Conjugação Do Verbo Correr No Passado
Correr no passado: o que realmente acontece com esse verbo
A conjugação do verbo correr no passado é uma daquelas coisas que parecem simples até você tentar explicar para alguém e perceber que tem uma armadilha aí no meio. O verbo é regular na maior parte das formas, mas tem uns detalhes que todo mundo erra, principalmente quando mistura pretérito perfeito com imperfeito. Vou começar pelo pretérito perfeito, que é o que as pessoas mais precisam no dia a dia. Eu já vi muita gente escrever "eu correi" como se fosse erro, mas na verdade está certo. O problema é quando tentam aplicar a mesma lógica para todas as pessoas e acabam criando formas que não existem. A tabela abaixo mostra as formas do pretérito perfeito do indicativo:
Eu corri
Tu correste
Ele/Ela correu
Nós corremos
Vós correstes
Eles/Elas correram Percebeu o padrão? A maioria dos verbos regulares em -er tem a mesma desinência. O "corr-" é o radical que se mantém intacto em todas as formas. Aição está apenas nas terminações. Isso facilita muito, mas é onde as coisas começam a complicar. Agora vamos para o pretérito imperfeito, que é onde os erros acontecem de verdade. As formas são:
Eu corria
Tu corrias
Ele/Ela corria
Nós corríamos
Vós corríeis
Eles/Elas corriam A diferença principal aqui está no acento. "Nós corríamos" e "vós correis" são formas que quase sempre aparecem com acento errado ou sem acento nenhum. Eu já corrigi trabalho de gente formada e ainda via "nós corríamos" escrito como "nós corriamos" sem o acento. O acento diferencial existe exatamente para evitar essa confusão, porque "corriamos" pode ser confundido com o pretérito perfeito (que também seria "nós corremos", mas em outro tempo). O pretérito mais-que-perfeito é aquele tempo que caiu em desuso na fala cotidiana mas ainda aparece em textos formais e na literatura. As formas são:
Eu correra
Tu correras
Ele/Ela correra
Nós corrêramos
Vós corrêreis
Eles/Elas correram Note que "nós corrêramos" e "vós corrêreis" levam acento circunflexo. Esse é um detalhe que a maioria dos materiais didáticos não enfatiza o suficiente. Se você escrever "nós corramos" sem o circunflexo, está grafando uma forma que pertence ao presente do subjuntivo, não ao mais-que-perfeito. Duas formas idênticas na escrita, significados completamente diferentes.
O problema que ninguém avisa sobre o pretérito perfeito
Existe uma pegadinha específica que eu encontrei centenas de vezes e que raramente é explicada nos livros. Quando o sujeito é "nós" no pretérito perfeito, a forma é "nós corremos". Mas "corremos" também é a forma do presente do indicativo para a mesma pessoa. Isso cria ambiguidade que só o contexto resolve. Por exemplo: "Nós corremos três quilômetros ontem." O "ontem" que define o tempo. Sem o advérbio de tempo, a frase fica ambígua: "Nós corremos três quilômetros" pode significar um hábito atual ou um fato passado. Na prática, eu resolvi isso propondo que, quando a ambiguidade for problemática, se use o pretérito perfeito composto ("nós temos corrido") para sentidos contínuos atuais, ou se reescreva a frase com um marcador temporal explícito. Não é elegante, mas funciona. Outro ponto que causa confusão constante é a diferença entre o pretérito perfeito e o imperfeito. O perfeito indica ação concluída, pontual. O imperfeito indica ação habitual, em andamento ou sem delimitação temporal precisa. "Eu corri ontem" é um fato fechado. "Eu corria toda manhã" é um hábito no passado. A tradução para o inglês mostra a diferença claramente: "I ran" versus "I used to run" ou "I was running". Quando o falante nativo pensa em termos ingleses, a escolha do tempo verbal fica comprometida.
Também vale mencionar o pretérito mais-perfeito do subjuntivo, que é raramente usado mas aparece em estruturas condicionais formais: "Se eu tivesse corrido mais devagar, não teria chegado tarde." O particípio "corrido" é invariável aqui. Algumas pessoas tentam concordá-lo ("se eu tivesse corrido mais rápida"), o que está errado. O particípio do verbo correr não se flexiona em gênero ou número nesse tempo compososto. Se você está estudando para uma prova ou precisa usar essa conjugação em um texto formal, o mais seguro é revisar as formas do pretérito perfeito com atenção aos acentos e depois treinar a distinção entre perfeito e imperfeito com frases que tenham marcadores temporais claros. A maioria dos erros que vejo vêm da falta de consciência dessa distinção, não da dificuldade em memorizar as terminações em si.
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Conjugação do Verbo Correr de Forma Prática | Actualizado julio 2026 -
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