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Conectivos Para Começar Uma Redação

Conectivos Para Começar Uma Redação

Conectivos para começar uma redação: o que funciona e o que dá problema na prática

A maioria dos alunos começa uma redação com conectivos que soam artificiais. "Diante do exposto...", "Tendo em vista que...", "É notório que..." — essas fórmulas aparecem em todo canto e parecem ser copiadas de algum manual que ninguém leu direito. O problema é que essas expressões não se sustentam quando o corretor lê as próximas linhas e percebe que o texto não tem argumentação, só enfeite. Eu já corrigi redações em que o aluno usava "Conclui-se, portanto..." no primeiro parágrafo inteiro. Não fazia sentido. Você não conclui nada na introdução. A estrutura lógica pede que a conclusão venha no final, não no começo. Isso não é regra decorada, é senso comum de progressão textual.

conectivos para começar uma redação

Os conectivos mais eficientes para introdução são aqueles que sinalizam tese ou contextualização sem fingir autoridade que não existe. "A Constituição Federal de 1988 prevê...", "Segundo dados do IBGE de 2023...", "Historiadores como Florestan Fernandes identificaram..." — essas opções ancoram o texto em algo concreto. O leitor sabe imediatamente que o argumento tem base, não só opinião. Eu tenho um caso específico que ilustra bem o erro comum. Um aluno escreveu uma redação sobre mobilidade urbana começando com "Sabe-se que os problemas de trânsito existem há décadas." O problema era que ele não especificava a cidade, não trazia dados, não citava nenhuma fonte. A expressão "sabe-se que" soa como verdade absoluta, mas o resto do texto não sustentava essa pretensão. O corretor apontou como falta de precisão. A alternativa seria algo como: "Em São Paulo, o tempo médio de deslocamento domiciliar subiu de 35 para 47 minutos entre 2010 e 2022, segundo a PNAD Contínua." Esse tipo de reparo parece simples, mas muda completamente a qualidade do texto. Em vez de generalidade, há especificidade. Em vez de afirmação vazia, há dado verificável.

Outro erro frequente é usar conectivos de conclusão ou contraste na introdução. Expressões como "No entanto", "Porém", "Contudo" pertencem ao desenvolvimento, não ao início. A introdução deve apresentar o tema e a tese. O contraste surge quando você vai argumentar contra uma visão ou apresentar uma problematização. Colocar "No entanto" logo na primeira linha é como colocar a sobremesa antes do prato principal. Eu já vi redações em que o aluno abria com "Embora muitos acreditem que..." e não desenvolvia essa oposição em nenhum momento. O texto simplesmente seguia numa linha reta sem nunca retomar o "embora". Isso gera uma promessa não cumprida. O corretor percebe e descontava pontos. Os conectivos de adição também precisam de cuidado. "Além disso", "ademais", "outrossim" são úteis no desenvolvimento para somar argumentos, mas na introdução eles não têm função clara. Você ainda não apresentou o primeiro argumento para adicionar algo a ele. Usar "além disso" no primeiro parágrafo é como construir um segundo piso antes de ter o térreo.

Conectivos para redação: veja uma lista completa e como usar no Enem
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Uma nuance que poucos levam em conta é a diferença entre conectivos que introduzem opinião e conectivos que introduzem fato. "É importante ressaltar que" sinaliza opinião do autor. "Segundo pesquisa da Fiocruz" sinaliza dado externo. A introdução se beneficia mais de dados do que de opiniões, porque dados dão sustento à tese antes mesmo dela ser plenamente formulada. Vale mencionar também que alguns conectivos funcionam melhor em certos gêneros textuais. "Considerando que" é mais natural em dissertações argumentativas do que em narrativas ou cartas argumentativas. Em cada gênero, a estrutura esperada muda, e o conectivo precisa se adequar à convenção do texto. Usar o conectivo errado para o gênero é um erro mais grave do que muitos alunos percebem. Um contraponto honesto: nem todo conectivo bem colocado salva uma introdução fraca. Se o texto não tem coesão interna, se os parágrafos não dialogam entre si, se a tese não é clara, nenhum "diante do exposto" ou "em virtude disso" vai disfarçar a falha. Conectivos são ferramentas de articulação, não de preenchimento. Eles funcionam quando há conteúdo para articular. Quando não há, eles só tornam o vazio mais visível.

Na prática, o que recomendo é começar pelo dado ou pela citação, não pela opinião. Depois da base concreta, a tese aparece naturalmente. E só então você usa conectivos para ligar os parágrafos seguintes. Essa sequência — fato, tese, argumento — segue a lógica de construção que o leitor espera, sem forçar nada. O tempo de preparação com essa abordagem varia. Alunos que escrevem por alto costumam gastar uns 8 minutos na introdução, mas repetem os mesmos conectivos errados. Com revisão específica de conectivos, esse tempo sobe para 12 ou 15 minutos, mas a diferença na qualidade é perceptível desde a primeira linha. O corretor não precisa chegar ao final do texto para perceber que algo mudou.