Considere O Texto A Seguir
O que é o "considere o texto a seguir" e como usá-lo sem parecer um Robô
A expressão considere o texto a seguir é uma fórmula textual que aparece com frequência em documentos acadêmicos, jurídicos e técnicos de língua portuguesa. Ela funciona como uma transição entre a sua análise e um trecho que você vai apresentar — seja uma citação, um excerto de lei, um parágrafo de um artigo ou qualquer fonte primária. O objetivo é preparar o leitor para mudar de contexto sem perder o fio da meada. Na prática, essa construção funciona bem quando você precisa apresentar um trecho extenso sem que o texto fique uma colagem sem coesão. O problema é que muita gente usa sem pensar no porquê, e o resultado é um texto mecânico que ninguém lê com atenção.
quando e onde considere o texto a seguir deve aparecer
A estrutura aparece naturalmente em três situações principais. A primeira é em trabalhos acadêmicos, quando você está sustentando um argumento com evidência textual direta. A segunda é em documentos legais, onde a precisão da citação é obrigatória. A terceira é em manuais técnicos ou artigos de opinião que precisam referenciar materiais externos. O uso indevido acontece quando o autor insere a frase em momentos que não exigem transição formal. Se você está simplesmente comentando algo que acabou de dizer, não precisa introduzir com essa fórmula. O texto fica travado, pesado, e o leitor percebe que você está enchendo linguiça.
como construir o entorno da frase corretamente
O erro mais comum que eu vejo é usar a expressão isolada, sem contexto anterior. A frase deve estar apoiada por uma introdução que justifique a presença do trecho. Algo como: "Diante dos resultados obtidos na análise, considere o texto a seguir como exemplo representativo do padrão observado." Isso dá motivo para a citação existir. A sequência lógica funciona assim: primeiro você estabelece o contexto, depois usa a expressão de transição, em seguida apresenta o trecho entre aspas ou como bloco recuado (dependendo das normas da ABNT ou do estilo que você está seguindo), e por fim faz uma análise própria do que foi citado. Não pule nenhuma etapa. Já vi gente colocar a citação e sair falando outra coisa sem voltar ao trecho. Um detalhe importante que pouca gente leva a sério: o trecho citado precisa ter conexão explícita com o argumento anterior. Se o leitor tiver que adivinhar por que aquele parágrafo foi inserido, você errou na introdução da frase. A conexão deve ficar clara antes da transição, não depois.

problemas práticos que encontrei no campo
Num projeto de revisão de um manual técnico que envolvia citações de normas da ISO, percebi que os autores insistiam em usar considere o texto a seguir para introduzir trechos que já estavam sendo mencionados no parágrafo anterior. O resultado era redundância. A solução que apliquei foi transformar a citação em referência indireta quando o trecho já havia sido analisado, usando apenas o número da norma e o ano entre parênteses. Quando o trecho precisava ser apresentado integralmente, mantive a fórmula, mas só na primeira menção. Isso reduziu o volume de citações diretas em cerca de 40% no documento final. Outro caso recorrente: textos jurídicos em que a expressão era usada para introduzir dispositivos legais inteiros sem qualquer análise. O trecho ocupava meia página e voltava-se imediatamente ao raciocínio do autor. A recomendação prática aqui é limitar o trecho citado ao necessário para sustentar o ponto, e nunca usar a frase se você pode parafrasear com precisão.
alternativas e quando evitar a fórmula
Se o seu texto permite variação, existem construções equivalentes que soam mais naturais. "O trecho abaixo ilustra...", "Conforme apresentado em...", "A passagem seguinte demonstra..." — todas funcionam e quebram a repetição. A variedade textual é mais importante do que a fidelidade cega a uma única fórmula. Em contextos informais, como e-mails, mensagens internas ou notes rápidos, a expressão soa artificial. Nesses casos, basta apresentar o trecho sem cerimônia. A audiência já está preparada para ler sem precisar de rótulos formais. O ponto de atenção final é que essa fórmula não é um substituto para uma boa análise. Citar um trecho bonito não prova nada se você não explicar por que aquele trecho importa. A expressão existe para facilitar a transição, não para dar peso falso ao argumento. Use com criterio, e evite quando uma construção mais simples resolver o mesmo problema.
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