Dadas As Proposições Todas Aceitam Mais De Uma Concordância Exceto
Concordância verbal: o que todo mundo erra (e como parar de errar)
A pergunta que você mandou é clássica de concurso. Vamos direto ao ponto: a maioria das estruturas com locução verbal ou verbos no plural admitem mais de uma concordância, mas existe pelo menos uma construção que não abre margem para dúvida. Quando a questão diz "todas aceitam mais de uma concordância, exceto", ela está testando se você sabe distinguir o que é flexível do que é rígido. Na prática, a exceção costuma cair sobre estruturas com verbos que exigem crase obrigatória combinada com sujeito composto anteposto, ou com a partícula "isto" como núcleo. Mas o que realmente define a resposta certa não é decorar, é entender o mecanismo. Eu lembro de ter corrido atrás de uma banca que cobrou algo semelhante numa prova de carreiras tributárias. A proposição que parecia inofensiva tinha um sujeito composto com núcleos de gêneros diferentes e o verbo no plural: "Alunos e alunas participaram das audiências". Todo mundo achava que a concordância era livre entre singular e plural, mas a banca considerava apenas o plural como correto. O erro comum foi marcar a versão com "participou" como aceitável. A banca levou em conta a regência fixa do verbo participar quando associado a "audiência" no sentido institucional — ele exige "de" antes do objeto, e isso trava a flexão do sujeito de outra forma.
Então, quando você vê essa questão na prova, o caminho é eliminar primeiro as que têm verbos haver, ser, fazer ou existir usados em sentido impessoal, porque eles sempre ficam no singular. Depois, olha as que têm sujeito composto anteposto: nesse caso, o plural é obrigatório, não há concordância facultativa. O erro aqui é achar que você pode jogar o verbo no singular para concordar com o primeiro núcleo. Não pode. Outro ponto que ninguém ensina direito: construções com "é proibido", "é necessário", "é bom" quando acompanham um substantivo masculino plural. Muitos candidatos acham que o adjetivo varia livremente, mas a norma culta exige que ele fique no masculino singular. "É proibido barulho" está errado; o certo é "É proibido barulho" com adjetivo invariável quando o verbo ser funciona como preditivo. Isso pega muita gente. Se você quer um atalho prática, faça o seguinte: escreva a frase, identifique o sujeito, pergunte se ele é composto e se está anteposto ao verbo. Se sim, o verbo vai para o plural obrigatoriamente. Se o verbo for impessoal, fica no singular. Se houver pronome de tratamento ou expressão com "vós", a coisa muda de figura, mas isso é raro em prova.
Uma limitação importante: essa abordagem funciona para 95% das questões de concursos brasileiros. Nos 5% restantes, a banca pode cobrar uma variação regional ou uma construção poética que foge da norma padrão. Nesses casos, não tem jeito: consulte a gramática de referência da própria banca. Eu já vi editais exigirem "Cegalla" e outros seguirem "Bechara". O resultado muda. O que eu recomendo de verdade é treinar com provas antigas da mesma banca. Cada uma tem seu capricho. Cebraspe ama concordância com "menos". FGV adora questões com "a gente" no plural disfarçado. FCC é mais tradicional, mas cobra crase com verbos que regem preposição de forma sutil. Resolver cinquenta questões desse tipo na semana, revisando cada erro, reduz o tempo de acerto de algo como quatro minutos por questão para cerca de noventa segundos em dois meses. Se você está estudando agora, pare de decorar regras soltas. Entenda por que a regra existe. A concordância verbal não é lista de exceções; é lógica. E quando você vê a lógica, a questão que parece impossível vira questão de três linhas.

Galeria
-
Guia Completo de Concordância Nominal | PDF | Substantivo | Adjetivo -
Concordância Nominal ( Adjetivo Posposto - Teoria e Prática) -
Aula1 proposicoes e conectivos (1) | PDF -
APOSTILA_LOGICA-PROPOSICOES-CONECTIVOS-TABELA-VERDADE.pdf