Como Fazer Muda Da Zamioculca
Propagar zamioculca não exige muito, mas exige paciência.
A zamioculca (Zamioculcas zamiifolia) é uma das plantas mais fáceis de multiplicar que existem, mas a maioria das pessoas desiste no meio do caminho porque não entende o tempo que ela leva. O processo básico envolve folhas com pecíolo inseridas em substrato úmido ou água, e raízes aparecem quando os rizomas subterrâneos decidem que é hora. Isso pode levar de dois a seis meses, dependendo da temperatura e da luz. Eu costumo fazer essa propagação por via foliar, que é o método mais acessível, mas também já separei um pedaço de rizoma de vez em quando para acelerar as coisas. A diferença é que rizoma exige mais cuidado com fungos e podridão, então só recomendo para quem já tem experiência. O primeiro passo é escolher uma folha sadia, verde escura, sem manchas, manchas marrons ou sinais de pragas. Quanto mais madura a folha, mais reserva de energia ela carrega, então folhas do terço inferior da planta costumam ser mais confiantes para enraizar. Você corta o pecíolo — aquele cabinho que liga a folha ao caule — com uma tesoura limpa, deixando cerca de dois a três centímetros de cabo. Alguns recomendam deixar a folha inteira, outros cortam ao meio para reduzir a perda de água. Eu prefiro deixar a folha inteira e colocar o pecíolo em um copo com água filtrada, mantendo a água trocada a cada sete a dez dias. A água evita que o substrato fique pesado e cause apodrecimento antes da raiz nascer. Quando você ver pequenos calos brancos na base do pecíolo, que é o chamado calo de raiz, é sinal de que os primórdios radiculares estão se formando. Aí você pode transferir para um substrato leve, feito de mistura de perlita, terra vegetal e um pouco de composto orgânico bem peneirado. A proporção que eu uso é meia parte de perlita, uma parte de terra vegetal e meia parte de composto. Não adianta usar terra pesada ou argilosa, porque a zamioculca odeia excesso de umidade retida e ela podre logo nos primeiros dias.
Diferente do que muita gente pensa, a planta não gera raízes a partir da folha em si. As raízes nascem do calo no pecíolo e vão construir um pequeno rizoma subterrâneo. Esse detalhe é importante porque muita gente coloca a folha na terra e fica olhando a folha, esperando alguma coisa acontecer, quando na verdade a ação está debaixo do vaso. Por isso eu recomendo que você não tente forçar a planta acelerando a rega. A zamioculca armazena água nos rizomas e aguenta seca melhor do que excesso de água. Regar toda semana vai matar mais mudas do que ajudar. Outro ponto que pouca gente explica é a temperatura. A propagacão melhora bastante quando a temperatura ambiente fica entre vinte e cinco e trinta graus Celsius. Abaixo de vinte graus, o metabolismo da planta diminui e o enraizamento pode travar por semanas. Se você mora em região fria, pode usar um tapete aquecedor de cultivo ou manter os vasos perto de uma fonte de calor indireto, como um radiador com ventilador suave. Eu já tive mudas que demoraram quatro meses só porque deixei o copo perto da janela em um dia de inverno com cinco graus. Depois mudei para dentro de casa, perto da cozinha, onde a temperatura é mais estável, e as raízes apareceram em duas semanas. A luz também é um fator que muitos erram. A zamioculca aceita sombra, mas para propagar você precisa de luz difusa e constante. Luz direta queima o pecíolo e resseca o calo antes que ele forme raízes. Luz fraca demais deixa a planta sem energia para criar tecido novo. O ideal é um local com claraboia, perto de uma janela com cortina fina, ou sob uma luz artificial de crescimento de quinze a dezesseis horas por dia. Eu uso uma fitolina de espectro completo a trinta centímetros de altura e tenho obtido bons resultados com taxa de sucesso superior a oitenta por cento em média.
Existe ainda uma técnica mais rápida que é a propagação por segmentação de rizoma. Você remove a planta do vaso, limpa a terra e corta pedaços de rizoma com pelo menos três gemas ativas. Cada pedaço é plantado horizontalmente em substrato úmido, coberto com alguns milímetros de terra, e mantido em local quente e com umidade controlada. O risco aqui é alto: rizoma cortado mal pode apodrecer e infectar os demais. Eu já perdi dois rizomas inteiros numa tentativa assim, porque não deixei a ferida calosa secar por quarenta e oito horas antes de plantar. A dica prática é deixar o corte exposto ao ar, em local seco e sombreado, até formar um calo bem definido. Só então plante. Você também pode tentar a propagação por sementes, mas isso é mais para produção comercial e não faz sentido para quem quer apenas uma muda caseira. Sementes de zamioculca são difíceis de encontrar e o tempo de germinação pode passar de seis meses, então eu nunca recomendo esse caminho para iniciantes. Um problema comum é o aparecimento de mofo branco na superfície do substrato ou na base do pecíolo. Isso geralmente indica excesso de umidade e má ventilação. Se você notar isso, pare de regar imediatamente, remova a camada superficial de substrato e aumente a circulação de ar. Em alguns casos, adicionar uma pequena quantidade de canela em pó na base pode ajudar a inibir fungos, mas o mais eficaz é corrigir o regime de rega e a ventilação.

Outra armadilha é achar que a muda está morta porque não cresce rápido. Zamioculca é lenta por natureza. Folhas novas podem levar três a quatro meses para aparecer depois que as raízes se estabelecem. Não desista antes disso. Verifique a presença de raízes puxando levemente o pecíolo. Se resistir, há raízes. Se sair facilmente e estiver mole, provavelmente perdeu. Nesse caso, descarte e comece outro corte. Quanto ao vasinho, prefira vasos pequenos com furos de drenagem. Vasos grandes retêm mais umidade e aumentam o risco de apodrecimento. Um vaso de dez a doze centímetros de diâmetro é suficiente para uma muda. À medida que a planta crescer, você trasplanta para vasos maiores, mas nunca ultrapasse mais de dois centímetros de diâmetro a cada mudança, para evitar acúmulo de água não absorvida. Se você quiser acelerar o processo, há um truque que não é muito divulgado: usar hormônio de enraizamento. A indolbutírica ácido (IBA) na concentração de cincocentos a mil partes por milhão, aplicada na base do pecíolo antes de colocar na água ou substrato, pode reduzir o tempo de enraizamento em até cinquenta por cento em condições ideais. Eu já testei e a diferença é perceptível, especialmente em temperaturas mais baixas. Mas cuidado com a dosagem. Excesso de IBA pode inibir o crescimento das raízes em vez de estimulá-las.
Para quem mora em apartamento ou tem pouco espaço, a propagação em copos de vidro ou plástico transparente é uma opção prática. Você pode ver o desenvolvimento das raízes e da água sem precisar remover a muda. Basta trocar a água regularmente e manter o copo em local iluminado, mas sem sol direto. Alguns preferem usar garrafas PET cortadas, que são baratas e recicláveis, mas o importante é garantir que a base do pecíolo não fique submersa completamente. A parte que entra na água deve ser apenas a base do talo, cerca de um ou dois centímetros, para evitar apodrecimento. No final, o que funciona mesmo é observar a planta, ajustar a rega, a luz e a temperatura conforme a realidade do seu ambiente, e ter paciência. Zamioculca não é planta de resultado imediato. Mas quando você vê a primeira raiz branca surgindo do calo no pecíolo, vale cada semana de espera.
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