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De Onde É Originada A Parte Mineral Do Solo

De Onde É Originada A Parte Mineral Do Solo

A fração mineral do solo e o que ninguém te conta sobre ela

A parte mineral do solo vem da intemperização da rocha-mãe, ou seja, da desagregação física e da transformação química das rochas ao longo do tempo. Esse é o resumo de livro didático. O que acontece no campo é mais bagunçado do que isso. Vou direto ao ponto. A rocha expos ta ao ar, à água, a mudanças de temperatura, ao crescimento de raízes e à ação de organismos vai se quebrando. A parte mecânica dissolve cristais, expande e contrai. A parte química altera minerais primários como feldspatos e micas em minerais secundários, principalmente argilas. O produto final dessa seq uência compõe o que chamamos de fração mineral do solo, que em um perfil típico representa cerca de 45 a 49 por cento do volume total.

De onde é originada a parte mineral do solo

A resposta curta é: da rocha-fonte. Mas a rocha-fonte nem sempre fica debaixo do solo que você está analisando. Existem dois cenários distintos que mudam completamente a interpretação dos resultados. No solo residual, a rocha permaneceu no local e só sofreu intemperismo in situ. O arenito, o granito, o basalto ou o gnaisses ali de baixo viraram o próprio solo. Nesse caso, a mineralogia do solo reflete diretamente a litologia original. Se a rocha é rica em quartzo, o solo are tido será predominantemente quartzoso. Se é basáltica, terá mais minerais ferromagnesianos e argilas mais ativas. No solo transportado, as coisas complicam. Vento, água, gravidade e gelo carregam partículas de um lugar para outro. Você pode estar pisando em um latossolo cujos minerais vieram de uma cadeia de montanhas a centenas de quilômetros de distância. A composição mineralógica não tem nenhuma relação com o substrato geológico imediato. Isso acontece muito no sul do Brasil, onde depósitos eólicos e aluvionares cobrem rochas bem diferentes das origens dos sedimentos.

Minerais primários resistentes como quartzo e turmalina sobrevivem ao intemperismo e se acumulam. Minerais instáveis como olivina, piroxênio e feldspato cálcico se dissolvem rapidamente. Os feldspatos potássicos duram mais. As micas, especialmente a biotita, ficam no meio-termo. O que resta depende do clima, do tempo de exposição e da drenagem. Em climas tropicais úmidos como o brasileiro, o intemperismo é avançado. Argilas do tipo caulinita e óxidos de ferro e alumínio dominam. Em climas temperados mais secos, as argilas 2:1 como a esmectita ainda são comuns porque a lixiviação é menor. Esse detalhe mineralógico define desde a capacidade de troca catiônica até o comportamento plástico do solo. Eu precisei resolver um problema prático desses há alguns anos. Uma fazenda no interior de Minas Gerais tinha um solo que parecia perfeito na camada superficial, com boa estrutura e cor escura, mas as culturas de cobertura estavam sofrendo deficiência de enxofre de forma consistente. A análise de rotina não mostrava nada anormal. O pH estava ok, a CTC também, os níveis de fósforo e potássio pareciam aceitáveis. O problema era que a mineralogia da fração Grossa incluía anfibólios e piroxênios oriundos de um basalto regional com teor anormalmente baixo de sulfetos. O solo simplesmente não tinha reserva mineral de enxofre para liberar. A correção foi adubação sulfatada direta, sem margem para achismo. A lição foi que confiar cegamente na análise de rotina sem olhar a composição mineralógica pode esconder deficiências crônicas que só aparecem quando a cultura já está comprometida.

Horizontes Do Solo Classificação De Horizontes Do Solo é Tema De
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A fração areia, silte e argila nada mais é do que o produto fragmentado e transformado dessa rocha. A proporção entre elas depende da dureza dos minerais originais e da energia do agente transportador. Areia grossa são grãos visíveis de quartzo e outros minerais resistentes. Silte são partículas intermediárias que ainda carregam fragmentos de minerais primários pouco alterados. Argila são os produtos finíssimos da alteração química, muitos deles secundários que não existem mais na rocha original. Um ponto que passa despercebido com frequência é que a origem mineral não determina sozinha a fertilidade. Um solo derivado de arenito quartzoso pode ser tecnicamente profundo e bem drenado, mas quimicamente vazio porque o quartzo não fornece cátions. Um solo derivado de cinza vulcânica pode ser raso, mas carregado de minerais que liberam nutrientes continuamente. A textura engana. A mineralogia explica. Se você trabalha com diagnóstico de solo, o ideal é combinar a análise granulométrica com pelo menos uma identificação mineralógica básica, mesmo que seja só por difração de raios X ou microscopia óptica. O custo é baixo comparado ao erro de manejo que surge quando se assume que todos os solos de uma mesma classe de textura se comportam igual. Eles não se comportam. A origem mineral é o fator que mais diverge entre perfis que parecem idênticos na superfície.

O intemperismo não para. Ele continua ativo enquanto houver rocha exposta e condições climáticas favoráveis. Solo maduro em região tropical já perdeu gran parte dos minerais primários originais. Solo jovem ainda carrega fragmentos reconhecíveis da rocha que o gerou. Se você quer saber a origem de um solo específico, olhe o que ainda resta da rocha-mãe e o que já foi transformado. A resposta está na proporção entre os dois.