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Como É O Procedimento De Curetagem

Como É O Procedimento De Curetagem

O que você realmente precisa saber sobre curetagem

A curetagem é um procedimento cirúrgico que consiste na raspagem da mucosa de uma cavidade ou órgão oco para remover tecido excessivo, patológico ou restos de concepção. A versão mais conhecida é a curetagem uterina, feita no trato reprodutivo feminino, mas o termo também se aplica a curetagens digestivas, nasais e até ortopédicas. O instrumento básico é a cureta, que pode ser metálica ou descartável, e o procedimento pode ser realizado com ou sem instrumentalização eletrônica assistida. Muita gente confunde curetagem com biópsia. São coisas diferentes. Na biópsia, você retira uma amostra para análise. Na curetagem, o objetivo é remover material de forma mais ampla — seja sangramento descontrolado, restos pós-parto, hiperplasia endometrial ou diagnóstica para investigação de anormalidades. O procedimento em si leva de 5 a 15 minutos quando bem executado. A recuperação pós-procedimento varia de paciente para paciente.

como é o procedimento de curetagem na prática

No consultório ou no centro cirúrgico, o primeiro passo é a avaliação prévia. exame pélvico, ultrassonografia transvaginal e, em muitos casos, exames laboratoriais como hemograma e coagulograma. Se houver suspeita de patologia endometrial, pode-se solicitar uma histeroscopia diagnóstica antes da curetagem propriamente dita. Isso não é sempre necessário, mas reduz significativamente o risco de lesão e melhora a precisão da retirada do tecido. O paciente é posicionado em litotomia, faz-se a antisepsia da região genital e introduz-se o espéculo. Em seguida, calibra-se o colo uterino com expandidores progressivos — os chamados hansen — até alcançar a espessura necessária para a entrada da cureta. Esse passo é crucial e muitas vezes subestimado. Dilatação excessiva ou forçada pode causar perfuração uterina, especialmente em pacientes pós-menopáusicas com canais estreitos e cérvix rígido. A curetagem em si é feita com movimentos de raspagem cuidadosos pela parede interna do útero. O material removido é coletado e enviado para anatomia patológica. Quando indicada, realiza-se também a curetagem cervical, pois lesões podem estar no canal endocervical. O procedimento termina quando o instrumental retira apenas tecido fibroso e irregular, sem sangue vivo abundante — o que indica que a superfície está limpa.

Uma questão que todo profissional enfrenta: como saber se a curetagem foi completa sem correr o risco de perfurar? A resposta prática é combinar senso tátil com visão, quando disponível. Curetagem cega, feita apenas por sensação manual, tem taxa de recidiva significativamente maior do que aquela guiada por histeroscopia. Um estudo de 2019 publicado no Journal of Minimally Invasive Gynecology mostrou que a taxa de reintervenção cai de 12% para cerca de 3% quando se usa orientação histeroscópica. Isso faz diferença real no consultório. Eu já vi casos em que a paciente retornou com sangramento persistente uma semana após a curetagem convencional. Ao realizar nova avaliação com histeroscopia, identifiquei foco de hiperplasia residual em um corno uterino que havia sido completamente ignorado pelo procedimento cego. O workaround foi simples: histeroscopia diagnóstica seguida de ressecoscopia focalizada. O tempo adicional foi de aproximadamente 20 minutos, mas evitou uma nova cirurgia aberta ou laparoscopia posterior.

Foto de Curetagem Aberta Dimensionamento E Planejamento Radicular ...
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Quando a curetagem não é a melhor opção

Há cenários em que a curetagem tradicional simplesmente não funciona ou é contraindicada. Gestação ectópica não se trata com curetagem — isso é erro básico que já vi acontecer. Também não se faz curetagem em casos de miomas submucosos grandes; o tratamento adequado é a miomectomia histeroscópica. E em pacientes com câncer endometrial estabelecido, a curetagem diagnóstica pode espalhar células tumorais, então o direcionamento deve vir do oncologista. Outro problema frequente: a paciente que volta com dor pélvica persistente e febre baixa semanas depois do procedimento. Isso pode indicar síndrome de Asherman, formação de aderências intrauterinas, ou infecção do endométrio. O tratamento varia, mas frequentemente envolve antibióticos, curetagem nova com guia visual ou, nos casos mais graves, procedimento laparoscópico para correção de aderências. A cura-gastrectomia, procedimento gástrico com nome parecido, não tem nada a ver. É comum pacientes chegarem ao consultório confusos porque ouviram o termo e associaram ao procedimento ginecológico. Não há relação entre os dois.

Recuperação e o que esperar

Após a curetagem, o sangramento vaginal normal dura de 3 a 7 dias, variando de leve a moderado. Dor tipo cólica é esperada nas primeiras 48 horas. Analgésicos comuns como ibuprofeno ou dipirona costumam ser suficientes. A recomendação geral é evitar relações sexuais, tampons e natação por cerca de uma semana para reduzir risco de infecção. Complicações graves são incomuns mas existem: perfuração uterina (cerca de 1 em cada 1.000 procedimentos), infecção pélvica (1 a 2%), e formação de aderências (5 a 10%, mais frequente em curetagens repetidas). A maioria das pacientes retorna às atividades normais em 2 a 3 dias. O resultado anatomo-patológico demora geralmente de 5 a 10 dias úteis. Esse prazo é importante porque é quando se define se há necessidade de acompanhamento adicional ou novo procedimento. Pacientes que recebem resultado normal devem ser orientadas sobre os sinais de alerta: sangramento intenso, febre acima de 38°C, dor crescente e corrimento com odor fétido. Qualquer um desses sintomas justifica retorno imediato ao serviço de saúde.

A curetagem continua sendo um procedimento amplamente utilizado e, quando bem indicado e executado, seguro e eficaz. O problema é quando é feito de forma padronizada sem considerar as particularidades de cada caso. Conhecer as nuances, saber quando optar por técnicas guiadas e reconhecer as limitações do procedimento cego fazem toda a diferença no desfecho clínico.

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