Conjunção Conclusiva
Por que você está errando na hora de usar conectivos de conclusão
Acho que a maioria das pessoas que estuda português trava nas conjunções conclusivas porque os materiais didáticos tratam tudo como sinônimo. Não é. O problema é mais chato do que isso: há variações de registro, de posição na oração, e de sentido lógico que quase ninguém explica direito. Conjunção conclusiva é o conectivo que fecha um raciocínio, indicando que a segunda oração é consequência direta do que foi dito antes. As mais comuns são "logo", "portanto", "por isso", "assim" e "todavia" em alguns contextos. O detalhe que muitos livros esquecem é que nem todas funcionam da mesma forma em todas as estruturas. Já vi gente usar "logo" no lugar de "portanto" e receber correção, mesmo sem erro gramatical. O problema é que "logo" tem conotação mais informal e não encaixa bem em textos jurídicos ou acadêmicos formais. Já "portanto" é a escolha padrão quando se precisa de rigor lógico. "Por isso" é ainda mais flexível, mas carrega um tom mais coloquial.
Cuidado com a vírgula antes de "portanto"
Aqui vai algo que todo mundo erra. A vírgula antes de "portanto" não é opcional — é obrigatória na maior parte dos casos. Se você escrever "Ele estudou muito portanto passou" sem vírgula, o texto fica com erro de pontuação. O correto é "Ele estudou muito, portanto passou". A vírgula marca a pausa necessária entre a premissa e a conclusão. Isso acontece porque "portanto" é uma conjunção adverbial, e não uma conjunção coordenativa propriamente dita. Ela liga orações independentes, mas não faz a mesma função de "e", "mas" ou "ou". Essa diferença técnica faz toda a diferença na hora de pontuar corretamente.
Um caso real que me pegou mal
Num projeto de revisão de artigos acadêmicos, encontrei um texto onde o autor havia usado "daí por conseguinte" três vezes seguidas. Parecia elegante, mas era redundantíssimo. Cada vez que alguém repete o mesmo conector de conclusão no mesmo parágrafo, o leitor acaba perdendo o fio da meada. A solução foi substituir duas delas por construções alternativas, como "nesse sentido" e "diante disso", mantendo a clareza lógica sem soar repetitivo. O erro mais comum que vejo é o uso de "então" como conjunção conclusiva. "Então" é um advérbio de tempo, não uma conjunção conclusiva de verdade. Em contextos formais, isso soa amador. Prefira sempre "logo", "portanto" ou "assim" quando precisar fechar um argumento com autoridade.

Quando a conjunção conclusiva falha completamente
Existe um cenário em que nenhuma conjunção conclusiva funciona bem: textos com raciocínio logicamente falho. Se a premissa não sustenta a conclusão, colocar "portanto" no meio não resolve nada. O conectivo só funciona se o raciocínio em si for válido. Nada de enfeites retóricos para mascarar argumentos que não se sustentam. Outro ponto importante: algumas conjunções conclusivas podem criar ambiguidade se posicionadas de forma inadequada. "Assim" é o pior exemplo disso. Pode significar tanto modo quanto conclusão, dependendo do contexto. "Ele agiu assim, portanto é irresponsável" — aqui "assim" refere-se ao modo, não encerra o raciocínio. Já "Ele faltou três vezes, assim será punido" — aqui sim, "assim" funciona como conclusivo.
Dica prática para revisar seus próprios textos
Se você quer melhorar o uso dessas conjunções, faça o seguinte: leia seu texto em voz alta e marque cada vez que usar um conectivo de conclusão. Se mais de dois aparecem no mesmo parágrafo, reformule. Se um deles pode ser substituído por uma reescrita mais natural, faça isso. A maioria dos textos que reviso perde pelo menos 30% dos conectivos desnecessários nessa etapa simples. Não existe fórmula mágica. O que funciona é ler bastante boa prosa argumentativa e prestar atenção em como autores consistentes distribuem esses conectivos ao longo de um texto. A repetição excessiva é o sinal mais claro de que alguém não domina o assunto.
Galeria
-
Conjunção: o que é, tipos, como identificar e exemplos