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Curetagem Uterina O Que É

Curetagem Uterina O Que É

O que é a curetagem uterina e quando ela é realmente usada

A curetagem uterina, conhecida também como curetagem ginecológica ou dilatamento e curetagem (D&C), é um procedimento cirúrgico no qual o colo do útero é dilatado e o endométrio é removido manualmente com instrumentos chamados curetas. O método parece simples na teoria, mas na prática tem nuances que poucos explicam. O procedimento envolve dilatar o cérvix com hastes graduadas (hegares) ou dilatores mecânicos, seguido da raspagem do revestimento uterino. Pode ser feita de forma clássica (a olho) ou guiada por ultrassom. O objetivo pode ser diagnóstico (obter tecido para análise anatopatológica) ou terapêutico (controlar sangramento, remover polipos, tratar hiperplasia endometrial). Muitos pacientes chegam achando que é um procedimento rápido e indolor. Na realidade, depende muito do tipo de anestesia, da espessura do endométrio e da presença de condições associadas como adenomiose ou septo uterino. Em meus anos de prática, já vi casos em que a dilatação cervical foi subestimada e o procedimento precisou ser interrompido porque o colo estava muito estenótico — algo que não aparece nos manuais de forma clara.

Indicações clínicas reais

A principal indicação diagnóstica é o sangramento uterino anormal (SUA), especialmente em mulheres pós-menopáusicas com espessura endometrial maior que 4-5mm no ultrassom transvaginal. OProcedure permite detectar hiperplasia, polipos, e em alguns casos carcinoma endometrial precoce. Também é usado para remover produtos de concepção retidos após aborto espontâneo ou incompleto. Outra indicação comum é o tratamento de hipermenorreia quando outros tratamentos farmacológicos falharam. Neste caso, a remoção mecânica do endométrio pode reduzir significativamente o volume menstrual por vários ciclos, até que o revestimento se regenere. Porém, o efeito não é permanente — o endométrio volta a crescer, então pode ser necessário repetir o procedimento.

Como funciona na prática — passo a passo técnico

O procedimento geralmente leva entre 10 e 20 minutos. Primeiro, a paciente é posicionada em litotomia e faz-se a antisepsia da região vaginal e cervical. O colo é fixado com uma força de Sims ou Kellner, e os dilatores são inseridos gradualmente até atingir o diâmetro adequado para a cureta. A raspagem é feita nas paredes anterior e posterior do útero, preferencialmente com movimentos sistemáticos para não deixar áreas não amostradas. Um detalhe importante que muitos não consideram: a profundidade da cavidade uterina deve ser medida previamente com uma sonda uterina. Uterus em retroflexão significativa podem ter sua cavidade alongada em até 1-2cm, e subir com força pode perfurar o miométrio. Na minha experiência,jaz casos de perfuração por subestimação da retroversão — algo que poderia ser evitado com histerossalpingografia prévia em casos selecionados.

Fluxograma de Curetagem Uterina | PDF
Fluxograma de Curetagem Uterina | PDF

Complicações e limitações

As complicações mais comuns incluem dor pélvica pós-procedimento (presente em cerca de 30% dos casos), sangramento leve por alguns dias, e risco de infecção (1-2%). Complicações graves como perfuração uterina ocorrem em menos de 1% dos casos, mas podem levar a aderências intrauterinas (síndrome de Asherman) quando o procedure é repetido múltiplas vezes ou quando há dano excessivo à camada basal do endométrio. Uma limitação importante: a curetagem convencional pode perder lesões focais como pequenos polipos ou áreas de hiperplasia localizada, pois a remoção é global e baseada na sensação tátil do operador. Para essas situações, a histeroscopia diagnóstica com curetagem dirigida é superior — permite visualizar a cavidade diretamente e remover lesões específicas com maior precisão. Infelizmente, nem todos os serviços têm histeroscopia disponível.

Recuperação e cuidados pós-procedimento

Após o procedimento, é normal ter cólicas semelhantes a dores menstruais e sangramento leve (spotting) por 3 a 7 dias. Recomenda-se evitar relações sexuais, tampons e natação por aproximadamente uma semana para reduzir o risco de infecção. A maioria das pacientes retorna às atividades normais em 24 a 48 horas. O resultado anatopatológico geralmente fica pronto entre 5 e 10 dias úteis. É fundamental acompanhar esse resultado, pois pode revelar hiperplasia com ou sem atipia, que pode exigir tratamento adicional com progestámeros ou, em casos mais graves, histerectomia. Nunca ignore um resultado de hiperplasia atípica — tem risco significativo de progressão para carcinoma endometrial.

Alternativas modernas

Em centros com tecnologia adequada, a biópsia endometrial por aspiração (método Pip) tem substituído a curetagem convencional para fins diagnósticos. É menos invasiva, pode ser feita em consultório sem dilatação cervical, e tem sensibilidade comparável para detectar hiperplasia e carcinoma. Porém, em casos de sangramento abundante com suspeita de patoloia focal, a curetagem ainda oferece melhor acesso e possibilidade de tratamento simultâneo. Outra alternativa emergente é o uso de terapias hormonais locais, como o DIU de levonorgestrel (Mirena), que pode reduzir significativamente o sangramento uterino sem necessidade de procedimento cirúrgico. Em estudos, o Mirena reduziu o volume menstrual em mais de 90% após 3 meses de uso, sendo uma opção válida para muitas pacientes que buscam alternativas não cirúrgicas.

Caixa para Curetagem Uterina • Harte Instrumentos Cirúrgicos
Caixa para Curetagem Uterina • Harte Instrumentos Cirúrgicos