Como Fazer Um Cercado De Madeira
Projeto básico e o que você vai precisar antes de comprar qualquer coisa
A primeira coisa que todo mundo erra ao pensar em como fazer um cercado de madeira é subir na loja e levar uma lista genérica de tábuas. O problema é que o tipo de madeira, o tratamento e as dimensões dependem inteiramente do solo, do clima local e da função do cercado. Se for só para demarcação em terreno seco e plano, pinus tratada por pressão serve. Se for em área úmida ou com variação térmica grande, eucalipto guará ou teca são opções mais honestas, mas o preço sobe perto de 40%. Antes de qualquer corte, você precisa definir três coisas: a largura do perímetro, a altura do painel e a distância entre os vãos entre os postes. O espaçamento padrão fica entre dois e meio e três metros. Quanto maior o vão, mais a tábua vai tremer com o vento. Eu já vi cerca de três metros e meio ficar batendo na porta dos vizinhos depois de dois anos. Não repita meu erro.
como fazer um cercado de madeira: materiais e ferramentas essenciais
Os materiais básicos são postes de seção 10x10 cm ou 12x12 cm, tábuas de revestimento com espessura mínima de 2,5 cm, argola galvanizada ou parafuso sextavado galvbanizado para fixação, massa asfáltica ou tinta para tratamento da base dos postes, e concreto pronto ou pedrisco compactado para fixação. Ferramentas: estaca e cordão para marcar o alinhamento, sonda de solo ou trado manual, motosserra ou serrote com fio grosso, furadeira de impacto, nível de água ou nível laser, e esquadro. Um detalhe que pouca gente menciona: compre pelo menos 15% a mais de material. A madeira chega com empeno, rachadura ou nodo cedo demais. Você vai precisar descartar peças e ainda assim terminar a cerca sem sobrar resto pra improvisar no futuro.
Passo a passo prático de execução
Comece marcando o alinhamento com estacas e cordão. Passe um nível de água ao longo de todo o perímetro. Se o terreno for muito irregular, opte por acompanhar o desnível com degraus nos painéis em vez de tentar manter tudo reto no plano horizontal. Painel reto em terreno inclinado cria vão em baixo e acaba exigindo preenchimento com alvenaria ou terra batida, o que costuma dar mais trabalho do que valer a pena. Abra os furos dos postes. A profundidade ideal é de aproximadamente 60 cm para postes de dois metros de altura total. Em solos arenosos, aumente para 70 cm. O diâmetro do furo deve ter pelo menos 20 cm a mais que a seção do poste para permitir a compactação correta ao redor. Eu já fiz cerca em solo arenoso no litoral sul e o poste entrou 60 cm como a receita manda, mas depois da primeira chuva forte escorregou dois centímetros. A solução foi aumentar a profundidade e colocar um lastro de brita compactada na base antes do concreto. Trate a parte enterrada dos postes com massa asfáltica ou alcatrão de madeira. Isso é não negociável se a região tiver umidade constante. Madeira tratada por pressão já vem com proteção interna, mas a parte cortada na base fica exposta. Deixe essa parte imersa no produto protetor por pelo menos meia hora antes de posicionar no furo.

Fixe os postes. Use concreto apenas nos primeiros 20 cm da base para criar o calço, mas não encha o furo inteiro com concreto. O concreto maciço retém umidade e acelera a podridão na base do poste. O jeito certo é concretar a base e deixar o restante do furo preenchido com terra e pedra socada. Isso permite drenagem natural e aumenta a vida útil em cerca de três anos em média. Instale os trilhos horizontais. A posição padrão é um trilho a 30 cm do chão, outro a 60 cm e um terceiro na parte superior. Em cercados de alta tensão para animais, o trilho inferior fica mais próximo do solo, cerca de 15 cm, para evitar que o bicho passe por baixo. O espaçamento entre trilhos influencia diretamente a rigidez. Quanto mais trilhos, menos flexão, mas também mais material e mais tempo de trabalho. Fixe as tábuas verticais. Mantenha uma folga de 5 mm entre cada tábua para permitir expansão e contração com a umidade. Se colocar encostadas, no primeiro verão elas vão empinar e empurrar o trilho. Fixe cada tábua com dois parafusos galbanizados, um em cada trilho que ela atravessa. Prender só no trilho superior é erro comum que faz a tábua girar com o tempo.
Pegadinhas que aparecem depois que a cerca já está montada
O principal problema que eu vejo na prática é a escolha errada do sistema de fixação dos postes. DIYers usam parafusos de madeira convencionais no lugar de parafusos galbanizados ou inox. O parafuso comum oxida em seis meses e solta. A tábua cai. Isso não é teoria, aconteceu comigo num cercado de pinus num sítio com chuvas intensas. Troquei todos os fixadores por parafuso sextavado M6 galbanizado e o problema parou. Outro detalhe técnico pouco falado: a direção das tábuas importa. Se o lado mais liso da tábua ficar voltado para dentro, a água acumula na nervura e a madeira apodrece mais rápido. Deixe o lado mais acabado sempre voltado para o lado de fora do terreno. Parece bobo, mas isso altera a durabilidade percebida em 20% ou mais. Há ainda o caso do vento crossflow em terrenos abertos. Se o cercado ficar numa linha que pega o vento lateral forte, os painéis precisam ter mais folga nos fixadores ou serem construídos com tábuas mais grossas. Ventania constante em cerca mal fixada transforma o cercado numa sanfona barulhenta que ninguém quer ter por perto. Eu resolvi isso num projeto recente usando travessas diagonais de 5x5 cm nos vãos maiores. O custo subiu, mas a estabilidade ficou definitiva.
Quando não vale a pena fazer você mesmo
Se o perímetro passar de 80 metros em terreno irregular, o investimento em trado mecânico e a mão de obra extra compensam. Fazer manualmente demora cerca de três vezes mais. Se o solo for rochoso ou com lençol freático alto, convém contratar um profissional, porque a escavação caseira vira sofrimento e o resultado final costuma ficar instável. Cercado de madeira em solo alagável também não é boa ideia, independentemente do tratamento aplicado. Nesses casos, considere cerca de arame farpado com postes de metal ou cerca de tela galvanizada, que ignoram grande parte desses problemas. O custo médio de um cercado de madeira simples, com pinus tratada e execução caseira, gira entre 40 e 80 reais por metro linear, dependendo da região e da espessura das tábuas. Se cotar com marceneiro ou pedreiro, o valor sobe para 100 a 160 reais por metro, mas você ganha acabamento mais consistente e menos dor de cabeça com ajustes pós-instalação. A lição prática é simples: meça duas vezes, cave fundo o suficiente, trate a base dos postes e use fixadores certos. O resto é tempo e paciência.

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34 Modelos de Cerca de Madeira + Passo a Passo de Como Fazer -
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