De 1930 A 1945 Se Passava Que Fase Do Modernismo
A fase de 1930 a 1945 no Modernismo brasileiro
Muita gente confunde, mas o período de 1930 a 1945 não é mais a fase heroica da Semana de 1922. A primeira fase do Modernismo já tinha terminado. Estamos falando do que os manuais chamam de segunda fase, ou fase de consolidação, que teve um rumo bem diferente do que se viu em São Paulo em maio de 1922. O ponto de virada foi a realocação do eixo cultural. Em 1930, o Rio de Janeiro ainda era a capital federal e a referência literária por padrão. Mas logo a partir de 1931, com o rompimento entre Mário de Andrade e Oswald de Andrade, o modernismo paulista perdeu seu monopólio. A literatura deixou de ser puramente vanguardista para buscar um diálogo com temas nacionais mais sérios. Não era mais sobre chocar o público com versos livres e prosa fragmentada. Era sobre construir algo que tivesse pernas para ficar.
de 1930 a 1945 se passava que fase do modernismo
Essa fase é marcada por três grandes fenômenos. O primeiro é a preocupação regionalista. Os autores saíram dos salões literários cariocas e foram para o Nordeste, para o interior de Minas e para o Norte. Graciliano Ramos escreveu "São Bernardo" em 1934 retratando o sertão com uma psicologia dura, sem romantismo. José Lins do Rego publicou "Fogo mole" no mesmo ano mostrando a decadência dos engenhos de açúcar. Rachel de Queiroz lançou "O quarto de dormir" em 1939. Tudo isso era modernismo aplicado à realidade brasileira concreta. O segundo fenômeno foi a ascensão de Jorge Amado. Ele entrou na cena com "Capitães de areia" em 1937, abordando Meninos de Rua, crianças abandonadas de Salvador, com uma linguagem que misturava o coloquial baiano e uma estrutura narrativa moderna. A obra dele ganhou projeção internacional rapidamente, o que nunca tinha acontecido antes com autores brasileiros. O terceiro ponto, e o mais importante, é que esse período produziu o que alguns críticos chamam de neo-realismo no Brasil. Diferente do neo-realismo italiano, o brasileiro tinha suas próprias características. Havia menos dogmatismo marxista explícito e mais investigação psicológica dos personagens. A diferença entre "Vidas secas" de Graciliano Ramos, publicado em 1937, e um romance de denuncia social qualquer é que Graciliano conseguia entrar na cabeça do Sebastião, da Fabiana, dos filhos, mostrando como a miséria transforma a percepção do tempo e do espaço.
Um problema que vejo sempre em provas e concursos é a confusão entre a poesia de 1930 e a prosa. A poesia desse período foi dominada por Carlos Drummond de Andrade. Ele publicou "Claridade" em 1930 e depois "Sentimento do mundo" em 1940. Drummond não era regionalista. Era um poeta urbano, filosófico, que refletia sobre a condição humana num mundo prestes a entrar na Segunda Guerra. Colocar Drummond na mesma gaveta que Jorge Amado é um erro clássico. Eles conviveram no mesmo período, mas pertenciam a vertentes completamente distintas. Outra armadilha comum é achar que esse período acabou com a Semana de 1922. Na verdade, 1922 foi o ponto de partida. A primeira fase durou pouco mais de uma década. Entre 1922 e 1930 houve muita experimentalção, mas também muita dispersão. Os modernistas lutavam entre o experimentalismo europeu e a busca por uma identidade brasileira. Foi só a partir de 1930 que essa tensão encontrou formas mais estáveis de expressão. Um detalhe que poucos mencionam é a influência do contexto político. O Estado Novo de Getúlio Vargas, instaurado em 1937, criou uma atmosfera complicada para os artistas. A censura crescia. Alguns autores se aliaram ao governo, como ocorreu com parte do círculo em torno da revista "A Província de São Paulo". Outros, como os regionalistas, mantiveram certa independência. A relação entre arte e política nesse período é mais matizada do que os livros didáticos costumam apresentar.

Se você precisa memorizar os nomes centrais para uma prova, o mínimo indispensável é: Graciliano Ramos, Jorge Amado, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, João Guimarães Rosa (que estreou no fim do período, com "Sagarana" em 1946, já anunciando a terceira fase), e Carlos Drummond de Andrade para a poesia. Tarsila do Amaral também permaneceu relevante visualmente, embora sua produção tenha tido altos e baixos durante esse tempo todo. O que esse período realmente mostrou foi que o modernismo brasileiro conseguia sair do experimentalismo puro e construir obras com duração. "Vidas secas" e "Capitães de areia" são lidos hoje com a mesma relevância que tinham em 1937. Isso não aconteceu por acaso. Aconteceu porque os autores desse período entenderam que a revolução estética precisava ser acompanhada de uma revolução temática.
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I fase do modernismo (1922 1930) | PPTX