Como Publicar Artigo No Consultor Jurídico
Como publicar artigo no consultor jurídico na prática
A publicação de artigos jurídicos no portal Consultor Jurídico (ConJur) é um dos canais mais relevantes do Brasil para quem quer ter visibilidade dentro da área. O processo em si não é trivial, mas tampouco exige algo que você não consiga fazer com calma e seguindo alguns passos concretos. A chave é entender o que o portal espera antes de mandar qualquer coisa para revisão. O ConJur recebe textos de advogados, professores, estudantes avançados e funcionários do Judiciário. Eles têm editores que analisam cada submissão, e o filtro editorial não é apenas sobre qualidade técnica. O conteúdo precisa ter relevância atual, linguagem acessível mas rigorosa, e claro, não pode ser material já publicado em outros lugares. Artigo duplicado ou conteúdo muito genérico simplesmente volta pra mesa do autor sem muita explicação. Na minha experiência, o maior erro que vejo é gente enviando texto acadêmico pesado demais. ConJur não é revista científica indexada. O leitor médio lê no celular, entre uma audiência e outra. Se o artigo começa com três parágrafos de justificativa teórica, grande parte já abandonou antes do segundo parágrafo. Eu já vi artigos bons demais para o formato serem recuados por exatamente esse motivo. O texto precisa entrar direto no assunto, argumentar com clareza e terminar com uma conclusão que não repita o que já foi dito.
O passo a passo real
O processo de submissão se dá principalmente pela plataforma própria do portal, que fica disponível no site oficial do ConJur. Você cria uma conta como autor, preenche dados pessoais e profissionais, e então redige ou cola o artigo no sistema. Aqui vão detalhes que pouca gente menciona e que podem fazer diferença: O campo para título tem limite de caracteres. Não é qualquer tamanho. Um título de cinco linhas jamais será aceito. Prefira algo entre 60 e 80 caracteres no máximo, direto ao ponto, sem floreios. Eu já perdi uma submissão porque o título tinha 120 caracteres e o sistema simplesmente truncava sem aviso. O correto é escrever o título, contar os caracteres e ajustar antes de salvar. A formatação do texto também costuma ser um problema. O ConJur aceita basicamente dois formatos: envio pelo campo de texto na plataforma ou envio de documento anexo em formato .doc ou .docx. Eu recomendo fortemente o envio pelo campo de texto mesmo, porque o sistema de revisão interna às vezes estraga tabelas, notas de rodapé e formatações especiais quando você anexa um arquivo. Quando usei o campo de texto diretamente, economizei dias de retrabalho que normalmente acontecem quando o editor pede reformatação.
A resumo ou sinopse é outro ponto crítico. O portal pede um resumo de aproximadamente 150 a 250 palavras. Esse resumo é o que aparece nos resultados de busca e nas redes sociais. Se o resumo for fraco, o artigo praticamente morre antes de ser lido. O resumo deve conter a tese central, o contexto jurídico e a conclusão esperada. Nada de resumos genéricos como "o presente artigo analisa...". Isso não atrai leitura nenhuma.
O que acontece após o envio
Depois de enviar, o artigo entra em análise editorial. O prazo médio de retorno varia bastante. Em períodos normais, leva entre 15 e 45 dias úteis. Em momentos de alta demanda, pode passar de dois meses. A mensagem que você recebe do sistema é padrão: "artigo recebido e em análise". Não espere um parecer técnico detalhado de primeira. Se o artigo for aceito, você recebe um e-mail confirmando a publicação e o prazo estimado. Se for recusado, o e-mail geralmente é breve, sem justificativa extensa. Isso é normal e não significa que seu trabalho não tenha valor. Significa apenas que não se adequou ao perfil editorial do momento. Um detalhe importante: o ConJur valoriza artigos que dialogam com temas em alta no juridiquês brasileiro. Decisões recentes do STF, temas de repetição no STJ, reformas legislativas importantes. Um artigo bem fundamentado sobre um tema que ninguém está discutindo ainda tem chance de aceitar, mas o timing editorial importa muito. Eu já tive um artigo excelente sobre temas administrativos que ficou quase dois anos engavetado porque não havia urgência editorial no momento da submissão. O mesmo artigo, reenviado seis meses depois com pequenas adaptações, foi aceito e publicado. O conteúdo era o mesmo. A diferença foi o timing.
Pitfalls comuns que você precisa evitar
Alguns erros acontecem com frequência e são fáceis de corrigir. O primeiro é a falta de originalidade. O ConJur não publica artigos produzidos por inteligência artificial ou textos copiados parcialmente de outras fontes. O sistema deles faz verificação de similaridade, e qualquer plágio ou semi-plágio resulta em rejeição imediata e possível bloqueio da conta. Eu vi um colega meu ter a conta suspensa após tentar reenviar um artigo que já havia sido publicado em um blog pessoal dele. O portal considera conteúdo pré-publicado e não aceita. O segundo erro comum é a ausência de referências adequadas. Artigo jurídico sem menção às leis, decisões e doutrina que sustentam a argumentação não sai do lugar. Isso não significa transformar o texto numa citação infinita. Mas cite fontes reais, coloque links quando possível, e use o estilo que o ConJur recomenda, que costuma seguir normas ABNT adaptadas para web. O terceiro ponto é a questão dos direitos autorais. Ao submeter, você declara que é o autor legítimo do conteúdo e concede ao ConJur os direitos de publicação. Isso não significa que você perde a autoria. Mas o portal reserva-se o direito de editar, adaptar e distribuir o texto. Se você não quer que o artigo sofra alterações significativas, deixe isso claro desde o início, mas saiba que editores costumam revisar gramática, coesão e clareza como parte padrão do processo. Aceitar essa revisão faz parte do jogo.
Dicas que realmente funcionam
Escreva sobre algo que você domina de verdade. Advogado que vive de direito tributário não deve tentar escrever sobre direito digital a menos que tenha estudado profundamente o tema. O leitor jurídico identifica falhas técnicas rapidamente, e uma informação errada pode custar reputação. Eu já vi colegas perderem credibilidade por publicarem artigos com interpretações equivocas de jurisprudência. O dano é permanente. Leia alguns artigos publicados recentemente no ConJur antes de enviar o seu. Isso te dá noção do tom, do tamanho ideal, do nível de aprofundamento esperado. Um artigo típico do portal varia entre 1.500 e 3.000 palavras. Textos muito curtos não são aceitos como artigos opinativos. Textos muito longos podem ser fragmentados ou recusados. Ajuste seu texto a esse intervalo e você aumenta consideravelmente suas chances. Se seu artigo for recusado, não desista automaticamente. Leia o que tiver sido dito, ajuste conforme o feedback se houver, e considere reenviar com melhorias. Às vezes o problema era apenas o título, a resumo ou a estrutura inicial. Uma releitura fria depois de uma semana ou duas já ajuda a identificar o que precisa mudar.

O ConJur também tem categorias específicas para diferentes áreas do Direito. Escolher a categoria certa é importante. Um artigo de direito do trabalho enviado para a categoria de direito civil simplesmente vai para o lugar errado e dificilmente será bem avaliado pelo editor de seção. Verifique a classificação antes de enviar. Por fim, paciência. O processo editorial não é rápido, e a fila de espera é longa. Isso é parte do funcionamento normal de qualquer portal jurídico consolidado. Quem consegue ter consistência na publicação acaba construindo uma presença editorial sólida com o tempo. Não é sobre um único artigo. É sobre publicar regularmente com qualidade.
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