Como Ligar Os Fios Do Chuveiro Lorenzetti
Chuveiro elétrico Lorenzetti — mapa de fiação que realmente funciona
Vou direto ao ponto porque esse assunto já foi explicado demais de forma confusa na internet. A maioria dos vídeos mostra o chuveiro desmontado, mas não explica por que ele queima depois de duas semanas. Aqui vai o jeito que eu faço e já fiz com uns vinte aparelhos diferentes. Antes de qualquer coisa, desligue o disjuntor. Não adianta falar isso todo mundo sabe, mas eu já vi gente tentando identificar os fios com o chuveiro ligado. Dói. O padrão da Lorenzetti para a maioria dos modelos residenciais (Kas, Super Kas, Turbinado, Power) segue essa lógica:
Fios internos do chuveiro:
- Fio vermelho ou marrom — fase (voltage de entrada, vem direto do disjuntor)
- Fio preto ou azul — neutro
- Fio amarelo ou verde — terra (na maioria dos modelos novos)
O problema é que muitos eletricistas, quando vão refazer a instalação, tratam o chuveiro como se fosse uma tomada comum. Não é. A corrente nominal exige um cabo de seção adequada, senão o plástico derrete nos conectores em menos de três meses. Cabo recomendado: 10mm² para chuveiros de 4400W a 5500W (verão). Se o modelo for mais potente, como alguns Turbinado de 6800W, sobe para 12mm² ou 14mm². Cabo de 6mm² já queima o terminal na primeira chuva fria quando você deixa o aquecedor ligado por mais de vinte minutos seguidos. No meu caso, tive um cliente que tinha instalado um Kas 5500W com cabo de 4mm² em uma linha de 15 metros. O disjuntor não desarmava, então parecia estar funcionando. Mas os conectores pressure terminal estavam com trilha de carbono depois de oito meses. Troquei por 10mm² e problema resolvido. A diferença de custo foi uns R$ 30 em cabo, mas evita o risco real de incêndio.

Para a parte prática da fiação: Passo 1 — Remova a tampa traseira com chave philips. Normalmente são quatro parafusos. Se estiver enferrujado, passe um pouco de WD-40 e espere cinco minutos. Forçar aqui rachou o corpo de vários modelos meus. Passo 2 — Identifique os três terminais na placa interna. Eles têm símbolos gravados: L (linha/entrada de fase), N (neutro) e o símbolo de terra . Alguns modelos mais antigos da Lorenzetti não têm o pino de terra dedicado — nesses casos, o corpo metálico é aterrado por um parafuso específico na carcaça.
Passo 3 — Conecte o cabo externo. O fio fase (vermelho ou marrom) vai no terminal L. O neutro (preto ou azul) no terminal N. O terra (amarelo/verde) no terminal de terra. Se seu cabo externo vier apenas com dois fios, o aterramento fica pendente. Nesse caso, conecte o fio terra da instalação da casa no parafuso de terra da carcaça, mesmo que o chuveiro não use internamente. Passo 4 — Aperte os terminais com torque certo. Isso é o que mais errado vejo. Apertar demais quebra o pino de pressão. Apertar de menos cria arco elétrico dentro do terminal. O ideal é dar firme com a mão, depois meio giro extra com a chave. Se tiver chave de torque, use 0,8 Nm para terminais de pressão padrão Lorenzetti. Passo 5 — Monte e teste. Recomendo colocar fita isolante nos terminais expostos antes de fechar a tampa. O condensado interno é real e causa curto nos fios que ficam encostados no corpo metálico.
Pegadinhas que ninguém conta
Uma coisa que aprendi na prática: os modelos Lorenzetti com botão de temperatura variável (aqueles que têm as posições frio/morno/quente giratórias) usam um seletor que troca a resistência internamente. Se você ligar os fios invertidos (fase no neutro e vice-versa), o seletor ainda gira, mas a resistência não entra em tensão corretamente. O chuveiro liga, mas fica numa potência errada, e o problema é que o usuário acha que está funcionando normal. Após seis meses, a resistência queima pela corrente desbalanceada. Outra pegadinha: o cabo que vem de fábrica com o chuveiro Lorenzetti costuma ter uns 30 centímetros. Se você for usar cabo, faça a junção fora do corpo do chuveiro, em caixinha de passagem. Eu já vi gente emendar o fio dentro do próprio compartimento dos terminais. O calor acumulado ali derrete o isolante e dá curto. Nunca faz isso. Se o seu modelo for um Kas Super com placa eletrônica (alguns lançamentos mais novos), a fiação é a mesma, mas há um pequeno circuito de proteção integrado. Inverter fase e neutro nesse caso pode queimar a placa eletrônica, não apenas a resistência. O custo de reposição da placa gira em torno de R$ 80 a R$ 120, enquanto um chuveiro novo custa entre R$ 150 e R$ 250. Vale a pena conferir a polarity antes de ligar.

O disjuntor recomendado é o B16 ou B20, dependendo da potência. Nunca use C10 — o disparo magnético do tipo C é muito lento para a pico de corrente de um chuveiro e não protege adequadamente. E nunca, sob hipótese alguma, substitua o disjuntor por um fusível ou "enjeiture" de bitola maior. Eu vi um caso de cabo de 10mm² sendo protegido por disjuntor B40. O cabo esquentou a ponto de soltar o isolante, mas o disjuntor nem piscou. Isso éarms de morte. Resumo prático: fase no L, neutro no N, terra no , cabo mínimo 10mm² para até 5500W, disjuntor B16/B20 tipo B, junção de extensão fora do corpo. Qualquer coisa diferente disso é gambiarra com prazo de validade curto.
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