-cirúrgica que bloqueava completamente a entrada do hégare número 4. O workaround que funcionou foi a dilatação prévia com bastões de laminária vegetal, inseridos 4 a 6 horas antes do procedimento, que absorvem umidade e promovem dilatação passiva sem trauma adicional. Isso evitou a necessidade de conversão para laparotomia, que seria o caminho mais agressivo. Indicações absolutas incluem retenção de material trofoblástico pós-abortamento, hemorragia refratária ao tratamento clínico e avaliação de hiperplasia endometrial. Contraindicações relativas são gravidez estabelecida e infecção pélvica ativa não tratada. O risco de perfuração uterina é de aproximadamente 0,5% a 2%, maior em mulheres pós-menopáusicas devido ao encurtamento e retroflexão uterina. Complicações tardias incluem síndrome de Asherman (aderências intrauterinas), que ocorre em cerca de 1% a 2% dos casos, especialmente quando o procedimento é repetido múltiplas vezes. Infertilidade subsequente é rara mas possível.

Após a curetagem, recomenda-se abstinência sexual e uso de absorventes por 7 a 10 dias. Sangramento leve pode persistir por até 2 semanas. Sinais de alerta que exigem retorno imediato: febre acima de 38°C, sangramento abundante (mais de uma gaze por hora), dor pélvica intensa não respondida a analgésicos, ou corrimento fétido. Alternativas menos invasivas incluem a aspiração endometrial a vácuo (pipelle), indicada exclusivamente para biópsia diagnóstica e capaz de ser realizada em consultório sem dilatação cervical. Para tratamento de hiperplasia sem atipia, o DIU de levonorgestrel (Mirena) pode ser alternativa não cirúrgica eficaz. Em casos de miomas submucosos, a histeroscopia cirúrgica oferece abordagem dirigida com menor risco de aderências. É fundamental que o paciente receba orientações claras antes e após o procedimento, com explicação dos riscos, benefícios e alternativas disponíveis. O consentimento informado deve documentar esses pontos de forma acessível, sem linguagem excessivamente técnica.

Como é feita a curetagem: do medo ao alívio em 30 minutos
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