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De Acordo Com Gisela Kassoy Especialista No Assunto A Criatividade

De Acordo Com Gisela Kassoy Especialista No Assunto A Criatividade

O método prático para desenvolver criatividade segundo Gisela Kassoy

A criatividade não é um dom genético. É uma habilidade treinável que a maioria das pessoas abandonam cedo porque ninguém ensina o processo corretamente. Gisela Kassoy trabalha com isso há mais de uma década, desenvolvendo metodologias voltadas para equipes corporativas e profissionais liberais que precisam gerar ideias de forma consistente. O diferencial dela não está na teoria, mas na aplicação sistemática. O cerne do trabalho dela parte de uma premissa simples: criatividade é resultado de restrição, não de liberdade. Quando você deixa uma pessoa "ser criativa" sem nenhum parâmetro, ela trava. O cérebro entra em modo de análise paralisante. Kassoy propõe o uso de restrições propositalmente arbitrárias para forçar o pensamento a encontrar caminhos alternativos. Por exemplo, num workshop que acompanhei há uns dois anos, eles usaram a técnica do "problema invertido". Em vez de pedir para a equipe criar uma solução, pediam para descrever a pior solução possível para o mesmo problema. Depois, invertiam cada elemento dessa solução desastrosa. A primeira sessão gerou em 40 minutos ideias que umabrainstorming tradicional não consegue extrair em três horas. Isso acontece porque o cérebro não entra em modo de julgamento quando está gerando algo propositalmente absurdo.

A metodologia dela se divide em três pilares operacionais. O primeiro é a varredura de inputs. Você precisa alimentar o sistema com referências de áreas completamente distintas da sua. Um designer gráfico que só consome trabalhos de design nunca terá boa criatividade. Kassoy recomenda criar um banco de dados pessoal de referências cruzadas: biologia, arquitetura, culinária, jogos de tabuleiro. Quanto mais dissonante a conexão, mais potencial criativo ela gera. O segundo pilar é a rotina de geração forçada. Isso soa contraditório, mas é exatamente o que o método propõe. Criatividade não aparece quando você espera. Ela aparece quando você se coloca em situações que demandam produção constante. A regra prática é: gerar vinte ideias ruins antes de qualquer uma servir. A maioria das pessoas desiste na terceira. Esse filtro quantitativo é o que separa quem produz resultados de quem só pensa em resultados. O terceiro pilar é o prototipagem rápida. Ideia sem teste é apenas opinião. Kassoy insiste que qualquer conceito criativo precisa ser materializado nas primeiras 48 horas. Um esboço, um texto, um modelo de papel. Algo que possa ser mostrado e criticado. Ideias que ficam só na cabeça nunca são refinadas, porque não há como corrigir algo que não existe fisicamente.

Durante uma implementação prática, enfrentei um problema específico com equipes de marketing que aplicavam a técnica de brainstorming invertido. O grupo simplesmente não conseguia se soltar. As ideias permaneciam seguras e óbvias mesmo quando pedíamos o oposto. A solução foi introduzir um elemento de aleatoriedade controlada: sortear duas palavras de um dicionário aberto e obrigatoriamente conectá-las ao problema. Isso quebrou o padrão de pensamento convencional e as ideias saíram muito mais divergentes em menos tempo. Um ponto que poucos mencionam: a criatividade sob pressão real funciona de forma diferente. Em ambiente corporativo, onde prazos são apertados e hierarquias pesam, o método de Kassoy precisa de adaptações. O tempo de geração forçada cai pela metade, e as restrições precisam ser ainda mais específicas. Uma regra prática que funcionou comigo é reduzir o exercício para cinco minutos por persona, com um facilitador que interrompe quando alguém começa a justificar ou criticar uma ideia em vez de gerar outra. Há limitações que merecem ser ditas em voz alta. O método não substitui expertise técnica na área. Se alguém não domina o básico do seu campo, criatividade extra não resolve problemas fundamentais de implementação. Também não funciona bem em contextos onde a segurança ou conformidade regulatória é a prioridade absoluta. Nesse caso, a criatividade deve ser aplicada em fases de planejamento, não nas fases de execução.

15 livros que ajudam a inspirar a criatividade no trabalho | Exame
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Para quem quer começar, o caminho mais direto é estudar os materiais publicados por Kassoy e aplicar a técnica das vinte ideias durante uma semana. Não adianta ler sobre criatividade. A criatividade se constrói praticando criação. O que diferencia quem leva isso a sério é a consistência, não a intensidade ocasional.