Considere As Afirmações Todo Crocodilo É Um Réptil
O que acontece quando você tem que avaliar silogismos com base em premissas dadas
Todo mundo que já lidou com raciocínio lógico ou provas de concurso acaba se deparando com esse tipo de exercício: dadas certas afirmações, você precisa decidir quais conclusões são válidas. Parece simples até o dia em que as alternativas começam a se confundir e você percebe que o cérebro está interpretando coisas que o enunciado nunca disse. Eu passei horas corrigindo exercícios desse tipo e sempre vejo o mesmo erro. As pessoas usam conhecimento externo — biologia, — para descartar ou validar algo quando o enunciado pede para considerar apenas o que foi afirmado. Isso muda completamente a jogada.
considere as afirmações todo crocodilo é um réptil
Vamos pegar esse exemplo concreto e desmontar como funciona na prática. A afirmação base é: "todo crocodilo é um réptil". A partir daí, surgem conclusões possíveis e você precisa julgar cada uma. O pulo do gato é que esse tipo de questão não quer saber se a conclusão é verdadeira no mundo real. Quer saber se ela logicamente segue das premissas dadas. Imagine que a pergunta é: "Dada a afirmação 'todo crocodilo é um réptil', pode-se concluir que 'alguns répteis são crocodilos'?" A resposta correta é sim. É uma conversão válida. Se todo A é B, então alguns B são A. Isso é lógica elemental, mas as bancas adoram colocar essa armadilha porque a maioria das pessoas trava e acha que não tem informações suficientes. Agora, se a conclusão fosse "todo réptil é crocodilo", aí você já erraria. A inversão não é válida. É o erro mais comum que eu vejo. As pessoas veem a relação e acham que ela funciona nos dois sentidos. Não funciona. Todo crocodilo é réptil, mas répteis incluem tartarugas, cobras, lagartos — coisas que não são crocodilos. Isso você precisa ter claro antes de olhar qualquer alternativa.
Outro ponto que as bancas adoram brincar é com o termo "alguns". Na lógica formal, "alguns" significa "pelo menos um". Então "alguns répteis são crocodilos" é logicamente correto porque, se todo crocodilo é réptil, pelo menos um réptil é crocodilo. Basta existir um crocodilo. Se o universo do problema assumir existência (o que quase sempre assume), a conclusão se sustenta. Eu me lembro de uma vez em que estava avaliando questões para um material didático e tropecei num caso onde a premissa era "nenhum crocodilo é mamífero" e a conclusão proposta era "nenhum mamífero é crocodilo". A maioria dos criadores de banco de questões marca isso como certo, mas tecnicamente depende da interpretação do silogismo. Na lógica aristotélica tradicional, a conversão por negação é válida, então nesse caso específico a conclusão se mantém. Mas se a questão vier acompanhada de outras premissas que alterem o escopo, aí a coisa muda de figura. O que eu recomendo na hora de resolver é um método simples que economiza tempo. Primeiro, traduza tudo para diagramas de Venn. Desenhe os círculos. Segundo, elimine qualquer conclusão que traga informações novas — termos que não apareceram nas premissas. Terceiro, verifique se a direção da implicação está correta. Sempre te dá uma noção rápida de quantas alternativas realmente podem ser válidas.
Um problema que eu encontrei pessoalmente foi com questões que misturavam premisas universais com particulares na mesma cadeia. Tipo: "todo crocodilo é réptil" e "alguns répteis vivem na água". Tentar concluir "alguns crocodilos vivem na água" parece plausível, mas não é logicamente necessário. Pode ser verdade no mundo real, mas as premissas não obrigam isso. A interseção entre crocodilos e "répteis que vivem na água" não está garantida pelas premissas sozinhas. Eu costumava marcar errado essas questões por instinto e depois levava bronca dos professores. Depois que parei de confiar na intuição e confiei só no diagrama, meu acerto disparou. A regra prática é: se você precisar de conhecimento de fora para validar a conclusão, a resposta é que ela não segue logicamente. Ponto. Esse é o erro número um. As pessoas leem "todo crocodilo é réptil" e já começam a pensar em quais répteis existem, onde vivem, quantas espécies. Isso não é permitido nesse tipo de exercício. Você só tem o que foi dito. Também é importante notar que esse formato de questão tem limitações sérias. Ele avalia habilidade de raciocínio formal, não compreensão do conteúdo. Alguém pode ser excelente em diagramar e tirar nota alta sem saber nada de lógica avançada. E alguém com bom senso pode errar porque a conclusão certa soa absurda intuitivamente. Nada disso reflete capacidade real de análise crítica no sentido amplo. É uma habilidade técnica, ponto final.
Se o seu objetivo é praticar, o caminho mais eficiente é resolver questões de bancas como CESPE, FCC e VUNESP, que têm padrões muito claros. Anotar os erros e categorizá-los por tipo de falácia — conversão inválida, termo médio não distribuído, inversão de quantificador — costuma reduzir o tempo de estudo em cerca de 40 por cento em relação a simplesmente fazer muitas questões sem revisão. O que eu vejo como a maior armadilha avançada é a questão que apresenta múltiplas premissas encadeadas. Tipo: "todo crocodilo é réptil", "alguns répteis são aquáticos", "nenhum aquático é voador". Aí pedem para concluir sobre a relação entre crocodilos e seres voadores. Aqui o truque é mapear passo a passo e não pular nenhuma transição. Se você pular, inventa uma conexão que não existe. Eu levei três tentativas para criar um fluxo limpo de anotações que me permitia rastrear cada termo sem me perder. O método que funcionou foi escrever numa linha só, da esquerda para a direita, cada inferência intermediária antes de chegar à conclusão final. Leva mais tempo, mas elimina o erro de atalho mental.
Galeria
-
Crocodylidae é um réptil mais perigoso do crocodilo | Foto Premium -
O crocodilo do nilo (crocodylus niloticus) é um réptil carnívoro grande ... -
Arte vetorial colorida hiperrealista de um crocodilo réptil africano ... -
Jacaré e crocodilo | Biologia marinha, Métodos de aprendizagem, Biologia