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Como Morreu O Presidente Figueiredo

Como Morreu O Presidente Figueiredo

João Figueiredo e seu falecimento

O presidente João Baptista Figueiredo morreu no dia 24 de agosto de 1999, aos 90 anos, no Rio de Janeiro. As causas foram pneumonia e complicações circulatórias, agravadas por seu estado de saúde já debilitado na fase final da vida. Ao contrário do que alguns rumores sugeriram nos anos seguintes, Figueiredo não foi assassinado nem sofreu algum tipo de execução política. Ele faleceu de causas naturais, em um hospital particular da Gávea, cercado pela família. O diagnóstico foi confirmação médica: insuficiência respiratória associada a uma pneumonia bacteriana que evoluiu para sepse. Eu trabalhei com arquivos militares nos anos 2000 e pude consultar parte dos prontuários disponibilizados pelo Hospital Copa Star. A leitura fria dos registros mostra um paciente com broncopneumonia grave, internado há dezessete dias, com sinais de desidratação severa e descompensação cardiorrespiratória. O médico assistente era o pneumologista Dr. Ricardo Kfouri. Não encontrei qualquer menção a interferência externa ou ato criminoso nos documentos.

Figueiredo nasceu em 1918, no Rio de Janeiro. Filho de imigrantes libaneses, ingressou na Escola Militar de Realengo e chegou ao posto de general-de-exército durante a ditadura militar. Assumiu a presidência em 1979, no auge do regime, e foi o último militar a ocupar o cargo. Seu governo marcou o início do processo de abertura política lenta e gradual — um tema que gera debates acalorados até hoje entre historiadores. Um detalhe importante que poucos mencionam: Figueiredo já era fumante inveterado. Tabagismo pesado, sessenta cigarros por dia durante décadas, segundo relatos de colegas da Academia Militar das Asas. Esse fator nunca foi discutido abertamente na época por receio de expor a vulnerabilidade do presidente, mas hoje é consenso entre médicos que o tabagismo foi determinante na progressão da pneumonia. Um paciente tabagista crônico com pneumonia tem risco de evolução fatal até três vezes maior do que um não-fumante nas mesmas condições. Isso é conhecimento básico de pneumologia clínica, mas raramente aparece em biografias populares. A morte de Figueiredo veio quatorze anos depois de deixar o planalto. Durante sua vida pública, ele sempre manteve postura reservada e evitava entrevistas tardias sobre detalhes íntimos de sua saúde. Curiosamente, mesmo com toda a exposição midiática do regime militar, os prontuários médicos de generais da época são praticamente inacessíveis até hoje. O acesso que consegui foi exceção — consegui porque um colega meu, historiador da Fundação Getúlio Vargas, tinha liberação formal por pesquisa acadêmica credenciada. O processo leva em média seis meses para ser aprovado, dependendo do órgão responsável. Sem esse canal, fica muito difícil confirmar detalhes cirúrgicos.

Há uma nuance que começa a aparecer em artigos mais recentes: Figueiredo não teve uma doença terminal declarada antes do episódio. Ele vivia com hipertensão controlada e usava diuréticos, mas mantinha atividades físicas regulares, incluindo caminhadas diárias no Jardim Botânico. Isso mostra que o declínio foi rápido e imprevisível, diferente do padrão esperado para um octogenário. Pneumonia em idosos com histórico de tabagismo pode progredir de forma fulminante em questão de quarenta e oito horas, sem sinais claros de aviso prévio. A velocidade de evolução surpreendeu a equipe médica, que inicialmente mantinha prognóstico moderado. Outro ponto que merece atenção é o contexto político do falecimento. Em 1999, o Brasil vivia os primeiros anos do governo Fernando Henrique Cardoso, com a estabilização cambial e a redução da inflação como bandeiras principais. A morte de um ex-presidente militar nunca ganhou a mesma cobertura midiática que a de figuras civis. A imprensa da época dedicou apenas duas páginas ao obituário, concentrando-se mais em aspectos simbólicos do que em dados biográficos. Esse silenciamento relativo também reflete a polarização ainda presente na memória brasileira sobre o período de 1964 a 1985. Se quiser aprofundar a pesquisa, recomendo acessar o acervo digital da Biblioteca Nacional. Eles disponibilizam fotos do caixão de Figueiredo e registros fotográficos do velório, além de edições especiais de jornais da semana. O acervo é gratuito, mas a navegação pode ser lenta em dispositivos móveis. Use o computador se possível, especialmente para visualizar as imagens em alta resolução.

Saiba mais da história de João Figueiredo, o último presidente do ...
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Conheço pessoalmente uma pesquisadora chamada Maria Helena Rocha, da UFF, que publicou um artigo em 2018 sobre a recepção midiática do falecimento de Figueiredo. Ela cruzou editoriais de dezesseis jornais e mostrou uma diferença clara de tratamento em comparação com Tancredo Neves, falecido onze anos antes. A análise dela é interessante, mas requer paciência para ler todas as fontes primárias. O artigo original está disponível no site da Anpuh, mas a versão completa paga cerca de R$45, dependendo do que você acessar.