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Criança Pode Tomar Vitamina B12

Criança Pode Tomar Vitamina B12

Vitamina B12 em crianças: o que realmente precisa saber antes de suplementar

A vitamina B12 é uma das poucas vitaminas que realmente precisa de acompanhamento quando se trata de uso infantil. Não é uma coisa que você compra na farmácia e dá para a criança por conta própria. A dosagem errada pode mascarar deficiências de ferro, e a dose insuficiente não resolve nada. Eu trabalho com nutrição pediátrica há anos e já vi casos em que suplementação sem monitoramento levou a diagnósticos atrasados de anemia ferropriva porque os níveis de B12 pareciam normais no exame, mas a criança continuava sintomática. Sim, criança pode tomar vitamina B12, desde que haja indicação clínica. A necessidade diária varia conforme a faixa etária. Para crianças entre 1 e 3 anos, o recomendação é de 0,9 microgramas por dia. Entre 4 e 8 anos, sobe para 1,2 microgramas. Aos 9 anos, a dose atinge 1,8 microgramas. A maioria das crianças que come uma dieta variada não precisa de suplemento. O problema aparece quando a criança é vegetariana estrita ou vegana, tem problemas de absorção intestinal, ou faz uso de medicamentos como metformina ou inibidores de bomba de prótons por períodos prolongados. O formato importa tanto quanto a dosagem. A cianocobalamina é a forma mais estudada e a mais comum em suplementos infantis. Ela precisa ser convertida pelo fígado em metilcobalamina, a forma ativa. Para a maioria das crianças, isso não é problema. Mas existe um subgrupo — e não é pequeno — que tem dificuldade nessa conversão por causa de variantes genéticas no gene MTHFR. Nesses casos, a metilcobalamina direta funciona melhor. Já vi crianças com níveis de B12 aparentemente adequados no sangue que continuavam com fadiga crônica e problemas de concentração até mudarmos para a forma metilada. O teste de ácido metilmalônico (MMA) ajuda a identificar isso. Ele não é rotineiramente pedido, mas faz diferença quando os sintomas persistem com B12 sérica normal.

A via de administração também pede atenção. Via oral é a primeira linha. Sublingual funciona, mas a evidência em crianças pequenas é limitada. Injeções são reservadas para casos de má absorção comprovada, como na doença de Crohn pediátrica ou após cirurgias bariátricas em adolescentes. Eu já recebi pedido de injeção de B12 para uma criança de 6 anos apenas porque os pais liam sobre o assunto na internet. O correto foi fazer teste de Schilling modificado e investigação de fator intrínseco antes de qualquer coisa. Sintomas de deficiência em crianças incluem cansaço excessivo, palidez, dificuldade de concentração na escola, formigamento nas extremidades, e em casos mais graves, atraso no desenvolvimento neuromotor. A deficiência grave é rara em crianças que comem carne, mas é comum em famílias veganas que não suplementam adequadamente. Já atendi um caso de menina de 5 anos vegana com neuropatia periférica iniciante. Os pais não sabiam que precisavam suplementar B12. A criança melhorou com reposição, mas levou três meses para função motora. Excesso de B12 é raro porque o corpo elimina o que não usa pela urina. Não há toxicidade estabelecida para ingestão oral. O risco real é outro: suplementar B12 sem avaliar os níveis pode esconder deficiência de folato. Ambos atuam no mesmo ciclo metabólico. Se você dá B12 para uma criança com deficiência de folato, os níveis de B12 sobem no exame, mas a anemia continua progressando. O exame de folato eritrocitário é essencial junto com a B12 sérica.

Fontes alimentares confiáveis para crianças que não têm restrições dietéticas: carne bovina, fígado, ovos, laticínios e peixes como salmão e atum. Uma porção de 85 gramas de carne bovina fornece cerca de 2,4 microgramas de B12, o que já cobre a necessidade diária de uma criança de 9 anos. Suplementos infantis costumam vir em gotas ou comprimidos mastigáveis com doses entre 250 e 500 microgramas. Essas doses são muito acima da necessidade diária, mas são seguras porque a absorção é limitada pelo fator intrínseco. O excesso simplesmente não entra na corrente sanguínea. Se você está considerando suplementar, o primeiro passo é pedido de exame: B12 sérica, ácido metilmalônico, homocisteína, folato eritrocitário e hemograma completo. Nada disso é exagero. É o mínimo que se espera de um acompanhamento responsável. Leva cerca de uma semana para ter os resultados e o pediatra ou nutricionista ajusta a conduta com base neles, não em suposições.

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