Contra Ataque Tem Hifen
Quando usar o hífen em compostos com contra-
Vou direto ao ponto. A pergunta aparece todo dia aqui no fórum, e a resposta depende de uma regra que todo mundo decora errado. "Contra ataque" sem hífen está incorreto na norma culta. O correto é contra-ataque. O hífen é obrigatório. O motivo é simples, mas a aplicação pega muita gente. Quando o prefixo contra- é seguido de palavra que começa com vogal ou H, usa-se hífen. Isso vale para ataque, ataque aéreo, almoxarifado, espionagem, inação, interregno. Todos levam hífen: contra-espionagem, contra-indicação, contra-ofensiva, contra-regra.
contra ataque tem hifen
Sim, tem. E a dúvida não é só sobre essa palavra. A mesma lógica se aplica a dezenas de outros termos que aparecem em textos jornalísticos, relatórios técnicos e até documentos oficiais. Quem escreve SEM o hífen erra. Quem coloca hífens onde não devem também erra. O problema é que o acordo ortográfico de 1996 mexeu com várias regras e criou confusão. Vou dar um exemplo prático. Recebi um e-mail de um revisor hace dois anos pedindo para retirar hífens de "contra-regra", "contra-ordem" e "contra-ataque" num manual técnico. A justificativa dele era que esses termos estavam "consolidados". Eu refiz a pesquisa, verifiquei o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da ABL e do Acordo Ortográfico, e confirmei: todos continuam exigindo hífen. O termo "contrarregra" não existe na norma. O certo é "contra-regra". A correção foi mantida no texto final. A regra geral para o prefixo contra- segue esta lógica: vogal ou H no início do segundo elemento = hífen obrigatório. Consoante diferente de H = sem hífen. Então temos "contrassenso", "contraponto", "contrapeso", "contracandidato". Mas "contra-ataque", "contra-almoxarife", "contra-espionagem". É isso.
Agora, aqui vai algo que poucos mencionam. Tem um caso que ninguém avisa e causa erro recorrente: quando o segundo elemento começa com C ou R. Nesse caso, duplica-se a consoante E NÃO se usa hífen. Então é "contracusto", "contrarregra", "contrassenso". Se você escrever "contra-custo" ou "contra-regra" com hífen, está errado. Essa é a armadilha mais comum. Outro ponto que causa confusão é a diferença entre o prefixo contra- e o adjetivo contra. Quando "contra" funciona como preposição (sentido de oposição), não há hífen porque não é um composto. Exemplo: "jogar contra o time adversário". Aqui "contra" é preposição, não prefixo. Já em "contra-ataque", é prefixo formando palavra composta. A distinção é importante. Para consultar de forma confiável, a fonte primária é o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da ABL, disponível gratuitamente no site oficial deles. Também dá para verificar no Dicionário Priberam, filtrando por "hífen" em cada entrada. O Acordo Ortográfico em si é texto curto — dá para ler em vinte minutos — mas ele não lista todas as palavras. Só estabelece as regras. A lista de exceções e consolidados fica nos dicionários.

Minha recomendação prática: se você está digitando um texto e não tem certeza, consulta o Vocabulário da ABL antes de chutar. Erros de hífen em documentos formais são um dos primeiros sinais de que o texto não passou por revisão competente. E a correção posterior custa mais tempo do que a consulta preventiva. Resumindo o que importa: contra-ataque leva hífen. Contra-regra, não. Contra-espionagem, sim. O resto segue a regra da vogal/H versus consoante C/R. O resto é detalhe.
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